| Thor | O humor martelou o épico

 


Os Irmãos Odin: Chris Hemsworth e Tom Hiddleston capricham nas performances de Thor e Loki

Thor, você já deve estar cansado de ouvir, é mais um passo para a construção dos Vingadores da Marvel, cujo projeto é movido com grande ambição pelo estúdio. O filme que apresenta a versão super-herói do Deus do Trovão é um divertido entretenimento mas com sérios problemas de roteiro e tom.

Condensando toda a mitologia do personagem em um filme (funcionando, acrescento), a trama mostra o exílio de Thor à Terra, após despertar uma guerra entre seu reino de Asgard e o dos Gigantes de Gelo, e lutando para recuperar seus poderes e aprender uma lição de humanidade, ao mesmo tempo em que seu irmão Loki (Tom Hiddleston) ganha poder no reino.

Marcando o retorno do irlandês Kenneth Branagh na direção de projetos grandes, o cineasta oferece um bom domínio da narrativa e uma característica visual interessante, com a câmera inclinada (técnica conhecida como “ângulo holandês”), simbolizando de forma eficiente o exílio do personagem-título e sua sensação de “estranho no ninho”. O roteiro infelizmente não desenvolve-a de forma coerente, sendo muito apressado e incapaz de estabelecer relações fortes entre seus personagens (especialmente Thor e a Dra. Jane Foster) , apelando para o humor pastelão.

E esse é um dos principais problemas de Thor: o desequilíbrio de tom. Leva-se a sério nas cenas de Asgard, onde Branagh oferece ângulos e movimentos de câmera criativos e o elenco recita seus diálogos de forma quase shakespeareana; o design de produção aliás, é espetacular e definitivamente contribui nesse conceito. Do outro lado, quando na Terra, o filme transforma-se em uma comédia; piadas e referências brotam constantemente no roteiro (algumas são divertidinhas, claro), em uma óbvia e patética tentativa de alcançar um público maior.


Natalie Portman e Kat Dennings: forçada presença cômica

Não que humor seja descartável (no primeiro Homem-de-Ferro por exemplo, ele funciona muitíssimo bem, nos momentos certos), mas quando você tem coadjuvantes como Natalie Portman e Kat Dennings, ele torna-se insuportável. Aliás, Portman preenche a Dra. Jane Foster com uma euforia tão extrema e inapropriada, que suspeitei do uso de drogas da personagem; e Dennings mostra seu forçado (e descartável) teor cômico logo em sua cena inicial. Quanto a Anthony Hopkins na pele de Odin, basta dizer que ele continua em seu habitual piloto-automático, mas agradável.

Em contrapartida, o semi-desconhecido Chris Hemsworth (ele fez uma breve aparição como pai de Kirk no último Star Trek) dá vida a Thor de forma carismática e eficiente, caracterizando sua arrogância no primeiro ato – especialmente na ótima batalha contra os Gigantes de Gelo – e sua mudança de hábito com suavidade, além de dominar um bom sotaque. E temos Tom Hiddleston, cujo Loki é um dos pontos mais interessantes do filme; com olhar manipulador e ambíguo, é um dos vilões mais bem desenvolvidos do universo Marvel.

Faço questão de mostrar o progresso em relação a Homem-de-Ferro 2; enquanto este era sobrecarregado de referências à SHIELD (agência por trás dos Vingadores), Thor resolve o problema ao fazê-la parte fundamental da trama, de forma muito mais construtiva do que o filme de John Favreau. Aliás, Jeremy Renner faz uma ponta bacana (mas deslocada) como o Gavião Arqueiro.

Com medianos efeitos visuais e ótimas cenas de ação, Thor é um bom entretenimento e característico blockbuster, mas que desequilíbra seu tom entre épico e humor, além de possuir um roteiro apressado. Resta aguardar agora o Capitão América e Os Vingadores para ver como a brincadeira vai terminar.

PS: Há uma importante cena pós-créditos que define o filme dos Vingadores.

Leia esta crítica em inglês.

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14 Respostas to “| Thor | O humor martelou o épico”

  1. Excelente texto, e com o qual concordo quase completamente. Duas coisas me incomodaram bastante: essa aparente obsessão do filme em criar tiradas cômicas a todo momento (com a personagem de Kat Dennings totalmente dispensável) e o desenvolvimento de Loki — com mudanças de comportamento sem muita explicação e motivo, diminuindo a excelente interpretação do ator. Achei bem conduzido (não entendi bem o sentido dos ângulos inclinados durante o filme, mas você apresentou uma boa explicação), com efeitos visuais com momentos agradáveis e outros medíocres, mas com uma trilha épica pontual, nunca usada sobre as cenas, e uma direção de arte muito interessante. Realmente, algumas escolhas funcionaram muito bem, e o saldo final (odeio essa expressão, mas não achei outra) foi muito positivo. Parabéns pelo texto. Dou 7/10 para o filme.

