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| Inside Llewyn Davis: Balada de um Homem Comum | Saga folk dos irmãos Coen acerta em cheio

Posted in Cinema, Comédia, Críticas de 2014, Drama, Indicados ao Oscar, Musical with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , on 22 de fevereiro de 2014 by Lucas Nascimento

4.5

InsideLLDavis
Oscar Isaac e seu gato sem nome

Os irmãos Joel e Ethan Coen (quem não os conhece, faz favor) costumam dizer que “já existem muitos filmes sobre o sucesso”, como a justificativa para apostarem em tantas histórias com personagens e desfechos… Pouco convencionais, sem a esperança de um final feliz. Mas os Coen não são derrotistas ferozes, nunca deixando de lado seu humor negro característico (presente até mesmo no sombrio Onde os Fracos Não Têm Vez, e a saga folk Inside Llewyn Davis: Balada de um Homem Comum revela-se mais uma eficiente adição à carreira peculiar dos dois mestres.

A trama é centrada no músico fictício Llewyn Davis (Oscar Isaac), que encontra-se em sua pior fase após o suicídio de seu parceiro. Vagando pelas ruas da Greenwhich Village dos anos 60 (ponto de partida de figuras como Bob Dylan e Dave Von Ronk, que serviu de inspiração para a criação do protagonista), acompanhamos Davis dormindo na casa de amigos e aceitando qualquer tipo de bico pela cidade a fim de receber alguns trocados e alcançar o almejado sucesso profissional.

Basicamente é isso, como o título sugere: um olhar por dentro de Llewyn Davis, sem uma trama definida especificamente. A decisão estrutural possibilita que os Coen teçam diversas situações isoladas e que surgem diferentes a seu modo, seja no completo nonsense (no melhor sentido da palavra) ao apostar no road movie com os estranhos personagens de John Goodman e Garrett Hedlund ou na subtrama que envolve o carismático gato (sem exageros, que animalzinho talentoso) encontrado pelo protagonista – que possibilita um sutil paralelo não só com o próprio Davis, mas também – vejam só – com A Odisseia de Homero e Bonequinha de Luxo. Outro elemento fundamental é a ciclicidade da narrativa, que oferece início e fim praticamente idênticos, deixando claro que a situação de Davis não só é preocupante; mas permanente.

O personagem sofre, até mesmo as paredes do corredor parecem dispostas a achatá-lo (excepcional decisão do designer de produção Jess Gonchor) e a fotografia sobrenatural de Bruno Delbonnel nos situa em mundo frio, dominado por tons cinzas e paletas de cor frias – além de seu toque característico que é favorecido pelo uso da escuridão de bares ou uma onírica rodovia. Ainda assim, é impossível não se divertir com Inside Llewyn Davis. Não só pelas figuras excêntricas descritas acima, mas também pelas canções produzidas originalmente por T-Bone Burrett para o longa. Vale apontar as performances de “Hang Me, Oh Hang Me”, “The Death of Queen Jane” e o uso genial de “Fare Thee Well” para a sequência que apresenta o cotidiano de Llewyn. Seria uma heresia deixar de citar a divertidíssima “Please Mr. Kennedy”, canção com uma letra hilária que traz as vozes de Oscar Isaac, Justin Timberlake e Adam Driver (da série Girls).

Servindo como um curioso estudo de personagem que leva seu objeto do nada ao nada, Inside Llewyn Davis: Balada de um Homem Comum é uma experiência única, proporcionada por duas das maiores mentes do cinema contemporâneo. Seja em sua maestria técnica, narrativa ou em sua vibrante trilha sonora folk, o filme é tragicômico no melhor sentido da palavra. E sua ausência em grandes categorias do Oscar é crueldade.

Obs: reparem na “participação especial” que se destaca nos últimos momentos do filme…

Obs II: Quando a tradução é ruim eu detono, mas preciso reconhecer quando as distribuidoras fazem um bom trabalho. O subtítulo do filme é acertadíssimo, parabéns.

| O Preço do Amanhã | Potencial de clássico, execução medíocre

Posted in Cinema, Críticas de 2011, Ficção Científica with tags , , , , , , , , , , on 5 de novembro de 2011 by Lucas Nascimento


Justin Timberlake e Amanda Seyfried em cena

Já que O Preço do Amanhã ensina que tempo é dinheiro, vamos escrever esta crítica o mais rápido possível, passando apenas pelos pontos necessários. No parágrafo inicial, um breve comentário: tinha a melhor e mais original premissa do ano, mas falha ao executá-la.

A trama mostra um futuro onde  tempo é a moeda adotada pela sociedade.

O diretor e roteirista Andrew Niccol (o mesmo responsável por Gattaca e O Senhor das Armas) certamente teve uma ideia genial, mas não demonstrou a mesma originalidade ao executá-la; já que o longa abraça diversos clichês ao longo de seu desenrolar, passando também por uma mistura de gêneros (pôquer, Bonnie e Clyde, e por aí vai) que resulta na bagunça estrutural de O Preço do Amanhã. O diretor até que capricha nos  travellings e enquadramentos, mas mostra-se um péssimo roteirista ao criar diálogos terríveis.

