| O Espetacular Homem-Aranha | O que surpreende é a humanidade, não o espetáculo

3.0


Casal 20: O Peter Parker de Andrew Garfield e a Gwen Stacy de Emma Stone são o que o filme tem de melhor

Sejamos honestos, é muito cedo para um reboot do Homem-Aranha. Divertida e bem executada, a trilogia iniciada por Sam Raimi em 2002 – e completada cinco anos depois – trouxe o melhor para o personagem e certamente aproveitou o material ao máximo, sendo um dos filmes definitivos para o gênero de super-heróis. Eis que desavenças criativas e ambições financeiras nos trazem a este O Espetacular Homem-Aranha, um recomeço “parecido, mas diferente”.

A trama nos leva de volta aos eventos do primeiro filme (sendo esta uma de suas principais falhas, já que leva a uma inevitável comparação com os filmes de Raimi), mas dessa vez acrescentando um mistério inédito no cinema até então: os pais de Peter Parker (Andrew Garfield), que o abandonam quando este ainda é uma criança. Obcecado em descobrir a verdade, Parker embarca em uma caçada que o leva até os laboratórios da Oscorp, onde se envolve em um programa de cruzamento genético de espécies, que dará origem aos seus poderes de Homem-Aranha e também ao monstruoso Lagarto (Rhys Ifans).

Não quero passar esta crítica comparando o Homem-Aranha de Sam Raimi com o Espetacular de Marc Webb (que até então, só trazia (500) Dias com Ela no currículo), já que mesmo que com tramas similares o tom de cada filme é completamente diferente; sendo este voltado à uma abordagem mais “realista” – o que de forma alguma o torna superior ao longa de 2002. Novamente, o roteiro assinado por James Vanderbilt, Alvin Sargent e Steve Kloves não vê problema em gastar uma considerável quantia de tempo ao recontar uma história que todos já conhecem (a sensação de “já vi isso, e melhor” aparece em diversos momentos, especialmente na artificial e fria cena em que um personagem querido morre), e ainda que traga elementos descartáveis (como o passado dos pais de Peter, nunca explicado com clareza), merecem créditos as mudanças feitas nos protagonistas.

Peter Parker surge aqui como um tipo de nerd muito diferente: anda de skate, escuta música, é bagunceiro e até meio revoltado. E realmente, capturou bem a aura do que é um jovem do século 21 (sem querer generalizar, óbvio) e a ótima performance de Andrew Garfield reforça com eficiência essa ideia; confesso que em muitos momentos (principalmente os de rebeldia e o nervosismo ao evitar explicações sobre seus constantes ferimentos), esse Parker me lembrou o Holden Caulfield do indispensável O Apanhador no Campo de Centeio, de J.D. Salinger. Além de sustentar sozinho a responsabilidade do mais humano dos super-heróis (o que ele faz enquanto o vilão não aparece? Se distrai com joguinhos no celular, genial), o ator demonstra uma química incrível com a linda e carismática Emma Stone, intérprete de Gwen Stacy (não, a Mary Jane só vem depois!) e juntos rendem os melhores momentos do filme.

No quesito espetáculo, O Espetacular Homem-Aranha se sai bem burocrático. As cenas de ação (que trazem uso excessivo de efeitos visuais um tanto dissonantes) convencem mas não empolgam tanto quanto os diálogos entre Peter e Gwen. O diretor Marc Webb até estimula com algumas câmeras em primeira pessoa – que ficam ainda melhor com o bom uso de 3D da fita – e promete atingir o épico absoluto em uma sequência que traz o herói sendo auxiliado por guindastes enquanto se direciona para o confronto final (onde James Horner traz ecos de Titanic em suas composições musicais) mas decepciona ao trazer uma pancadaria mediana com o Lagarto.

O Espetacular Homem-Aranha não faz juz ao título, mas chega consideravelmente perto e garante entretenimento genuíno. O que surpreende mesmo é o cuidado com a humanidade de seus personagens, que chega a ser maior do que a de apresentar o Homem-Aranha como um super-herói popular e adorado. Uma sequência promete ser, realmente, espetacular.

Obs: Há uma cena adicional durante os créditos.

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5 Respostas to “| O Espetacular Homem-Aranha | O que surpreende é a humanidade, não o espetáculo”

  1. A eu até que gostei do espetacular homem aranha mas eu acho que deveria ter um pouco mais de ação por exemplo na luta dele com o lagarto .
    Uma pergunta o filme irá ser fiel ao quadrinho , por exemplo a Gwen terá de morrer para o Peter conhecer a Mary Jane então Peter conhece Mary Jane??
    Mas fora isso o filme foi bom esta explicando explicando mais do que o 1º filme de Raimi.

  2. Cara,em o Espetacular Homem-Aranha 2,qndo for lançado em 2014,ouvi boatos de que seja o Electro o próximo vilão…acho até daoraaa,mas tenho fé de q o próximo vilão seja o Venom,ou até mesmo Carnage…esses dois são clássicos,é praticamente obrigatóro tem pelo menos o Venom em o Espetacular Homem-Aranha nos próximos filmes! … eu achava,sinceramente que a trilogia passada iria ter Homem-Aranha 4 e que o próximo vilão seria Carnage,mas no fim,não teve continuação!

  3. […] desenvolvimento de Clark sem se limitar a refazer o original de 1978 (como foi o grande problema de O Espetacular Homem-Aranha, prejudicado pelas gritantes semelhanças com a trilogia de Sam Raimi) e ao posicionar cada volta […]

  4. […] de uma trilogia bem sucedida e um reboot irregular, chegamos a este O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro, nova investida da Sony em seu […]

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