A Franquia do PLANETA DOS MACACOS

Posted in Especiais with tags , , , , , , , , , , , , , , on 18 de julho de 2014 by Lucas Nascimento

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Com a estreia de Planeta dos Macacos: O Confronto na semana que vem (já estão sendo exibidas algumas pré-estreias), pela primeira vez parei para assistir a todos os filmes da franquia da Fox, que desde 1968 vem surpreendendo. Confira:

O Planeta dos Macacos (1968)

4.0

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Baseado na obra de Pierre Boulle, O Planeta dos Macacos transformou-se em um dos maiores clássicos da ficção científica pelas mãos do diretor Franklin J. Schaffner. Com a história sombria de um grupo de astronautas que se encontra em um misterioso planeta dominado por macacos, a trama se desenrola com eficiência para uma das maiores e mais icônicas reviravoltas da História do Cinema. Vale lembrar também dos incríveis bordões de Charlton Heston e do revolucionário trabalho de maquiagem de John Chambers.

De Volta ao Planeta dos Macacos (1970)

2.0

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Seguir a conclusão arrasadora do original não é tarefa fácil, e não é de se admirar que a primeira da série de continuações falhe miseravelmente. O filme de Ted Post tenta recriar visualmente diversos aspectos do anterior, desde o protagonista humano que vai aprendendo sobre a comunidade símia até os cenários americanos devastados. Merece créditos por oferecer um rumo completamente inesperado com a comunidade de seres radioativos que cultua um míssil (em uma metáfora interessante da tensão atômica da Guerra Fria), mas o resultado é bem esquecível.

Fuga do Planeta dos Macacos (1971)

4.0

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Mostrando ainda mais ousadia, a franquia agora inventa de brincar com viagem no tempo. E o resultado é surpreendentemente uma das melhores adições da série, já que agora pode mostrar como se deu o processo de dominância mundial dos macacos; e na tradição das melhores obras do gênero, que foi invariavelmente causado pela própria viagem no tempo. Tem um excelente roteiro permeado por questões sociais, e uma conclusão brutal e corajosa.

A Conquista do Planeta dos Macacos (1972)

3.0

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Ligeira fonte de inspiração para o reboot de 2011, o quarto filme revela quando de fato os macacos iniciam o processo de revolução. Tem ainda mais subtexto político do que o anterior, buscando agora um esperto paralelo com a escravidão dos negros, mas carece do impacto. É um bom filme, mas não traz a inteligência visual nem o senso de surpresa que os outros trazem, ficando apenas acima da média.

A Batalha do Planeta dos Macacos (1973)

2.5

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Último filme da franquia original, percebe-se como a fórmula estava fraca. A história, que mostra o grupo símio de César lidando com rebeliões militares e a ameaça de um grupo de mutantes humanos, não empolga. É provavelmente o roteiro mais fraco e sem grandes ambições da série (mesmo ruim, o segundo filme ao menos se arriscava), que só encontra nas medianas cenas de batalha um atrativo.

Planeta dos Macacos (2001)

2.5

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O infame remake de Tim Burton para o clássico de 1968. Pessoalmente, não achei o monstro tão feio como o a maioria, apesar de não faltarem alguns momentos ridículos e diversos elementos incongruentes. O filme acerta pelo visual, contando com o inacreditável trabalho de maquiagem do mestre Rick Baker, que cria macacos e gorilas expressivos. Dou créditos também à coragem de oferecer um final ainda mais enigmático do que o original, mas perde por não fazer tanto sentido.

Planeta dos Macacos: A Origem (2011)

4.0

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Uma das grandes surpresas de 2011 e inegavelmente um dos reboots mais bem-sucedidos de todos os tempos. O filme de Rupert Wyatt ignora a cronologia original, ainda que deixe as devidas homenagens visuais e dê pistas sobre o futuro, que certamente levará à dominação planetária dos símios. A tecnologia de captura de performance funciona e Andy Serkis dá mais um show como o macaco César, mas o que realmente surpreende é a humanidade com que é tratada a trama – graças à relação entre o protagonista e seu pai adotivo, vivido por James Franco.

Bem, já assisti ao novo filme e publicarei a crítica ainda hoje. Até lá!

