| Os Mercenários 3 | Crítica

Posted in Ação, Cinema, Críticas de 2014 with tags , , , , , , , , , , , , , , , on 22 de agosto de 2014 by Lucas Nascimento

2.5

TheExpendables3
Escalação 3.0 traz o velho e o novo

É só dar uma vislumbrada no pôster principal de Os Mercenários 3 , onde todos os membros do elenco sorriem e posam para uma foto casual, para perceber que tudo isso é uma mera piada travestida de filme de ação. A proposta de reunir astros icônicos do gênero era interessante em 2010, e funcionou na medida certa na meta continuação de 2012. O novo filme explora ainda mais a metalinguagem e aposta em mais piadas e referências a seu grandioso elenco, mas é fácil notar o esgotamento.

Na trama, Barney Ross (Sylvester Stallone) e seu grupo de mercenários estão à mercê de um perigoso inimigo, que outrora foi um de seus grandes aliados: Stonebanks (Mel Gibson), agora comerciante de armas de destruição em massa. Quando Stonebanks sequestra a porção jovem da equipe, Ross parte para resgatá-los.

Como os antecessores, é a mínima história possível que só está ali como desculpa para reunir novamente o elenco de ação. Entram nesta terceira parte Wesley Snipes, Kelsey Grammer, Harrison Ford, Antonio Banderas e o já mencionado Gibson. Temos também um elenco mais desconhecido que forma a “geração 2.o” dos Mercenários, mas nem precisa dizer que nem de longe são tão interessantes quanto o elenco principal – e o roteiro de Stallone, Creighton Rothenberger e Katrin Benedikt erra ao fazer o público passar tanto tempo com eles. Ford, por exemplo, é o personagem mais mal aproveitado, e tendo em vista que o cara é Han Solo e Indiana Jones, era de se esperar mais do que o ator agindo como um mero piloto (papel que substitui o de Bruce Willis, que recusou voltar).

Mas o que realmente me interessa nessa franquia, é o esculacho. Não ligo para a historinha boba, nem para a ação nada impressionante que o novato Patrick Hughes tenta problematicamente conduzir. Estou aqui pelas piadas, e elas realmente funcionam. Arnold Schwarzenegger tem menos destaque aqui do que no anterior, mas já empolga quando solta o icônico “Get to the chopper” em seu inconfundível sotaque austríaco, ou as diversas referências a acontecimentos reais, como Stallone dizendo para o personagem de Snipes o quanto foi imbecil de ir para a cadeia – e caso a referência tenha sido muito sutil, há toda uma sequência com os Mercenários libertando-o de uma prisão móvel. Mas a grande surpresa é Antonio Banderas. Se você, como eu, achava estranha a presença do ator que não é tão conhecido pelo trabalho no gênero, vai se surpreender ao ver o quão divertida e agradavelmente irritante é sua participação, de longe o ponto alto da produção.

Como filme em si, já traz a direção problemática citada acima. Hughes não é o melhor dos condutores de ação, mas ao menos faz um trabalho superior ao de Stallone no primeiro filme. Mas isso não é grande coisa, já que o australiano insiste nos cortes rápidos, num desenho de som preguiçoso e cisma com enquadramentos plongeé completamente deslocados. É raro encontrar ação que entedia. E pior, o filme faz um grande retrocesso no quesito efeitos visuais, apresentando o para-quedas mais artificial da História do Cinema e alguns usos de tela verde realmente constrangedores. Não será difícil percebê-los.

Os Mercenários 3 provavelmente vai agradar aos fãs dos filmes de ação dos anos 80, especialmente pelas doses de nostalgia e auto referência. Pra quem não for dessa praia, dificilmente vai agradar. Eu pessoalmente me diverti com o ridículo, mas acho que já é hora de parar.

Confira o novo trailer de ANNABELLE

Posted in Trailers with tags , , , , , , , , on 21 de agosto de 2014 by Lucas Nascimento

ANNABELLE

Depois do breve teaser, o spin off de Invocação do Mal, Annabelle, ganha agora seu primeiro trailer completo. Ainda não detalha completamente a história (o que é bom), mas revela mais alguns momentos de terror e sustos (não tão bom, quero guardar as surpresas). Enfim, confira:

Annabelle estreia em 9 de Outubro no Brasil.

Vazou o trailer de THE HATEFUL EIGHT

Posted in Trailers with tags , , , , , , , , on 21 de agosto de 2014 by Lucas Nascimento

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As filmagens de The Hateful Eight, novo filme de Quentin Tarantino, ainda nem começaram, mas já temos online um breve teaser trailer. O vídeo está sendo exibido durante as sessões de Sin City: A Dama Fatal, e limita-se a apresentar em texto a premissa e os personagens principais; ao som de “Gimme Danger”, de Iggy Pop e the Stooges. De qualquer forma, é bem empolgante, e não há planos para seu lançamento oficial na internet. Confira:

O faroeste em “glorioso 70 mm” se concentra em 8 estranhos que acabam refugiados em um saloon durante uma nevasca.

