| Namorados para Sempre | Um depressivo olhar sobre o relacionamento


(500 Dias com Ela) versão hardcore

Buscando capturar um aprofundamento resiliente e poderoso em seus personagens, o diretor e co-roteirista Derek Cianfrance exigiu que seus atores principais – Michelle Williams e Ryan Gosling – morassem juntos por algumas semanas e convivessem como um casal de verdade. Realmente, a decisão deu frutos, já que a relação entre os dois é mostrada de forma realista e convincente.

Na trama que vai e volta no tempo, vemos como a relação entre Dean e Cindy começou e como ela anda alguns anos no futuro, quando são casados e tem uma filha pequena.

É realmente o jeito como Cianfrance conta a história. De forma linear teria sido normal e passível, mas ao proporcionar uma narrativa não linear, ele consegue tornar a experiência mais interessante (meio como David Fincher fez em A Rede Social) e esclarecedora para o futuro deprimente do casal. O espectador entende a situação e enxerga a forma como ela foi se desmantelando – bem parecido com (500) Dias com Ela, só que muito mais deprimente.

Claro que a narrativa não seria nada sem o esforço colossal de seus dois atores principais, que entram na pele de seus personagens e entregam performances arrasadoras. Michelle Williams foi indicada ao Oscar por seu trabalho e está muito boa, transmite a melancolia e a depressão de sua personagem de maneira eficiente e impressiona em uma inesquecível cena de sapateado (pelo que eu li, foi improviso). Mas é o carismático Ryan Gosling que chama mais atenção, isso porque o roteiro parece focar-se mais em Dean do que em Cindy, já que suas intenções e sentimentos são bem mais evidentes do que o de sua parceira. Indicar Williams e não indicá-lo também, foi injusto.

Outra grande força da narrativa vem da fotografia de Andrij Parekh, que contrasta de forma apropriada os tons entre as duas linhas temporais. A vida de casados é deprimente e monocromática (muito bem simbolizada pelo “quarto futurístico” de um mote), a passo que o ínicio do namoro é mais alegre e com cores mais fortes e vivas, como a vitrine de uma loja onde Cindy e Dean discutem música e sapateado.

Namorados para Sempre é um olhar original e deprimente sobre o início e a decadência de um relacionamento, colocando em discussão os fatores que a sustentam e o trabalho do casal em mantê-la viva. Certamente é uma grande ironia da Imagem Filmes lançar o filme em pleno fim de semana dos namorados…

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5 Respostas to “| Namorados para Sempre | Um depressivo olhar sobre o relacionamento”

  1. Amei a definição “(500) Dias Com Ela hardcore” hahahahahahaha

    E é bem isso mesmo. Uma visão tão real quanto àquela vista com a Summer, só que aqui vemos o fundo do poço de um relacionamento mais de perto. Acho que toda a experiência que Ciafrance tem com documentários ajudou muito a tranformar essa estória o mais crível possível. Esse lance do casal protagonista ter convivido como um casal por um tempo ajudou muito também. E, claro, o talento de Gosling e Williams transformaram essa experiência em algo íntimo e único. Só não acho que o Gosling se destaca mais. Williams tem uma personagem mais difícil e por isso mesmo acredito que foi a única lembrada no prêmio da Academia, embora ache que o Gosling também merecia, ainda mais com o Eisenberg indicado.

    Adorei o texto, parabéns!

    p.s.: estou te linkando lá no blog.

    • Lucas Nascimento Says:

      Opa Alexsandro, obrigado pelos elogios; o Namorados pra sempre é realmente o mais crível possível, e a Williams com certeza tem a personagem mais difícil.

      Abrax

  2. Vou me candidatar para ser o ator da continuação, mas tem que ser a Megan Fox ou Angelina Jolie e não fico nenhum pouco triste delas passarem uns seis meses no meu cafofo rs.

  3. Como tenho dito, o filme é intenso, cruel e forte. Mexeu muito comigo, repensei muita coisa, inclusive serve como orientação pra muita gente que se ‘aceita’, acata e se submete a relações já deterioradas…

    Num mundo justo: Ryan Gosling receberia o Oscar de ator, isso mesmo, ele está melhor que Michelle e sua atuação é mais densa que a do vencedor deste ano, Colin Firth.

    Belo texto seu, pois percorre bem o senso desse filme!

    Abraço, apareça!

  4. […] exemplo, foi uma tirada genial). E enquanto não oferece um aprofundamento psicológico como o de Namorados para Sempre, cumpre bem o seu papel ao mostrar as complicações de uma relação “colorida”, mesmo que […]

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