| Laranja Mecânica | Cruel e perturbadora análise da mente humana

Abrem os créditos iniciais e a sombria Marcha Fúnebre do Queen Mary II ecoa pelos ouvidos do espectador, preparando-o para a perturbadora viagem que ele está prestes a embarcar. Corta para o jovem Alex, encarando a câmera, com um olhar malicioso e ao mesmo tempo ameaçador, junto com seus “drooges” (é como são chamados os membros de sua gangue) bebendo um copo de leite alterado e preparando-se para “boa e velha ultraviolência”.

É um ínicio forte para um filme forte. Stanley Kubrick adapta o livro de mesmo nome sobre o delinquente Alex, que rouba, estupra e provoca o caos em suas constantes saideiras noturnas com seus drooges pela cidade; cenas sempre gráficas e perturbadoras, retratadas por Kubrick de forma realista e fria, sempre usando planos-sequência sensacionais e memoráveis, como a psicodélica cena de sexo acelerada ao som de William Tel Overture, de Gioachino Rossini.

Apresentando o jovem Alex como um sujeito entediado e que cabula aula diversos dias, Malcom McDowell aparece sempre magnético em cena; com um sorriso malicioso e um olhar penetrante, o personagem é visto pelo espectador como uma pessoa má e perturbada – mas que certamente se diverte ao cometer atos criminosos -, até que conhecemos seu único traço humano e que pode mudar todas as suas decisões: a paixão pela música de Bethoveen, que também se mostrará como sua grande fraqueza ao decorrer da trama.

A grande reviravolta acontece quando, após um conflito hierárquico entre seus drooges – cuja causa foi, a música de Bethoveen -, Alex é abandonado na cena de um crime, que resultou em um assassinato – a reação de Alex ao perceber seu ato revela mais uma camada de humanidade – e levado à prisão, onde será submetido a um tratamento cruel de lavagem cerebral, visando “curá-lo” de sua mente criminosa – uma crítica feroz ao desejo de poder absoluto de instituições e políticos – e transformá-lo em um cidadão decente, mas paro de falar por aqui para não revelar grandes surpresas…

A fotografia de John Alcott é eficiente pelo uso correto de iluminação, que se destaca nos cenários coloridos e na montagem rápida, que provoca um certo desconforto em certos momentos. A trilha sonora mereceria uma análise a parte de tão boa: Kubrick seleciona algumas das melhores composições de Bethoveen – com destaque, claro para a Nona Sinfonia -, várias orquestras memoráveis e também “Cantando na Chuva”, do filme de mesmo nome, que revela-se como uma peça surpreendentemente fundamental no terceiro ato.

Com conteúdo gráfico que beira o pornográfico, Laranja Mecânica é um filme inesquecível, cujo conteúdos e temas são abordados de forma fria, pesada e repleta de metáforas, que prendem a atenção e marcam presença na lista de filmes que todo bom cinéfilo deveria assistir.

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16 Respostas to “| Laranja Mecânica | Cruel e perturbadora análise da mente humana”

  1. sou cinéfila e laranja mecânica foi sem dúvida o melhor filme que eu já vi na vida.. talvez fique lado a lado com violência gratuita.

    • violência gratuita é um otimo filme thaís, mas comparar com laranja mecânica…. nem condiz.
      Laranja Mecânica é um classico sem comparações

  2. bruno Diego Says:

    sem dúvida é a melhor adaptaçao de todos os tempos, mas eu prefiro ler o livro

  3. O texto está bom! Só ficou meio Spoyler… Quem está procurando uma sinopse pode acabar frustrado! De qualquer forma, muito bom o post!

    parabéns!

  4. Singing in the rain não foi bem uma escolha. Essa era a única música que Malcom McDowel sabia cantar, por isso entrou para o filme, e sejamos francos, ficou excelente!

  5. Faltou informar apenas que o filme apresenta uma forte crítica ao comportamentalismo. No mais, boa análise.

  6. Cara, antes desses pseudo-cults-intelectuais, era até um filme bom, mas com a onde dessa turma, virou o filme preferido de qualquer pessoa. Vão tomar no cu.

    • Engraçado e perturbadora sua indignação com isso… Sua opinião é tão fraca a ponto de se incomodar tanto com uma coisa boa que vira popular? Pessoas que pensam assim dão a entender que apenas querem ser diferentes para ser cool. tsc tsc

    • ieda paloma pimentel Says:

      eu diria que esse filme seria ua critica ao condicionamento operante de skinner baseado no behaviorismo

  7. Isso nao é uma critica… é um comentario

  8. Kubrick foi genial!
    Ele consegiu como pouco adaptar grandes clássicos da literatura como: 2001, Lolita,Dr. Strangelove e Barry Lyndon sem deixar nada a dever para as obras originais.

    @ Milena, deixe de ser ignorante e vá arrumar um namorado. Só a falta de sexo justifica um comentário desiquilibrado como o seu.

    Abs, Lucas!

  9. ieda paloma pimentel Says:

    um filme maravilhoso para o estudo comportamental das pessoas ajudando principalmenteo estudo em psicologia. Sou estudante do mesmo e aprendi demais , o melhor filme que eu ja vi mostra explicitamenta como as coisas ocorria e em alguns lugares ainda ocorrem.Mas nada e tao bom ou tao ruim depende do ponto de vista do observador em questao.

  10. Muito bom o texto,curti.
    Mas não ficou melhor que o filme….XD
    Filme muito bom,pensando na epoca que foi feito,é o melhor.
    Mas gosto de comparalo a Clube da Luta,em relação as relfexoes dadas.
    Laranja Mecanica.

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