The Hateful Eight estreia em 2015.

| Amantes Eternos | Crítica

Posted in Cinema, Críticas de 2014, Drama, Romance with tags , , , , , , , , , , , , , , , , on 15 de agosto de 2014 by Lucas Nascimento

4.5

OLLA
Tilda Swinton e Tom Hiddleston, perfeitos como o casal protagonista

Em 2008, o sucesso de Crepúsculo fez com que o mito dos vampiros levantassem de seus caixões, em uma dominação em massa da indústria cultural. Dentre a péssima saga de Stephanie Meyer, séries de TV como True Blood e The Vampire Diaries e algumas raras exceções no cinema – posto preenchido pelas adaptações sueca e americana de Deixa Ela Entrar – o vampiro novamente tomava conta do imaginário, mas não da forma como merecia. Atrasado alguns anos, o cineasta Jim Jarmusch traz sua visão para as criaturas noturnas com Amantes Eternos. E eu agradeço a ele por ter tornado o vampiro interessante novamente.

A trama é concentrada no casal de vampiros Adam (Tom Hiddleston) e Eve (Tilda Swinton). Vivendo com continentes de distância, os dois se reaproximam quando Adam enfrenta uma depressão e a irmã de Eve, Ava (Mia Wasikowska), chega na cidade.

 Não é exatamente a mais elaborada das premissas, e talvez por isso mesmo o filme se saia tão bem. Não é um de eventos, de acontecimentos, mas sim de contemplamentos e reflexões – mas sem optar para uma experiência onírica, mantendo uma narrativa convencional. Para isso, Jarmusch preenche a obra com fascinantes diálogos e monólogos sobre a existência humana ao longo dos séculos, transformando o filme em um estudo profundo – e ao mesmo tempo acessível – e rendendo alguns momentos divertidos, como quando o personagem de John Hurt insinua que William Shakespeare roubara todos os seus trabalhos. Também vale mencionar as sensacionais sutilezas, tal como a própria revelação das presas dos personagens, os copos antigos ou o momento em que Eve fita uma ilustração do “Pecado Original”, em mais uma referência (além dos próprios nomes) de que ela e Adam poderiam ser o casal primordial da Bíblia.

É muito interessante que o filme toque tanto na questão da produtividade cultural. Hurt tem seus bons momentos para falar sobre literatura, mas é realmente a música quem rouba os holofotes da produção. Adam e Eve são grandes admiradores musicais, e o próprio é responsável por algumas produções pessoais e experimentais. Elementos estes rendem a Amantes Eternos uma das experiências sonoras mais inspiradas do ano, que vão desde a coleção de vinis de Adam até suas hipnotizantes composições, que colocam o filme em uma áurea difícil de se colocar em palavras, totalmente única. E sendo criaturas imortais, é uma decisão genial fazê-los apaixonados por aquela que é a única presença imortal do mundo: a cultura.

Cultura, como o sangue ingerido incessavelmente pelos vampiros, é quase uma droga. A cena em que o fiel companheiro vivido por Anton Yelchin passa três discos de vinil para um comprador, é capturada por Jamursch quase como um contrabando, em mais uma pista do tipo de mundo onde é situada a história: uma Detroit desolada e obscura, diversas citações a uma vindoura guerra por água, escassez de recursos… Jamursch captura o contexto e o coloca sob as lentes superiores de seus protagonistas, que claramente enxergam os humanos (“zumbi” é um termo recorrente) como seres condenados.

Envolvente do início ao fim, Amantes Eternos é uma experiência belíssima e hipnotizante, uma história inteligente povoada por figuras ricas e absolutamente memoráveis. Como seus protagonistas, merece encontrar a imortalidade.

Trailer internacional de THE DISAPPEARANCE OF ELEANOR RIGBY

Posted in Trailers with tags , , , , , , , , , , , , on 14 de agosto de 2014 by Lucas Nascimento

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Há uns meses atrás falei aqui sobre The Disappearance of Eleanor Rigby, um curioso projeto que oferecia três filmes para a mesma história: um deles sob o ponto de vista da personagem de Jessica Chastain (Her), o outro sob o de James McAvoy (Him) e o último sendo uma junção dos dois (Them). O novo trailer que foi produzido para o mercado chinês ilustra melhor essa ideia, e é interessante reparar em como a mesma cena (em tela dividida, no vídeo) é a filmada, fotografada e colorida de forma diferente. Confira:

Acho isso muito, muito bacana. Só fica a dúvida de como as distribuidoras vão se virar pra lançar o filme. As três versões? Apenas a versão Them, com um possível lançamento em home video da Her e Him? Fica o mistério.

