Análise Blu-ray | X-MEN: DIAS DE UM FUTURO ESQUECIDO – Edição de Colecionador

Posted in Análise Blu-ray with tags , , , , , , , , , , , , , , , , on 10 de outubro de 2014 by Lucas Nascimento

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O Filme

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Um dos melhores filmes de 2014 até o momento, X-Men: Dias de um Futuro Esquecido é certamente uma das produções de quadrinhos mais megalomaníacas já lançadas até hoje. Traz viagem no tempo para juntar a trilogia original dos mutantes com o elenco de X-Men: Primeira Classe, e o resultado é um épico de ação equilibrado e que impressiona pelo cuidado e tempo dedicado a trabalhar o lado dramático/emocional de seus personagens coloridos, ao mesmo tempo em que diverte e entretém. Filmaço. Crítica

Cenas Excluídas

3.0

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Muito se falou sobre a diminuição da Vampira de Anna Paquin em Dias de um Futuro Esquecido. A notícia ruim é que o blu-ray não traz nenhum material relacionado à mutante, mas a notícia boa é que a Fox já anunciou uma versão estendida do filme para o ano que vem, que trará mais cenas da personagem. Já o material apresentado aqui é bem pobre, rendendo míseros 5 minutos de cenas inéditas e nenhuma delas é verdadeiramente interessante. Tem beijo do Wolverine e Tempestade, uma conclusão mais explicitada para Bolívar Trask e algumas tomadas alternativas.

Sequência da Cozinha

4.0

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Se você achou que tinha algo a ver com a fantástica cena protagonizada pelo Mercúrio no filme, enganou-se. Aqui é meio que um divertido fun fact, onde o diretor Bryan Singer explica que, devido a problemas de úlcera, adotou uma voz fina e irritante para dirigir uma cena do filme. Jennifer Lawrence cai na risada e a cena acaba fora do corte final, podendo ser conferida no próprio extra. A cena em questão traz Mística conversando com Xavier, Fera e Wolverine na cozinha da Mansão X.

Erros de Gravação

4.5

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Certamente o elemento mais divertido do blu-ray, a montagem de erros de gravação é excelente. Já havia caído na internet há algumas semanas, mas vale conferir novamente momentos como os tropeços, cadeiras de roda danificadas e os duelos de James McAvoy contra um mosquito que insiste em voar ao redor de sua cabeça.

Tomada Dupla: Xavier & Magneto

4.0

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O primeiro extra especificamente sobre o filme é centrado na relação entre Charles Xavier e Magneto. Mais precisamente, como os personagens mudaram no intervalo de tempo entre Primeira Classe e Dias de um Futuro Esquecido. O roteirista Simon Kinberg tem um destaque especial ao mergulhar mais fundo nas respectivas histórias, mas temos ainda entrevistas com James McAvoy e Michael Fassbender, que comentam sobre suas performances e o quão importante foi honrar o trabalho de Patrick Stewart e Ian McKellen – especialmente o Professor X, já que Kinberg afirma que o novo filme é especialmente sobre o telepata (enquanto Primeira Classe fora sobre o Mestre do Magnetismo).

X-Men: Reunidos

4.0

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Aqui, o foco fica na reunião do elenco da trilogia X-Men original, que traz de volta Hugh Jackman, Halle Berry, Ellen Page, Shawn Ashmore, Patrick Stewart e Ian McKellen para seus icônicos papéis. Bryan Singer e os intépretes comentam o clima de camaradagem, a diversão e a interação com o novo elenco liderado por McAvoy, Fassbender e Jennifer Lawrence.

Classificação: M

4.5

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Talvez o grande ápice do disco, o extra explica um pouco mais sobre os principais novos mutantes de Dias de um Futuro Esquecido. O Bishop de Omar Sy, Apache de Booboo Stewart, Blink de Fan Bingbing, Mancha Solar de Adan Canto e, claro, o Mercúrio de Evan Peters têm seus poderes e histórias detalhados, assim como entrevistas com técnicos de efeitos visuais e sonoplastas sobre a lógica visual de seus poderes. O making of da já famosa cena do Mercúrio em tempo congelado no Pentágono é um dos destaques.

Sentinelas: Para um Futuro Seguro

4.0

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Na mesma estrutura dos featurettes anteriores, só que concentrando-se nas Sentinelas. Em cerca de 10 minutos, conhecemos o processo de criação dos temíveis robôs exterminadores do filme, assim como a lógica de sua funcionalidade (a troca de poderes, por exemplo) e o trabalho da equipe de efeitos visuais e som para adaptá-los ao live action de forma respeitável e assustadora.

