| Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 1 | Muito mais do que um mero prelúdio

5.0


London calls: Harry, Rony e Hermione fogem para as ruas da Inglaterra

Desde que o cineasta David Yates assumiu o comando da saga Harry Potter, acrescentou a ela um toque político, sombrio e muito mais adulto do que seus antecessores. Finalizar a franquia é uma tarefa tão complexa que o último filme teve de ser dividido em duas partes. A Primeira é tudo o que Yates deu à saga, aprimorado em todos os aspectos.

A começar pelo tom, da atmosfera cinematográfica. Dessa vez Hogwarts nem está presente na trama, o que já incomoda pela sensação de insegurança pelos três protagonistas; não mais jovens estudantes de magia, Harry, Rony e Hermione são adultos lançados em mundo perigoso sem qualquer tipo de proteção – além da magia, claro – e sobrevivendo às custas uns dos outros. Há sempre uma aura de perigo, que Yates cria a equilibra muito bem, sobrando espaço para muitos toques de humor também.

O tom obscuro é fruto do favorável roteiro de Steve Kloves, que agora com mais tempo de projeção pode dar atenção à eventos secundários e desenvolver as situações com mais suspense e emoção. A fotografia cada vez mais escura é o maior acerto técnico da produção; com uma paleta de cores frias, predominantemente cinza – que, claro, alterna em alguns cenários – e paisagens belíssimas de montanhas, rochedos e florestas retratadas de maneira artística, assemelhando-se com pinturas góticas. A montagem também é esplêndida, grande destaque para a selvagem perseguição na floresta.

Mostrando-se ainda mais seguro, Yates continua me impressionando cada vez mais com sua dinâmica direção, seus enquadramentos, rotações e – pela primeira vez aqui – o metódo da câmera na mão, que balança constantemente nas cenas mais tensas emocionalmente e nas de suspense, especialmente na silenciosa visita à Godric Hollow’s, um dos pontos altos da trama assim como a invasão estilo heist ao Ministério da Magia, que equilibra suspense e comédia de maneira satisfatória, com resultados inesperados.

Mostrando-se muito mais complexos e amadurecidos, o elenco acompanha e preenche bem esse cenário de trevas. Daniel Radcliffe continua o bom trabalho com Harry, acrescentando mais insegurança ao jovem. Emma Watson apresenta pela primeira vez uma carga dramática relevante e crível à sua Hermione. Mas quem é uma grande revelação é Rupert Grint, que finalmente transmite a angústia e o sacrífico que Rony sente em relação a ser apenas “o amigo do Eleito”, resultando em uma pesada discussão entre os dois.

Apresentando-se mais do que um mero prelúdio e indo além do que apenas preparar o espectador para o último filme, Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte I impressiona pela maturidade e a beleza visual comandanda por seu diretor, que conduz a trama magistralmente até terminar em um gancho que deixará todos muito ansiosos para a conclusão da maior franquia da história do cinema.

Clique aqui para ler essa crítica em inglês (english)

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3 Respostas to “| Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 1 | Muito mais do que um mero prelúdio”

  1. […] This post was mentioned on Twitter by Giovanna Penteado, Lucas Nascimento. Lucas Nascimento said: Crítica: Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 1 – http://t.co/T7iyaC3 […]

  2. […] A saga Harry Potter chega à primeira parte de seu último capítulo, mostrando-se mais adulto e maduro e alcançando um nível de qualidade impressionante que, até o último filme chegar, lhe dá o posto de melhor da série. Crítica […]

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