The Disappearance of Eleanor Rigby (acredito que a versão Them) estreia em 12 de Setembro nos EUA.

Novo trailer de MISS JULIE

Posted in Trailers with tags , , , , , , , on 13 de agosto de 2014 by Lucas Nascimento

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Dirigido por Liv Ullmann e estrelado por Jessica Chastain e Colin Farrell, o romance de época Miss Julie ganhou um novo trailer. Como a anterior, a prévia aposta num belo rearranjo do tema principal de Barry Lyndon e na beleza estética de suas tomadas. E pessoalmente, Farrell parece estar insanamente dedicado ao papel. Confira:

Miss Julie será exibido no Festival de Toronto no mês que vem. Ainda sem previsão de estreia comercial.

| Chef | Crítica

Posted in Cinema, Comédia, Críticas de 2014 with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 13 de agosto de 2014 by Lucas Nascimento

3.5

Chef

Gosto de pensar que Jon Favreau tenha elaborado a ideia de Chef em uma noite árdua e sombria, enquanto lia as críticas negativas de seu fracasso Cowboys & Aliens, se entupia de comida e ouvia um bom som cubano ao fundo. A mistura inusitada é traduzida nesta divertida comédia, e funciona.

A trama é centrada em Carl Casper (Favreau), um talentoso chef de cozinha que trabalha em um restaurante familiar. Após ser massacrado por um notório crítico gastronômico (Oliver Platt), Carl viaja com o filho (Emjay Anthony) e a ex-esposa (Sofia Vergara) para Miami, onde tem a ideia de montar um food truck, um transporte de comida cubana que vai ganhando fama ao viajar pelo país.

Jon Favreau tem 6 filmes como diretor no currículo: Crime Desorganizado, Um Duende em Nova York, Zathura – Uma Aventura Espacial, Cowboys & Aliens e os dois primeiros Homem de Ferro. Enquanto todas as produções citadas tinham lá seu charme e qualidade, Chef surge como um longa muito pessoal, onde pela primeira vez sente-se mais a mão de Favreau; afinal, é seu primeiro filme que não entra na categoria blockbuster, o que só me faz suspeitar que a situação descrita no primeiro parágrafo não seja tão fantasiosa. Também responsável pelo roteiro, Favreau utiliza um bom tempo para discutir o papel da crítica especializada (e sendo ambientada no mundo gastronômico, impossível não remeter ao Ego de Ratatouille), que rende um irritado monólogo onde Carl grita com o crítico. Novamente, é como se o próprio Favreau estivesse atacando o Rotten Tomatoes.

Por outro lado, Favreau é capaz de criar um personagem multifacetado que é bem diferente de seu tipo habitual. Desde as tatuagens em seus braços que sugerem o amor à profissão (uma delas é uma faca de cozinha), até o revelador momento em que faz questão de interromper seu trabalho ininterrupto no food truck para ensinar a seu filho os princípios do negócio que tanto ama (“Posso não ser o melhor cara, nem o melhor pai… Mas isso eu sei fazer”). Ao seu lado, Favreau traz um elenco invejável: a linda Sofia Vergara está encantadora como a idealização da ex-mulher perfeita, John Leguizamo diverte como o leal subchefe de Carl e Oliver Platt faz de seu crítico mais do que um mero antagonista estereótipo. E a experiência do diretor com Homem de Ferro garante pequenas participações de Scarlett Johansson (que traz uma cena muito interessante onde a comida é simbolicamente uma experiência sexual) e o sempre carismático Robert Downey Jr. Sem falar no Dustin Hoffman, que também tem lá seus 15 minutos.

Um elemento que o filme acerta como poucos já fizeram até hoje é o contexto tecnológico. As redes sociais como Facebook, Instagram e especialmente o Twitter são peças-chave da trama, servindo até como ferramenta para avançar a trama (como o reply malcriado que Carl envia para o crítico, sem saber que é uma publicação pública). Visualmente, Favreau opta por preencher a tela com mensagens flutuantes e até passarinhos , resultando em uma experiência mais dinâmica e verossímil em 2014; ao contrário do que faz o péssimo Os Estagiários, que só consegue basear suas “piadas” na incapacidade de adultos de entenderem o funcionamento de uma rede social.

Chef é um filme divertido e leve, propagando de forma muito pessoal e alegre sua mensagem otimista, ainda que ora ou outra seja ingênuo demais. Vale a visita, mas não cometa o erro masoquista de entrar na sessão de estômago vazio.

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