Fiquem aí com uma menção honrosa genial:

Confira o primeiro trailer de ANNABELLE

Posted in Trailers with tags , , , , , , , , on 17 de julho de 2014 by Lucas Nascimento

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Um dos melhores filmes de terror dos últimos anos, Invocação do Mal foi um sucesso de público e crítica. Claro que isso coloca o filme de James Wan na necessidade gerar continuações, e um dos projetos relacionados é Annabelle, um derivado que se concentra na sinistra boneca que aparece brevemente no filme. Wan não voltou para dirigir, mas permanece como produtor, cedendo o cargo principal para o diretor de fotografia John R. Leonetti.

Confira o primeiro trailer:

Annabelle estreia em 3 de Outubro nos EUA. No Brasil, na semana seguinte, no dia 9.

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Universal vai criar um universo cinematográfico de Monstros

Posted in Notícias with tags , , , , , , , , , , , , , , , on 17 de julho de 2014 by Lucas Nascimento

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A Marvel Studios começou em 2008 o seu próprio Universo Cinematográfico de super-heróis, começando com Homem de Ferro até chegar em Os Vingadores, e agora muitos outros. A DC Comics tentou com Lanterna Verde em 2011, mas fracassou, e depois conseguiu com O Homem de Aço uma forma de construir seu universo da Liga da Justiça. Até a Sony insiste em fazer um do Homem-Aranha, com o reboot Espetacular rendendo derivados de Venom e do Sexteto Sinistro.

Agora, é a vez da Universal. Mas se engana quem pensa que é a primeira vez, já que o estúdio fazia isso muito antes da Marvel engatinhar. Na década de 30, o estúdio prosperava com longas do Conde Drácula, Frakenstein, Lobisomem, Múmia, Homem-Invisível e até o Fantasma da Ópera, e muitas vezes ganhávamos crossovers entre eles (aliás, confira o sensacional box em blu-ray que o estúdio lançou).

Pois agora, com o sucesso da Marvel, o estúdio aposta em Chris Morgan (Velozes e Furiosos 3, 4, 5, 6 e 7) e Alex Kurtzman (Star Trek, O Espetacular Homem-Aranha 2) para dar vida nova aos icônicos monstros, começando com o reboot de A Múmia que acontecerá em 2016.

A questão é: como fazer funcionar? Qual a abordagem certa? Teríamos um tom dark e de terror ou uma reinvenção retardada como a vista em Frankenstein: Entre Anjos e Demônios? Eu torço para a primeira opção, não acho que a ação funciona com esse tipo de personagem.

Bom, se tudo der errado sempre teremos os filmes originais e mais temporadas de Penny Dreadful.

| Transformers: A Era da Extinção | Crítica

Posted in Ação, Aventura, Cinema, Críticas de 2014 with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 16 de julho de 2014 by Lucas Nascimento

1.5

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Calma, tem Jurassic Park ano que vem…

Juro que eu nem sei por onde começar.

Por uma série de motivos pessoais, não consumo nenhum tipo de substância intorpecente, seja álcool, ervas ou qualquer outro variante. Mas quando Optimus Prime surge cavalgando um dinossauro metálico cuspidor de fogo em Transformers: A Era da Extinção, eu desejei que pudesse magicamente ficar chapado. É a única maneira de suportar essa pérola do mestre Michael Bay.

A… Trama é novamente roteirizada por Ehren Kruger (responsável pelos dois últimos filmes da franquia), e traz a Humanidade se voltando contra todos os Transformers – Decepticons e Autobots – dadas as consequências da batalha de Chicago, que detonou toda a cidade e incontáveis vidas humanas em O Lado Oculto da Lua. Nesse cenário de caçadas, encontramos o inventor Cade Yaeger (Mark Wahlberg), que é surpreendido ao descobrir que o caminhão velho que adquiriu é na verdade o líder dos Autobots, Optimus Prime. A descoberta coloca ele, sua família e os robôns na mira da CIA, e também de um misterioso caçador de recompensas intergaláctico.