Justin Timberlake assume um papel muito fácil e se dá bem, mostrando que tem carisma para diversos gêneros cinematográficos (drama em A Rede Social, comédia em Amizade Colorida e ação aqui), mas não é só porque sempre que seu personagem é visto correndo de mãos dadas com Amanda Seyfried, que os dois apresentem uma boa química – o que, na minha opinião, não acontece aqui. Cillian Murphy aparece confortável como o Guardião do Tempo Raymond Leo e Olivia Wilde rende uma boa participação como a mãe do protagonista.

Entre os valores técnicos, aquele que mais se destaca é a excelente direção de fotografia do sempre impecável Roger Deakins, que oferece um visual caprichado ao longa. No entanto, o uso de efeitos sonoros futurísticos em carros contemporâneos (com leves toques surreais) soa deslocado.

O Preço do Amanhã tem uma ideia fantástica e conceitos muito interessantes (como ladrões de tempo, bancos e empréstimos), mas não tem o diretor ideal para que o resultado faça juz a sua proposta. Com um cineasta como Christopher Nolan, por exemplo, poderíamos estar olhando para um futuro clássico.

Fui muito rápido?

| Amizade Colorida | A melhor comédia (romântica ou não) do ano

Posted in Cinema, Comédia, Críticas de 2011, Romance with tags , , , , , , , , on 1 de outubro de 2011 by Lucas Nascimento


Sexo sem Amor? Justin Timberlake e Mila Kunis acertam em cheio na química

Eu confesso que comédias românticas não são meu tipo preferido de filme, mas 2011 está realmente acertando com o gênero. Primeiro com o ótimo Amor a toda Prova, agora com Amizade Colorida, dirigido por Will Gluck. Surpreendentemente, apresenta um dos roteiros mais inspirados do ano e um entrosadíssimo elenco.

Na trama (cuja semelhança com Sexo sem Compromisso, aquele com a Natalie Portman, é inevitável), os amigos Dylan e Jamie resolvem estabelecer uma relação estritamente sexual, onde emoções e compromisso não façam parte de suas vidas.

É claro que todos nós sabemos o que vai acontecer no final. Se você vê um ator e uma atriz famosos estampados em um pôster, quase sempre fica evidente qual será a conclusão daquela história. Não é difícil prever como Amizade Colorida termina, mas é um caminho tão divertido e agradável, que nem os clichês típicos de comédias românticas incomodam; os próprios são criticados ao longo da projeção.

Grande parte do acerto é mesmo pelo trabalho do diretor Will Gluck (de A Mentira) e pela qualidade do roteiro (escrito por Keith Merryman, David E. Newman e o próprio Gluck), que aposta em referências pop magníficas e diálogos que sopram frescor e originalidade, principalmente por satirizar as situações típicas de comédias românticas. E o diretor respeita o texto, como fica evidente logo na primeira cena do filme, onde é feita uma divertida mesclagem entre os protagonistas – com uma montagem excepcional – e são apresentados diálogos com velocidade no nível A Rede Social (um pouco de exagero, mas serve pra ilustrar minha opinião a respeito deles).

E, claro, impossível não reconhecer o charme do ótimo elenco. A começar com Justin Timberlake e Mila Kunis, que apresentam uma química extraordinária que eu não via há tempos; soando verdadeiros e divertidos o tempo todo, tanto no lado da amizade quanto no amoroso. Paralelamente, o impagável Woody Harrelson faz o melhor coadjuvante cômico do ano como Tommy, amigo gay assumido de Dylan, que rende alguns dos momentos mais engraçados do longa; apresentando sua homossexualidade sem julgamentos ou caricaturas.

Assim como em A Mentira, Gluck retrata muitíssimo bem o papel da família na história, aqui com a excêntrica mãe de Jamie, vivida pela hilária Patricia Clarkson  (que também estava no longa anterior de Gluck, também como a mãe da protagonista feminina!) e pelo pai de Dylan, interpretado pelo sempre competente Richard Jenkins; que mesmo sendo portador de Alzheimer, mostra-se um experiente conselheiro e um sábio homem. Notável a mensagem passada através do personagem aqui.

O diretor também exibe bastante sensualidade nas cenas de sexo entre os protagonistas que, mesmo não sendo potencialmente explícitas, são ousadas para uma comédia norte-americana mas também rendem momentos divertidos (o espirro de Timberlake, por exemplo, foi uma tirada genial). E enquanto não oferece um aprofundamento psicológico como o de Namorados para Sempre, cumpre bem o seu papel ao mostrar as complicações de uma relação “colorida”, mesmo que caia na previsibilidade já mencionada no início do texto.

Não só um honesto retrato sobre as relações, mas também um bem um atestado de amor à cidade de Nova York.  Repleto de múltiplas tomadas sobre diversas regiões de Manhattan (como o belíssimo plano de visão noturna em um prédio que Jamie chama de “montanha”) e também divertidas presenças de flashmobs na Times Square, fica bem evidente o quanto os realizadores são apaixonados pela cidade – e a fotografia de Michael Grady ajuda nesse sentido.