Galeria: As Indústrias Trask

3.0

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Aqui, temos algumas galerias com material complementar ao filme. Projetos das primeiras Sentinelas, autópsia de mutantes e outros documentos. Divertidinho, mas nada extraordinário.

Trailers

3.5

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Bem, são trailers. Traz os três principais exibidos no circuito comercial.

Espiadinha em Êxodo: Deuses e Reis

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Promovendo um de seus grandes lançamentos de 2014, a Fox traz um videozinho de 1 minuto de Êxodo: Deuses e Reis, grandioso filme de Ridley Scott que traz Christian Bale na pele de Moisés. Dá pra observar como a escala da produção é gigantesca…

Nota Geral: 3.5

A edição de colecionador de X-Men: Dias de um Futuro Esquecido traz uma bela embalagem e uma qualidade de apresentação invejável, incluindo aí o ótimo uso de 3D do filme. Peca nos extras, que poderiam ser mais aprofundados: um comentário em áudio com Bryan Singer ou detalhes sobre a recriação da década de 70 seriam interessantes. Mas enfim, vale para ter o ótimo filme em casa.

Preço: R$ 99,90

| Annabelle | Crítica

Posted in Cinema, Críticas de 2014, Terror with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , on 10 de outubro de 2014 by Lucas Nascimento

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Annabelle
A infame boneca Annabelle

Dirigido com uma inteligência e estilo inexistente nas produções recentes do gênero, Invocação do Mal foi uma maravilhosa (e tenebrosa) surpresa no ano passado, sobressaindo-se por sua capacidade de dar medo, e não apenas se limitar aos sustos baratos. Quando Annabelle, derivado de um dos elementos do longa de James Wan foi anunciado, fiquei com medo de não ter medo do resultado. E no fim, mesmo que traga seus méritos, é mais do mesmo.

A trama é ambientada 1 ano antes dos acontecimentos principais de Invocação do Mal, apresentando-nos ao casal Mia (Annabelle Wallis, sério) e John (Ward Horton), que aguardam ansiosamente pela chegada de seu primeiro filho. Para comemorar a ocasião, John presenteia Mia com uma rara boneca de porcelana de coleção. Certa noite, o casal é atacado por dois membros de um culto satânico, transformando a tal boneca em um hospedeiro de algo maligno.

Sai James Wan (ocupado com a direção do sétimo Velozes e Furiosos), entra seu diretor de fotografia preferido: John R. Leonetti. Nessa função, Leonetti é mais do que eficiente, tendo sido responsável pela fotografia de Sobrenatural e do próprio Invocação do Mal, mas como diretor, ele é o cara que fez Efeito Borboleta 2. O currículo não inspira confiança, mas fico feliz em ver que Leonetti aprendeu bem com Wan como movimentar a câmera a serviço do suspense: temos planos sequências e tomadas longas inspiradas que passeiam por dentro de cômodos (ora revelando elementos assustadores sutilmente), além de enquadramentos malucos que fornecem um dinamismo quase expressionista ao filme.

Os sustos funcionam, mas isso porque a equipe de efeitos sonoros abraça todos os clichês que o gênero vem trazendo (ver o recente A Marca do Medo), e o máximo que é alcançado aqui é um certo desconforto – enquanto Invocação era uma pesadíssima atmosfera de pavor. Aqui, Leonetti se diverte ao tomar diversas referências do clássico O Bebê de Rosemary, seja na própria temática da maternidade ou em aparições de figuras demoníacas perturbadoras. A imagem da própria boneca Annabelle também é aproveitada, especialmente em uma cena-chave que certamente ficará na cabeça de todo mundo após o término da sessão.

O que realmente estraga Annabelle são dois elementos cruciais: o roteiro e seu elenco. O primeiro é assinado por Gary Dauberman, e ao dar uma breve averiguada em sua página do IMDb, encontrei pérolas como Aranhas Assassinas e um filme que traz como ameaça um grupo de chimpanzés canibais. Brilhantismo não será encontrado aqui, mas Dauberman traz soluções tão absurdas, diálogos completamente anacrônicos (estamos nos anos 70, poxa) e é previsível do início ao fim. Só merece méritos por trazer referências à notória organização de Charles Manson, o que já traz certa verossimilhança à trama.