Isso é só o básico, porque la na metade de seus intermináveis 164 MINUTOS, Kruger continua enfiando mais e mais personagens, o que acaba gerando a aparição de novos antagonistas e – por consequência – batalhas e clímaxes atrás do outro, em um verdadeiro massacre que só o Sr. Bay é capaz de promover. Temos lá as corridas com explosões ao fundo, beijos em contra luz, pôr do sol o tempo todo, câmera lenta para capturar as embaraçosas caras de espanto do elenco e seu icônico plano contra plongé para retratar algum personagem saindo de um carro (e ele realmente vai fundo dessa vez, usando o movimento de câmera inúmeras vezes). Toda a escala da produção realmente impressiona, o que me faz pensar da onde o estúdio conseguiria tanto dinheiro para bancar uma porcaria dessas. Aí me deparo com inúmeros outdoors de grifes como Armani Exchange e Victoria’s Secret, inúmeras marcas chinesas para atrair o mercado asiático (sério, tem um gritante anúncio turístico para temporadas de 2015 em uma das batalhas) e até um close estuprador de um auto-falantes Beats. É um filme todo patrocinado, e nada sutil.

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Robôs gigantes transformistas? Ok. Mark Wahlberg “inventor”? Nope.

Tudo bem, não se dá pra esperar algo genial vindo daqui. Basta olhar para os filmes anteriores (eu gosto do primeiro, mas só), e perceber como nada, absolutamente nada muda. A decisão de trazer Mark Wahlberg para ser o novo protagonista até funciona, já que ele nitidamente mais herói de ação do que Shia LaBeouf, mas quando você me pede pra aturar a subtrama babaca de sua relação com a filha (Nicola Peltz) e os ciúmes em relação namorado desta (Jack Reynor), é forçar uma amizade que nem existe. E a cada filme, Bay consegue atrair mais atores renomados para serem ridicularizados: não bastasse Jon Torturro, John Malkovich e Frances McDormand, agora é a vez de Kelsey Grammer, John Goodman, Ken Watanabe e – coitado – Stanley Tucci de se juntarem ao show de horrores. Tucci, em especial, interpreta uma paródia de Steve Jobs (troque a maçã por uma pêra) e desconfio que este sim estava completamente chapado ao assinar ao contrato – não que sua performance histérica seja sóbria, muito pelo contrário.

Devo falar sobre o roteiro? OK. Eu admito que a presença de um vilão mais independente torna a trama ligeiramente mais interessante, já que evita a esgotada fórmula de Autobots vs. Decepticons, e também porque o tal Lockdown consegue se diferenciar da maioria de seus companheiros robóticos (a sempre competente equipe de efeitos visuais merece aplausos pelos minuciosos detalhes faciais nos personagens. Já o fato de este fazer uma aliança com um agente secreto é curioso, e me faz pensar como tais acordos aconteceram. Ou quem sabe a aparição dos icônicos Dinobots, que simplesmente surgem de uma nave espacial e a justificativa de Optimus para que estes se juntem à sua causa é genial, simplesmente genial: “Nós te damos liberdade! Ajudem-nos, ou vocês morrerão!”. É, grande líder mesmo. Ah, e um dos personagens usa uma bola de futebol americano em uma briga, só queria falar isso. E Kruger claramente acha que só por que você mora na China, é perito em artes marciais, como nos revela a constrangedora cena em que um sujeito PACATO E SEM RELAÇÃO ALGUMA COM A TRAMA larga suas compras e ENCHE UM DOS BANDIDOS DE PORRADA. E NUNCA MAIS APARECE NO FILME!

Sério, chega.

Transformers: A Era da Extinção representa tudo o que existe de pior em Hollywood. É barulhento, estereotipado, merchanizado e mais ligado a intenções empresariais do que Cinema de verdade. E o pior é que tudo funciona, aparentemente, tendo em vista que o filme já arrecadou meio bilhão de dólares nas bilheterias mundiais e já garantiu mais continuações.

Infelizmente, a extinção está longe de acontecer.

