| X-Men: Primeira Classe | Os mutantes ganham tratamento poderoso


James McAvoy e Michael Fassbender como os jovens Professor X e Magneto

Desde o ano 2000, a franquia dos X-Men tem se estabelecido fortemente no cinema de forma divertida,  mas sempre com uma mensagem de inclusão social na bagagem. Funcionou nos dois primeiros filmes, voltou-se demais para a ação no terceiro e quase foi destruída pelo péssimo filme-solo do Wolverine. Eis que entra Matthew Vaughn e muda completamente o jogo com X-Men: Primeira Classe, alcançando resultados impressionantes e maduros dentro do gênero.

A trama ambienta-se antes da trilogia original, mostrando como Charles Xavier (James McAvoy) começou sua jornada para ajudar e orientar jovens mutantes, que eram malvistos e temidos pela sociedade. Ele conhece o jovem Erik Lehnsheirr (Michael Fassbender), que no futuro será Magneto.

Baseando-se no início dessa amizade, o roteiro tem seus melhores momentos ao retratar a relação dos dois com grande profundidade e desenvolvê-la muitíssimo bem. Não há um bom e um mau, apenas ideais diferentes, mas que possuem objetivos similares: um mundo com mutantes aceitos na sociedade (na visão de Xavier) ou com mutantes como raça dominante (como pensa Erik). A dinâmica e contraste entre os dois personagens é ótima, proporcionada pelo excepcional desempenho de seus intérpretes.


A relação de Erik e Charles ganha força graças às performances de seus intérpretes

Depois de destacar-se em um papel pequeno, todavia marcante em Bastardos Inglórios (além de outros filmes menos conhecidos aqui no Brasil), Michael Fassbender promete ser catapultado para o estrelado, já que se mostra aqui como um excelente ator. Com grande influência do James Bond de Sean Connery – afinal o filme se passa nos anos 60 -, o personagem é retratado quase como um espião, em empolgantes caçadas a nazistas onde o futuro Magneto faz um uso mais sutil de seus poderes, e molda sua visão da humanidade baseando-se em suas dolorosas experiências em um campo de concentração do Holocausto. É impossível ver Erik como um vilão quando seus motivos são tão bem explorados aqui.

Do lado mais otimista do tabuleiro, temos James McAvoy que está carismático ao extremo. Apresentando a segurança que Patrick Stewart trazia ao personagem na trilogia original, destaca-se por ser carregado de entusiasmo (como na cena em que conhece o jovem Hank McCoy) e zeloso pelo bem de sua espécie, como no emocionante momento em que ajuda Erik a controlar melhor suas habilidades. Xavier também faz um uso sedutor de sua habilidade, sendo mais uma ferramenta característica de (mais uma vez) um filme de espiões.

E quando os dois lados se colidem, o roteiro abre diversas discussões sobre inclusão social e o preconceito sofrido pelos mutantes, o desejo de se esconder e ser aceito na sociedade; como anseia desesperadamente a Mística da ótima Jennifer Lawrence. Os diálogos são muito bem construídos e desenvolvem bem a trama,  sobrando referências a diversos trabalhos do cinema (um mutante bem conhecido tem uma participação memorável), literatura (a do Médico e o Monstro sendo a mais apropriada, por caracterizar perfeitamente o Fera de Nicholas Hoult), entre outros. Outro ponto divertido é a questão dos “nomes” que ganha aqui sua melhor justificação de existência: já que trabalham com a CIA, os mutantes ganham codinomes e não identidades secretas, o que funciona bem dentro desse universo de espiões super-poderosos.


Kevin Bacon e January Jones no time dos vilões

Na direção dessa enorme variedade de elementos, temos Matthew Vaughn. Trazendo elementos dinâmicos na bagagem, o diretor controla a narrativa com segurança e estilo, utilizando-se de diversos enquadramentos criativos e recursos visuais, com destaque para o uso da tela dividida na montagem de treinamento da primeira turma de Xavier. Vaughn proporciona um amadurecimento notável à série, principalmente pela ambientação no cenário de Guerra Fria (no melhor estilo Watchmen) e a Crise dos Mísseis Cubanos, que garantem também um clima tenso em grande parte do longa. Mas como fez em Kick-Ass, o diretor equilibra o tom com piadas bem encaixadas e um divertido entrosamento entre os personagens – como no primeiro encontro entre os mutantes na sede da CIA.