Inteligente e maravilhosamente executado, Amizade Colorida é a melhor comédia do ano, e sem dúvida uma memorável entrada no gênero. Mesmo que caia no clichê em alguns momentos, tem uma magistral química entre seus protagonistas.  

O que os blockbusters de 2011 falharam em entregar, as comédias românticas compensaram.

IN TIME: Conheça a nova ficção científica de Andrew Niccol

Posted in Trailers with tags , , , , , , on 22 de julho de 2011 by Lucas Nascimento

Num tempo de remakes, reboots e continuações, o diretor Andrew Niccol (Gattaca – A Experiência Genética) chega com uma ideia original com In Time.

A ficção científica elabora um futuro onde a sociedade tem a capacidade de comprar mais tempo de vida e este é também usado como moeda de troca. Neste cenário, encontramos Will (Justin Timberlake), um sujeito falsamente acusado de assassinato que mantém uma milionária (Amanda Seyfried) refém. Os dois entram em fuga e partem para enfrentar o sistema.

Interessante, confira o trailer abaixo:

In Time estreia no Brasil em 4 de Novembro.

| A Rede Social | História do Facebook ganha filme maduro e impressionante

Posted in Cinema, Críticas de 2010, Drama, Indicados ao Oscar with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , on 21 de novembro de 2010 by Lucas Nascimento


Bilionários por Acaso: Mark e seus amigos inciam uma sombria jornada

Desde o anúncio de sua produção, houve a dúvida se um filme que conta a história de um site de internet seria digno de ver a luz do dia e resultasse de maneira favorável. Não fosse o roteiro genial de Aaron Sorkin e a direção sombria de David Fincher, talvez A Rede Social tivesse sido outro filme; longe da perfeição que alcança.

O interessante sobre o longa – e isso deve ser ressaltado – é que não é “Facebook: O Filme”, o grande foco emocional do filme não é no site, e sim nas dificuldades e conflitos entre seus fundadores, especialmente Mark Zuckerberg e Eduardo Saverin. Fincher constrói e destroi a amizade dos dois de maneira complexa e emocional, nunca julgando cada um como herói ou vilão; grande trunfo do intricado roteiro de Sorkin, que apresenta diálogos rápidos (em velocidade, não em duração), impecáveis e frases memoráveis.

Destaca-se também a montagem do filme. Optando por não seguir uma linha narrativa linear, Fincher apresenta a criação do Facebook e vai cortando entre os processos judiciais enfrentados por Mark, o que dá um tom de investigação e incomum ao filme; que só aumenta com a perturbadora trilha sonora eletrônica de Trent Reznor e Atticus Ross e o belo trabalho de fotografia, que equilibra cores fortes e frias de maneira excepcional.


Adivinhe quem vem para jantar: Justin Timberlake na pele de Sean Parker

Todos esses elementos técnicos combinados geram o clima e o tom perfeito para seu elenco. Quero destacar uma ótima cena, onde Mark, Eduardo e sua namorada conhecem Sean Parker; a maneira como o encontro é retratado, a caracterização dos personagens (reparem na música selvagem que emite sons animalescos e nos movimentos de Parker) os diálogos agressivos que têm o efeito de uma arma de fogo e tudo o que a cena representa. É simplesmente brilhante.

Jesse Eisenberg compõem o protagonista de maneira genial, traçando sua personalidade nerd/intelectual e, raramente transmitindo as emoções que o personagem sente ou o que pensa, o que torna Zuckerberg um anti-herói imprevisível. O colega brasileiro é interpretado com muita emoção pelo excelente Andrew Garfield que enche o jovem empresário de simpatia e carisma; é uma construção de caráter tão perfeita que é surpreendente sua reação ao descobrir a traição de Mark, resultando em uma intensa discussão, muito mais emocionante do que muitos clímax de filmes de ação deste ano.

O foco é nos amigos, mas alguns coadjuvantes roubam a cena. Fazendo uma rara participação no cinema, Justin Timberlake se sai muitíssimo bem como o empresário Sean Parker; manipulador e muito inteligente, é memorável. Armie Hammer faz um trabalho duplo eficiente ao interpretar os gêmeos Winklevoss, irmãos ambiciosos e competitivos. Apesar de pouquíssimo tempo em cena, Rooney Mara – que interpreta a ex-namorada de Mark – chama muito a atenção com seu carisma e habilidade de atuação; afinal, sua personagem é o catalisdor da trama.

Mais do que a história de um site, A Rede Social é a história sobre dois amigos e a destruição dessa amizade, tomando como plano de fundo uma sociedade que se debruça na tecnologia e utiliza a internet obsessivamente, como ferramenta de lazer, trabalho, egocentrismo e inclusão social, muitas vezes sem pensar na causa e efeito de suas ações. A sociedade em que vivemos.

Clique aqui para ler essa crítica em inglês (english)

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