    • Lucas Nascimento Says:

      Mateus,

      obrigado pelos elogios, realmente, não fossem as cenas em Asgard o filme poderia ser rotulado como comédia. O resultado final é, contudo, positivo.

      Smurfet,

      Também não sou adepto dos quadrinhos do Thor, então também não posso julgar como adaptação. E acho q o Thor voa com o martelo nas HQs… xD

  2. Não concordo com tudo o que disse, e não posso julgar o filme como adaptação, mas faltou muita coisa no filme. A cena do Thor voando com o martelo na mão, o que me lembra o capitão caverna, foi triste.
    Esperemos os próximos…XD

  3. bem… thor ate onde eu me lembro voa com o martelo…
    e, apesar de nao ser um fã fervoroso do personagem, mas do universo marvel, eu achei o filme excelente…
    mas isso sou eu…
    acredito que os fãs da marvel, assim como eu, sejam o publico alvo do filme, que na minha opniao, é superior a homem-de-ferro 2….
    o primeiro foi um grande divisor de águas nessa nova geraçao de filmes de super-hérois…
    espero sinceramente que os proximos filmes da marvel sejam iguais ou melhores que esse… apesar de nao esperar muito de capitao-america…. que vai repetir o mesmo ator que fez Jhonny Storm em Quarteto Fantástico…. Eu preferiria que esse papel revelasse algum ator diferente…
    mas esperarei o melhor =)

  4. Van hurst Says:

    Quanto as mudanças de comportamento “do nada” de Loki no decorrer do filme, é exatamente assim que ele retratado na HQ, sendo impossível prever qual o seu real objetivo e sempre “mudando de lado” no último momento (na verdade seu objetivo é sempre causar o “caos” e irritar Thor). No fundo ele é um dos maiores defensores de Asgard, mas que somente demonstra a sua verdadeira índole quando o seu reino, ou algum dos seus familiares, está sendo REALMENTE ameaçado. Inclusive, em sua última aparição nas HQs (siege) ele morre defendendo Asgard de uma aliança de superseres que ele mesmo iludiu a atacar a cidade.

  5. Bom, eu gosto de Thor.
    Quanto as mudanças aparentemente inexplicaveis do Loki para quem já leu um pouco dos quadrinhos da Marvel sabe o quanto ele é CAÓTICO que esse é o ponto que o define. Ele muda de ideia e atitude varias vezes, pois não é um personagem que pode ser classificado como bom ou ruim. Ele é trapaceiro é de sua natureza.
    Normal que quisessem mostrar no filme uma introdução mais leve do personagens para o publico que não conhecem e nunca leram nada nem sobre a mitologia nem sobre os quadrinhos.
    Geralmente Thor não voa ele é impulsionado pelo martelo.
    Acho que fora algumas adaptações durante o filme, é um filme bom. Não para se assistir em 3d.
    A quem nunca leu apenas sugiro que tente dar uma olhada nas revistas, saibam que existe muito humor. Volstagg por exemplo é ilário mesmo quando quer falar sério.
    Deixo aqui tambem minha opinião: Fandral ficou perfeito!!! XD.
    Aos que ainda vão assistir, eu gostei muito.
    Aos que assistiram e não entederam, leiam as revistas vale a pena.

  6. […] trama continua os eventos mostrados em Homem-de-Ferro 2, O Incrível Hulk, Thor e Capitão América – O Primeiro Vingador, tendo ponto de partida quando o perverso Loki (Tom […]

  7. […] ou puramente visual; a exceção fica com Joss Whedon em Os Vingadores e Kenneth Branagh em Thor – mas esse último perde pontos por se entregar puramente à estética. Achei que seria […]

  8. […] do que seus antecessores. O humor é muito melhor distribuído aqui (nada como a palhaçada de Thor ou Homem de Ferro 3) e, como havia comentado ali em cima, os irmãos Russo mudam completamente o […]

  9. […] de Tony Stark em uma piada idiota, ou os filmes protagonizados por Thor – ainda que o primeiro seja bem mais apelativo que a […]

  10. […] não se arrisca com pretensões estilísticas (como seu uso descontrolado do ângulo holandês em Thor), mas é capaz de conduzir com firmeza ótimas sequências, como todo o núcleo da transformação […]

  11. Qual o nome do livro que jane Foster usa nesse filme para mostrar a história de Thor

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