| Para Roma, com Amor | Woody Allen ataca de pizzaiolo


Jesse Eisenberg e Ellen Page no melhor segmento do filme
Após uma grande quantidade de filmes abientados em Nova York, Woody Allen continua instalado na Europa. Depois do magnífico Meia-Noite em Paris no ano passado (que, confesso, foi o catalisador do meu interesse no cineasta), Allen ataca a capital italiana em Para Roma, com Amor, uma divertida coleção de histórias bem-humoradas.
Apesar de nunca se cruzarem, o desenrolar acontece de forma intrincada, característica narrativa que mostra-se tanto um pró como um contra do longa. Com apenas 102 minutos de projeção, a verdade é que com tantas reviravoltas e situações, o tempo parece passar mais devagar, ainda que a montagem do filme equilibre os momentos eficientemente e crie um bom ritmo.
A melhor das quatro tramas (ou pelo menos a que mais me chamou atenção) é a que traz o bem-sucedido arquiteto John (Alec Baldwin). Em uma inteligente parábola com o fato de Roma apresentar ruínas, o personagem resolve explorar suas próprias “ruínas” ao revisitar um antigo relacionamento, onde ganha as feições de Jesse Eisenberg e dialoga constantemente com sua versão jovem. Apaixonado pela melhor amiga de sua namorada (a ótima Ellen Page, que exala narcisismo a cada segundo), Eisenberg e Baldwin geram um estudo estimulante e roubam o filme.
Há também o retorno de Woody Allen à atuação, no mais engraçado segmento da trama. Aqui, um casal viaja a Roma para conhecer o noivo de sua filha e o personagem de Allen se surpreende ao descobrir que seu sogro é um impecável cantor de ópera, mas com um detalhe: apenas no chuveiro. Além de proporcionar muitas risadas (vide a solução absurda encontrada no clímax), traz o diretor/roteirista praticamente conversando com a plateia, afirmando que “a aposentadoria é o mesmo que a morte” e como estava “à frente de seu tempo” em diálogos bem construídos e irônicos (acontece que o sujeito que promete trazê-lo de volta ao trabalho é funcionário de uma funerária).
As outras duas não se mostram tão estimulantes como as descritas acima, mas trazem conceitos interessantes. Nesse quesito, a protagonizada por Roberto Benigni é a que se encaixa melhor, ao retratar um homem comum que transforma-se em uma celebridade do dia-pra-noite, sem um motivo aparente (“Você é famoso por ser famoso). Um ótimo cenário para que o roteiro de Allen critique e satirize as ações (e pessoas) estúpidas que vão ganhando fama diariamente. Por último e menos importante, a estonteante Penelope Cruz é o que faz valer o segmento que traz um casal certinho enfrentando testes de fidelidade e impulsos.
Para Roma, com Amor é bem melhor do que eu esperava e oferece uma das atrações mais divertidas do ano. O trocadilho é horrível, mas não resistirei: é uma pizza de variados sabores (comédia, romance, crítica social, o sentimento da nostalgia), que, ao fim, nos faz querer repetir o prato.
1 de julho de 2012 às 15:03
Excelente crítica, to bastante ansioso para ver esse novo do Allen
13 de julho de 2012 às 21:21
Eu tava em Roma qdo este filme estava sendo rodado!!! Emoção demais!!!!