| A Rede Social | História do Facebook ganha filme maduro e impressionante
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Bilionários por Acaso: Mark e seus amigos inciam uma sombria jornada
Desde o anúncio de sua produção, houve a dúvida se um filme que conta a história de um site de internet seria digno de ver a luz do dia e resultasse de maneira favorável. Não fosse o roteiro genial de Aaron Sorkin e a direção sombria de David Fincher, talvez A Rede Social tivesse sido outro filme; longe da perfeição que alcança.
O interessante sobre o longa – e isso deve ser ressaltado – é que não é “Facebook: O Filme”, o grande foco emocional do filme não é no site, e sim nas dificuldades e conflitos entre seus fundadores, especialmente Mark Zuckerberg e Eduardo Saverin. Fincher constrói e destroi a amizade dos dois de maneira complexa e emocional, nunca julgando cada um como herói ou vilão; grande trunfo do intricado roteiro de Sorkin, que apresenta diálogos rápidos (em velocidade, não em duração), impecáveis e frases memoráveis.
Destaca-se também a montagem do filme. Optando por não seguir uma linha narrativa linear, Fincher apresenta a criação do Facebook e vai cortando entre os processos judiciais enfrentados por Mark, o que dá um tom de investigação e incomum ao filme; que só aumenta com a perturbadora trilha sonora eletrônica de Trent Reznor e Atticus Ross e o belo trabalho de fotografia, que equilibra cores fortes e frias de maneira excepcional.

Adivinhe quem vem para jantar: Justin Timberlake na pele de Sean Parker
Todos esses elementos técnicos combinados geram o clima e o tom perfeito para seu elenco. Quero destacar uma ótima cena, onde Mark, Eduardo e sua namorada conhecem Sean Parker; a maneira como o encontro é retratado, a caracterização dos personagens (reparem na música selvagem que emite sons animalescos e nos movimentos de Parker) os diálogos agressivos que têm o efeito de uma arma de fogo e tudo o que a cena representa. É simplesmente brilhante.
Jesse Eisenberg compõem o protagonista de maneira genial, traçando sua personalidade nerd/intelectual e, raramente transmitindo as emoções que o personagem sente ou o que pensa, o que torna Zuckerberg um anti-herói imprevisível. O colega brasileiro é interpretado com muita emoção pelo excelente Andrew Garfield que enche o jovem empresário de simpatia e carisma; é uma construção de caráter tão perfeita que é surpreendente sua reação ao descobrir a traição de Mark, resultando em uma intensa discussão, muito mais emocionante do que muitos clímax de filmes de ação deste ano.
O foco é nos amigos, mas alguns coadjuvantes roubam a cena. Fazendo uma rara participação no cinema, Justin Timberlake se sai muitíssimo bem como o empresário Sean Parker; manipulador e muito inteligente, é memorável. Armie Hammer faz um trabalho duplo eficiente ao interpretar os gêmeos Winklevoss, irmãos ambiciosos e competitivos. Apesar de pouquíssimo tempo em cena, Rooney Mara – que interpreta a ex-namorada de Mark – chama muito a atenção com seu carisma e habilidade de atuação; afinal, sua personagem é o catalisdor da trama.
Mais do que a história de um site, A Rede Social é a história sobre dois amigos e a destruição dessa amizade, tomando como plano de fundo uma sociedade que se debruça na tecnologia e utiliza a internet obsessivamente, como ferramenta de lazer, trabalho, egocentrismo e inclusão social, muitas vezes sem pensar na causa e efeito de suas ações. A sociedade em que vivemos.
Clique aqui para ler essa crítica em inglês (english)
Esta entrada foi publicada em 21 21UTC novembro 21UTC 2010 às 10:57 e está arquivada como Cinema, Críticas de 2010, Drama com as tags a rede social, aaron sorkin, analise, andrew garfield, brasileiro, david fincher, diálogos, eduardo saverin, english, facebook, filme, jesse eisenberg, justin timberlake, mark zuckerberg, rooney mara, roteiro, sean parker, Trilha sonora. Você pode acompanhar qualquer resposta para esta entrada através do feed RSS 2.0 Você pode deixar uma resposta, ou trackback do seu próprio site.
24 24UTC novembro 24UTC 2010 às 10:19
[...] Lucas Filmes Uma Proposta seriamente Irrecusável « A Rede Social – História do Facebook ganha filme maduro e impressionante [...]
26 26UTC novembro 26UTC 2010 às 12:24
[...] quer substituir Google como página inicial dos PCs A Rede Social – História do Facebook ganha filme maduro e impressionante Google quer colocar filmes completos da Miramax no Youtube Aumentando a capacidade da sua rede com [...]
26 26UTC novembro 26UTC 2010 às 16:58
Mais naum é mesmo o melhor filme do ano te enganaram
26 26UTC novembro 26UTC 2010 às 16:59
Quem me enganou? O.O
Na minha avaliação é UM DOS melhores filmes do ano. Perde só pra Origem.
29 29UTC novembro 29UTC 2010 às 11:13
[...] Bem, esse foi especial sobre o novo filme de David Fincher e pela primeira vez na história do blog, a crítica já estava disponível antes do lançamento do filme. Confira. [...]
2 02UTC dezembro 02UTC 2010 às 17:12
[...] MÁXIMA para o fim de semana. Leia a Crítica (pré-estreia em [...]
24 24UTC fevereiro 24UTC 2011 às 22:36
[...] Batendo defrente com O Discurso do Rei como favorito ao grande prêmio, a saga de processos legais e aulas de informática sobre a criação do Facebook é um filme memorável. Com um roteiro esplêndido e excelentes atores, a trama é agitada, emocionante e intrincada. Quem diria que um filme sobre um site chegasse nesse patamar? Crítica [...]
4 04UTC março 04UTC 2011 às 17:02
[...] Mais uma obra-prima de David Fincher, a história sobre a fundação do site Facebook é seu melhor filme desde Clube da Luta e traça uma visão sombria da geração atual, com enfoques em computação e empreendedorismo. Um dos melhores de 2010. Crítica [...]
18 18UTC março 18UTC 2011 às 21:53
Ótima resenha. Concordo com praticamente tudo que você mencionou. Realmente é um filme que, assim como diz o nome de uma composição da trilha sonora, as partes formam o todo: a direção concisa e imparcial de Fincher, o roteiro enérgico de Sorkin, as ótimas atuações, a fotografia e a montagem, a música e a excelente mixagem de som (quem achou injusta essa indicação do filme ao Oscar certamente não sabe o que significa mixagem). Não é meu favorito de 2010, mas é um dos melhores daquele ano, sem dúvida.
1 01UTC outubro 01UTC 2011 às 19:23
[...] - com uma montagem excepcional - e são apresentados diálogos com velocidade no nível A Rede Social (um pouco de exagero, mas serve pra ilustrar minha opinião a respeito [...]
17 17UTC janeiro 17UTC 2012 às 2:13
[...] De forma similar, a obscura trilha sonora de Trent Reznor e Atticus Ross (vencedores do Oscar por A Rede Social), guarnece acordes arrepiantes e que fogem completamente da música “padrão” dos [...]