Se Patrick Wilson e Vera Farmiga já eram interessantes meramente pela química em cena em Invocação do Mal, o casal aqui jamais convence.O único motivo para que a estreante Annabelle Wallis tenha sido escalada seria a ironia dos produtores com seu primeiro nome, já que a atriz não se mostra nem boa de grito, e muito menos como uma mãe protetora. O marido de Ward Horton é inexpressivo e caricato, mas aponto o dedo para Alfre Woodard, em uma performance completamente desligada e incapaz até mesmo de chegar no nível “estereótipo”, na pele de uma vendedora que revela-se mais importante do que o esperado. É.

Pessoalmente, esperava bem menos de Annabelle. É clichê e sem graça durante boa parte de sua projeção, mas acerta na condução do suspense e certamente irá arrancar diversos sustos da audiência. Poderia ser mais, claro.

HOMEM DE FERRO 4 vai acontecer [ATUALIZADO]

Posted in Notícias with tags , , , , , , , , on 7 de outubro de 2014 by Lucas Nascimento

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Viajando os EUA para a divulgação de seu novo filme, O Juiz, Robert Downey Jr parou pra falar no programa da Ellen Degeneres e foi logo encurralado com perguntas sobre um possível Homem de Ferro 4. O ator tentou desconversar ao dizer que a Marvel Studios tem vários projetos em andamento, etc, mas acabou soltando que Tony Stark vai sim retornar em mais um filme solo.

Sinceramente, não contava com mais um filme do Vingador Dourado, muito menos após o irregular terceiro filme. Prefiro ver o estúdio apostando em novos personagens, mas veremos o que vai sair disso…

Seu próximo encontro com Tony Stark acontece em 30 de Abril de 2015, com Os Vingadores 2: A Era de Ultron.

ATUALIZAÇÃO: Em entrevista no programa de David Letterman, Downey Jr negou a produção do filme. No entanto, confirmou que permanecerá envolvido com a Marvel Studios para projetos a serem divulgados.

 

Primeiro trailer de AMERICAN SNIPER

Posted in Trailers with tags , , , , , , on 2 de outubro de 2014 by Lucas Nascimento

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Antes um projeto de Steven Spielberg, American Sniper acabou assumido por Clint Eastwood e traz Bradley Cooper na pele de  Chris Kyle, um habilidoso atirador de sniper do exército americano. O trailer acaba de sair, e impressiona por sua intensidade. Confira:

American Sniper estreia nos EUA em 16 de Janeiro de 2015.

A data indica que o filme deve passar longe de premiações.

Top 10 David Fincher

Posted in Especiais with tags , , , , , , , , , , , , , on 1 de outubro de 2014 by Lucas Nascimento

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A estreia de Garota Exemplar nesta semana marca a chegada do 10º filme de David Fincher. Já que todo mundo inventou de rankear os filmes do diretor, deixo aqui meu top 10 pessoal de Fincher. Confira!

10. Alien³

3.0

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Óbvio. A estreia de Fincher na direção foi marcada por polêmicas e desacordos com o estúdio. O longa continua a saga iniciada por Ridley Scott, apresentando uma trama interessante, mas mal executada e sem muito sentido (os erros de continuidade, terríveis) , fruto de uma produção conturbada. No entanto, possui um visual estimulante e algumas boas ideias.

9. Vidas em Jogo

3.5

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Trazendo Michael Douglas em uma performance intensa, o filme é um pesado suspense que brinca com o espectador do inicío ao fim. A trama gira em torno de um homem de negócios que tem sua vida infernizada por um misterioso jogo que parece vigiá-lo e tentar matá-lo a todo custo. O tom do filme é tenso e bem executado, mas apresenta um final decepcionante.

8. Quarto do Pânico

3.5

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Basicamente, um bom exercício visual para Fincher. Aprimorou técnicas de direção, alcançando resultados mais dinâmicos, mas não supreendeu muito no roteiro que, com a excelente premissa de trazer uma mãe e filha presas em um quarto de segurança enquanto ladrões vasculham seu lar, mostra-se inverossímil em alguns momentos. Jodie Foster segura o filme da melhor maneira possível.

7. O Curioso Caso de Benjamin Button

4.0

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Com grande influência de Forrest Gump (o roteiro é de Eric Roth, o mesmo do filme com Tom Hanks) o conto fantasioso sobre um homem que nasce de trás para frente é o trabalho mais fantasioso do cineasta. De qualquer forma, permanece uma bela obra, visualmente deslumbrante e mostra que Brad Pitt sempre se sai melhor com David Fincher (com exceção de Queime depois de Ler, que eu considero seu melhor papel).

6. Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres

4.5

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Adaptando com maestria o primeiro capítulo da trilogia literária de Stieg Larsson, David Fincher reúne aqui muitas características de seus trabalhos anteriores em uma sombria trama que traz serial killers, estupradores e empresários corruptos como antagonistas. Ainda que o visual e a montagem do filme sejam impecáveis, o destaque fica mesmo para a inebriante performance de Rooney Mara como Lisbeth Salander. Crítica

5. Garota Exemplar

5.0

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Com o lançamento nessa semana, já encontrei um lugar para Garota Exemplar na lista (e permanecerá aqui, pelo menos até minha segunda visita). É mais um thriller bem construído e inteligente, dessa vez contando com apoio de um roteiro repleto de reviravoltas marcantes, um comentário social e jornalístico pesadíssimo e um inesperado humor negro que permeia toda a projeção. Uma adaptação fiel e que traz um ótimo elenco, encabeçado por Ben Affleck e a revelação Rosamund Pike. Crítica

4. Clube da Luta

5.0

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Um dos filmes mais icônicos da década de 90, é também o mais notório da carreira de Fincher. Brad Pitt e Edward Norton arrasam em seus papeis e fazem um jogo psicológico-anárquico impressionante ao ilustrar a crise existencialista de um estranho, que inicia uma espécie de clube onde homens reúnem-se para trocar porradas e “viver a vida”. Acho hilário quando usam a definição de que o filme é uma comédia romântica…

3. Zodíaco

5.0

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Mostrando mais uma vez sua especial habilidade em thrillers de serial killers, Fincher acerta na investigação real do Zodíaco; um notório assassino que nunca foi preso ou localizado. Fotografia sombria, atuações eficientes do elenco (com destaque para Jake Gyllenhaal, Mark Rufallo e Robert Downey Jr.) e um clima tenso e amedrontador de que o culpado pode estar em qualquer lugar. Também é um tapa na cara daqueles que esperam um filme de gênero convencional, o que nos leva ao número 2 da lista…

2. Se7en – Os Sete Crimes Capitais

5.0

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Na minha opinião, o melhor filme com a temática de serial killers já feito. Perturbador e envolvente, o thriller policial mostrou o talento de Fincher em comandar investigações e criar um denso clima de suspense. A dupla principal, formada por Brad Pitt e Morgan Freeman, tem um carisma e química genuíno e é interessante observar como a relação entre os dois vai crescendo a passo que caçam um perigoso serial killer que mata com inspirações nos sete pecados capitais. Kevin Spacey tem pouco tempo em cena, mas é inesquecível – assim como seu tenebroso clímax.

1. A Rede Social

5.0

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Daqui a uns 40 anos, vamos estar olhando para A Rede Social e percebendo que este é um clássico definidor de gerações. Alguns podem dizer que é o filme menos David Fincher de sua carreira, mas não estariam prestando atenção nos maravilhosos 120 minutos que contam a origem do Facebook e seu fundador antissocial, Mark Zuckerberg. Dominado por diálogos, diálogos e mais diálogos, o longa ganha ritmo graças à direção firme do diretor e a assombrosa trilha sonora vinda de Trent Reznor e Atticus Ross. Perfeito em cada setor, não vejo nenhum absurdo quando se referem ao filme como o Cidadão Kane de nossos temas (em temática, não inovação narrativa, diga-se de passagem). Crítica

E aí, qual o seu?

Confira o último trailer de INTERESTELAR

Posted in Trailers with tags , , , , , , on 1 de outubro de 2014 by Lucas Nascimento

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Pelo menos eu espero que seja o último! Como se não já estivessemos empolgados o bastantes para Interestelar, a ficção científica de Christopher Nolan, a Warner lança agora mais um trailer do filme, repleto de cenas inéditas.

Traz também aquilo que acredito ser as primeiras composições de Hans Zimmer para o longa.

Confira:

Interestelar estreia em 6 de Novembro no Brasil.

| Garota Exemplar | Crítica

Posted in Críticas de 2014, Drama, Suspense with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 30 de setembro de 2014 by Lucas Nascimento

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Casamento em pedaços

Quando David Fincher faz um suspense, sinto que estou prestes a ver um chef italiano em uma trattoria, um profissional hábil em seu ambiente mais familiar. Seria mais fácil definir quais filmes do diretor não são representantes do gênero, e estaria me referindo a O Curioso Caso de Benjamin Button e A Rede Social. Com Garota Exemplar, Fincher embarca mais uma vez em sua zona de conforto, e caramba… O cara nunca esteve tão à vontade.