Primeiras imagens de OS VINGADORES 2: A ERA DE ULTRON

Posted in Notícias with tags , , , , , , , , , , , on 16 de julho de 2014 by Lucas Nascimento

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A revista Entertainment Weekly divulgou hoje algumas imagens de sua última edição, que trará uma primeira espiada no aguardado Os Vingadores 2: A Era de Ultron, filme que reunirá novamente os principais super-heróis da Marvel Studios. O destaque das imagens lançadas fica para o visual do vilão Ultron, mas ainda há espaço para Don Cheadle reprisando o papel de Rhodes, a estreia de Aaron Taylor-Johnson e Elizabeth Olsen como Mercúrio e Feiticeira Escarlate e os uniformes no cabide.

Confira:

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Os Vingadores 2: A Era de Ultron estreia no Brasil em 30 de Abril de 2015.

| A Marca do Medo | Crítica

Posted in Cinema, Críticas de 2014, Terror with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 12 de julho de 2014 by Lucas Nascimento

2.0

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Jared Harris e a novata Olivia Cooke

É curioso que logo após a estreia de O Espelho, terror psicológico eficiente e inteligente em sua proposta ligeiramente inovadora, surja uma obra que faça justamente o oposto. Novamente, sou forçado a repetir: terror, como a comédia, é um gênero pessoal, assusta um mas pode não provocar o menor efeito em outro. Uma coisa, no entanto, é universal, e é a de que existe uma diferença sutil entre causar medo e dar susto. Se O Espelho era um bom representante da primeira, A Marca do Medo é um fiel da segunda.

Alegadamente inspirada em fatos reais (hoje em dia, que terror não é?), a trama tecida por Craig Rosenberg, Oren Moverman e o diretor John Pogue – que também é baseada em um roteiro de Tom de Ville – viaja para 1974 para relatar experimentos que o professor Joseph Coupland (Jared Harris) mantinha com um grupo de alunos, visando provar que fenômenos sobrenaturais seriam nada menos do que manifestações do subconsciente, provocados por doenças mentais. A paciente em questão é a suicida Jane Harper (Olivia Cooke), que carrega consigo um mal desconhecido.

 De primeira, o filme de John Pogue instiga pela abordagem científica, elemento sempre válido no gênero. Adicionando a ambientação de época dos anos 70, que o designer de produção Matt Brant é eficaz ao recriar em seus discretos interiores, parecia uma oportunidade válida para replicar o sucesso do recente Invocação do Mal (outra obra ambientada no período), brincando também com a nova mania da narrativa found footage, já que o filme traz diversas cenas com formato e resolução de imagem menores – simulando as câmeras da época.

No entanto, Pogue opta pela saída mais fácil. Ao invés de cuidadosamente criar uma atmosfera perturbadora que lentamente vai crescendo até o ponto do terror verdadeiro, o diretor prefere sacanear a platéia com os típicos jump scares que surgem abruptamente durante toda a projeção: mesmo que seja uma simples batida na porta ou um objeto insignificante caindo no chão. E eu realmente fiquei interessado em saber que tipo de aparelhagem audiovisual de 1974 é capaz de capturar “sons de sustos” em alta definição, mesmo que as demais vozes e efeitos surjam com um ruído característico. Aparentemente os fantasmas já tinham THX.

Mas nem ligaria pra isso se pelo menos tivessemos personagens interessantes o suficiente para nos importarmos, outro elemento ausente. Jared Harris até se garante com sua forte presença de cena, sugerindo uma áurea sinistra a seu personagem (não esqueça, ele é o cara que entregou aquele Moriarty genial em Sherlock Holmes: O Jogo de Sombras), mas nem Sam Claflin (de Jogos Vorazes: Em Chamas) nem nehum outro dos estúpidos arquétipos cujos nomes não me interessam, são capazes de se identificar com o espectador. Reconheço, pelo menos, a talentosa Olivia Cooke, que tem o papel mais difícil e exigente fisicamente; tarefa que a jovem cumpre bem ao trabalhar seu olhar e ao constantemente sugerir que Jane estaria possuída em momentos diferentes.

Bem, convenhamos: todo mundo leva susto. É inevitável. Podemos até prever quando um deles surgirá, mas é uma reação natural do sistema nervoso dar um pulo na cadeira ou um leve arrepio quando este surge. Se A Marca do Medo se contenta em simplesmente arrancar essas reações efêmeras do público, tudo bem: funciona. Agora, quem estiver buscando um horror genuíno, construindo com cuidado e capaz de se estender engenhosamente por toda a projeção, sugiro procurar outra opção.