Mas claro, sendo um filme blockbuster, há diversas sequências de ação, que funcionam muitíssimo bem dentro de seu propósito e contribuem para a trama de forma apropriada, nunca acontecendo sem motivo. E tal motivo aqui é Sebastian Shaw (Kevin Bacon, excelente) e seu Clube do Inferno que garantem reviravoltas surpreendentes (o Azazel de Jason Flemyng merece mais destaque e a Emma Frost de January Jones é sexy e muito interessante). Os efeitos visuais sobressaem-se em tais sequências (apesar de eu olhar torto para a forma de diamante de Frost) e funcionam bem, culminando em um clímax inesquecível em uma ilha.

X-Men: Primeira Classe é um filme maduro e empolgante, apresentando origens envolventes e bem construídas para os personagens da franquia original, sob o olhar cuidadoso do diretor Matthew Vaughn. É facilmente uma das melhores adaptações de quadrinhos para o cinema desde o Cavaleiro das Trevas de Christopher Nolan. Que venha a Segunda Classe.

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22 Respostas to “| X-Men: Primeira Classe | Os mutantes ganham tratamento poderoso”

  1. É isso aew que venha a segunda classe hehehehe 😀

  2. Uauu, estava contando os dias para ver esse filme, depois dessa excelente critica hoje mesmo irei assistir. Com certeza esse tem grande chance de ser o melhor filme do ano! 😀

  3. Descobri seu blog por acaso, parabéns pela crítica e vou assistir ao filme, quero ver Capitão América também… abraços

  4. O filme é bom sim, mas colocar Alex Summers junto a denominada “primeira classe” foi ridiculo. Quem lê/leu os quadrinhos sabe do que estou falando.

  5. Não concordo nenhum pouco com o último parágrafo do post, o terceiro da série foi o melhor até o momento. Foi péssima a tratativa que deram com relação às continuidades. Colocaram muita frescura no Xavier. O pior de tudo foi terem esquecido que no terceiro filme, houve uma visita do Xavier com Magneto, na casa da Jean Grey quando criança, onde Xavier já era careca e ainda andava… outra coisa foi a interação entre Mística e Xavier, fiquei triste por terem desvirtuado a história dos X-Men.

    Muito fraco o filme!

    • Lucas Nascimento Says:

      Bem, gosto é gosto, mas quanto à cena de abertura do terceiro filme (a visita à Jean Grey) ela não apresenta continuidade à Primeira Classe porque o diretor Matthew Vaughn simplesmente “ignorou” o terceiro filme por não achá-lo tão bom quanto os 1os.

      Abrax

  6. Muito legal esta postagem sobre o novo filme dos X-Men. Parabéns!

    A Internet brasileira precisa muito de conteúdos interessantes, divertidos e positivos como estes que você está criando.

  7. Dizem que este é o melhor filme já feito para os mutantes mais ricos das hqs.
    Se ele não respeita a cronologia das hqs, criando sua própria, tudo bem.
    O que importa é se é divertido ou não.
    E a ambientação anos 60deixou o clima do filme mais interessante, mais próximo da verdadeira Primeira Classe.
    Valeu.

  8. Discordo totalmente
    Pra quem é fã conhece a história de fato,sabe que o filme é um lixo

  9. […] Um dos melhores filmes adaptados de quadrinhos de todos os tempos e também um dos melhores do ano. Matthew Vaughn dirige um grande espetáculo visual e narrativo, apresentando a origem de diversos personagens de forma empolgante e dramática; especialmente a focar-se na relação entre Professor X e Magneto. Sensacional. Crítica […]

  10. […] Wolverine). Vida nova no estúdio, que acerta grande pela segunda vez este ano (quem esqueceu do X-Men – Primeira Classe?) com um excelente retorno ao Planeta dos […]

  11. Calem a boca quem n gostou do filme eu gostei do filme e das HQs dos X-MENs primeira classe o filme e ótimo sim!!!

  12. […] pode não ter ouvido falar ainda, mas é melhor ficar de olho. Depois de Kick-Ass: Quebrando Tudo e X-Men: Primeira Classe, o cineasta Matthew Vaughn prepara Kingsman: The Secret Service, adaptação dos quadrinhos de Mark […]

  13. […] se concentre mais naquela ambientada na década de 70 – considerando a aceitação popular de X-Men: Primeira Classe, é uma decisão […]

  14. […] comprovar. Mas o filme de Matthew Vaughn (em alta depois dos ótimos Kick-Ass: Quebrando Tudo e X-Men: Primeira Classe) funciona justamente por ser uma obra fortemente metalinguística e abraçar os exageros que […]

  15. […] depois de Kick-Ass: Quebrando Tudo, X-Men: Primeira Classe e Kingsman: Serviço Secreto você ainda não sabe quem é Matthew Vaughn, shame on you. O […]

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