Gillian Flynn adapta seu próprio romance na trama que se concentra no casal Nick (Ben Affleck) e Amy Dunne (Rosamund Pike). Com o casamento desgastado, a situação se complica quando Amy desaparece subitamente, iniciando uma investigação que coloca seu marido como principal suspeito; ainda que ele insista em sua inocência e tente resolver por si próprio o mistério.

Acho fascinante como Fincher, mesmo atuando diversas vezes no mesmo genêro é capaz de abordar diferentes temas – e de diferentes formas – em suas incursões. Seven – Os Sete Crimes Capitais era puramente sobre a abominação na Terra, Zodíaco se dedicava a analisar a obsessão de um homem por respostas e seu Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres era uma mistureba que trazia temas como credibilidade jornalística e os abusos da mulher na Suécia. Garota Exemplar é uma maravilhosa experiência que se concentra nas hipocrisias do circo midiático e os problemas de um casamento, e o que surpreende é como Fincher e Flynn permeiam a história com um inesperado senso de humor negro e cínico: convenções quanto a formulaica história do “Boy Meets Girl, Boy Loses Girl” são quebradas de forma assombrosa, levando a uma conclusão amarga e da qual é impossível não soltar uma risadinha maliciosa. Até uma gag visual e metalinguística em especial diverte, quando a polícia encontra a “primeira pista”.

Mas há muito mais sob as aparências. Vou ser bem cuidadoso para não revelar spoilers, contentando-me a dizer que o roteiro começa a surpreender à medida em que vamos aprendendo melhor sobre quem é Amy Dunne, e quais os motivos que levaram à sua situação nebulosa. Para isso, o montador Kirk Baxter (aqui, sem o habitual parceiro Angus Wall) equilibra com maestria os flashbacks que nos colocam dentro do diário de Amy, onde esta compartilha não só o início de sua relação com Nick, mas também dos problemas. Baxter é genial ao apostar em cortes sutis e irônicos, como o beijo do casal que é logo interrompido para uma cena em que a polícia colhe uma amostra de DNA da boca de Nick e também seu uso de fades to black para pontuar as transições temporais e as situações mais intensas. E já que falei em pontuar, Trent Reznor e Atticus Ross novamente oferecem uma trilha sonora sombria e distorcida, facilmente criando uma atmosfera pesada.

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Rosamund Pike: sua hora de brilhar

Mas quando falamos de Amy, precisamos falar de Rosamund Pike. O nome é desconhecido para a maioria, mas certamente em algum momento vocês já a viram por aí em papéis menores (vilã em 007: Um Novo Dia Para Morrer, advogada em Jack Reacher: O Último Tiro e recentemente a ex-namorada de Simon Pegg em Heróis de Ressaca). Com sua performance em Garota Exemplar, Pike merece explodir no circuito comercial e também em futuras premiações. Sua Amy é um ser complexo e difícil de se entender, praticamente uma representação carnal do enigma da esfinge egípcia: decifra-me ou te devoro, literalmente. Pike é talentosa em sua atuação cheia de nuances e transformações, juntando-se a Rooney Mara e Jodie Foster como uma das mulheres mais fortes da filmografia de Fincher – ainda que a personagem de Pike penda para um grau de psicopatia.

Aliás, o longa certamente é capaz de despertar debates interessantes, especialmente entre casais, sobre as decisões tomadas pelos personagens. Ben Affleck se sai muito bem no “lado masculino” da discussão, criando um Nick que é muitas vezes burro ingênuo demais, mas também capaz de esconder segredos do público. Fincher sempre incita a dúvida quanto a real posição de Nick na situação, e é delicado ao retratar as mudanças de atitude da polícia (representado pela ótima Kim Dickens) em relação a este. Temos neste universo rico – e lindamente fotografado por Jeff Cronenweth – diversos personagens carismáticos, incluindo o advogado Tanner Bolt (Tyler Perry, casting perfeito), a irmã Margo (Carrie Coon, divertida e leal) e o misterioso Desi Collings (Neil Patrick Harris), cuja construção é repleta de influências hitchcockianas, especialmente a obsessão por loiras vista em Um Corpo que Cai.

Garota Exemplar é um filme poderoso e surpreendente, seja por suas reviravoltas imprevisíveis ou pelo humor negro que adota para retratar temas e situações relevantes no momento – sendo a instituição casamento seu principal alvo. Um dos melhores do ano e também da filmografia do sr. David Fincher.

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