Obs: Durante os créditos são exibidas algumas imagens reais da história.

| Transcendence – A Revolução | Crítica

Posted in Cinema, Críticas de 2014, Ficção Científica with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 11 de julho de 2014 by Lucas Nascimento

2.5

Transcendence
Johnny Depp está agora online

Longo e árduo é o caminho do diretor de fotografia tornado diretor. Se analisarmos a História, não encontraremos muitos nomes de peso que outrora atuavam na função de cuidar de iluminação, cor e todo o aspecto visual de um longa-metragem, e a grande maioria geralmente volta a sua profissão anterior depois de alguns experimentos. Sinceramente, eu espero que Wally Pfister repense suas decisões profissionais, já que mostra-se muito mais competente no trabalho com o diretor Christopher Nolan do que no comando de Transcendence – A Revolução.

O roteiro é assinado pelo estreante Jack Paglen, que elabora uma trama onde o famoso cientista Will Caster (Johnny Depp) sofre uma tentativa de assassinato de um grupo radical que vai contra suas ideias, que incluem o avanço tecnológico e a criação de uma inteligência artificial autoconsciente. A fim trapacear a morte, sua esposa Evelyn (Rebecca Hall) e seu parceiro Max (Paul Bettany) realizam um experimento que transfere a mente de Will para um computador. A mudança, no entanto, faz com que sua consciência virtual se expanda para o mundo inteiro, a fim de dominá-lo.

Uma premissa suculenta e que o texto de Paglen é capaz de honrar com o levantamento de questões estimulantes, e que não são nada fantasiosas no ano de 2014: o progresso que o tratamento de células-tronco poderia atingir, a dependência cada vez maior dos seres humanos em tecnologia e até o alastramento viral das redes sociais. Transcendence merece mérito por levantar tais discussões na tela grande, mas infelizmente é incapaz de oferecer o tratamento merecido, já que o roteiro de Paglen jamais nos oferece algum tipo de aprofundamento em seus personagens e tampouco nos motivos que os movem (o grupo radical de Kate Mara fica simplesmente no ar, assim como a repentina aliança formada com o FBI). E o que falar no súbito salto de dois anos que a narrativa sofre? A legenda poderia dizer “duas horas depois” e não faria a menor diferença, já que nenhum dos personagens parece ter evoluído no espaço de tempo.

São erros que um diretor competente saberia trabalhar melhor. Pfister, tão talentoso como diretor de fotografia de A Origem ou a Trilogia Cavaleiro das Trevas, não cria ritmo nem apego emocional, falhando também ao apostar em um prólogo que não tem a força que deveria. Caramba, nem consegue trabalhar bem o visual do longa, que rende uma ou outra tomada plasticamente bela pelas mãos de Jess Hall, mas no geral é visualmente pobre. Tanto que o diretor até cisma em ficar repetindo tomadas que este julgue geniais, como aquela em que um sujeito usa um teclado de computador para manter a porta aberta; tem significado e é bonita, mas é amadorismo simplesmente repeti-la sem necessidade (e sem comentários para a repetição excessiva de uma gota d’água em câmera lenta).

Pfister também não se mostra um bom diretor de atores (mesmo que funcionem as colaborações com os colegas Morgan Freeman e Cillian Murphy, bons arquétipos), mas não sei se culpo ele ou Johnny Depp, que surge com uma de suas performances mais preguiçosas e monótonas de sua carreira (até quando tenta fazer um comentário irônico), sendo mais máquina quando o personagem ainda é humano do que vice-versa. Só merece destaque mesmo Paul Bettany, carismático ator que ainda é um dos mais subvalorizados da indústria.

Transcendence – A Revolução é uma oportunidade perdida, infelizmente. Traz boas ideias e conceitos pertinentes para a discussão da sociedade tecnológica que rapidamente vai crescendo, mas sofre nas mãos de um roteiro fraco e um diretor nada talentoso.

É Wally, você deveria ter ido fotografar Interestelar.

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