| Transformers – O Lado Oculto da Lua | Michael Bay consegue se superar


Bumblebee na batalha de Chicago. É, esse eu sei que é o Bumblebee…

Quando Michael Bay admitiu que A Vingança dos Derrotados foi um filme ruim e que ele teria superado o trabalho com O Lado Escuro da Lua, eu realmente confiei no diretor. Bom, acho que algumas pessoas simplesmente não aprendem; o terceiro filme da saga dos robôs transformistas consegue ser ainda pior que seu antecessor.

Na trama, os Autobots e os Decepticons travam mais uma mortal batalha, dessa vez em decorrência de um segredo escondido na Lua desde os anos 60. O tal segredo é o robô Sentinel Prime, que pode trazer o planeta dos alienígenas de metal de volta, que acaba virando objeto de disputa de ambos os lados.

O massacre robótico começa no roteiro. O texto de Ehren Kruger até tenta criar uma certa coerência e lógica na trama – a ideia de envolver eventos da Guerra Fria e a Corrida Espacial era realmente interessante – mas falha ao estabelecer o mínimo de história possível para capturar a atenção do espectador, confundindo sub-tramas e enchendo-o de clichês e piadas idiotas. Isso sem mencionar o péssimo trabalho com os personagens, que nem apresentam justificativa para tanta atenção de cena.

Shia LaBeouf continua fazendo seu agradável piloto-automático – mesmo que ele precise rebaixar-se a gritinhos afeminados em diversos momentos da projeção -, mas ainda é incompreensível para mim, como seu personagem consegue mulheres do nível de Rosie Huntington-Whiteley. A modelo da Victoria’s Secret substitui Megan Fox como objeto sexual da trama (não fazendo feio, admito), mas sua personagem é tão vazia e inútil quanto a dos filmes anteriores. E sem comentários para os preciosos coadjuvantes: Frances McDormand, John Malkovich, Ken Jeong, todos prejudicados e desperdiçados…


Michael Bay detona a cidade de Chicago. Sim os efeitos são bons…

E o que nos leva à direção descontrolada do sr. Michael Bay. Explosão pra cá e socos de robôs gigantes pra lá, o diretor agora tem a tecnologia 3D para utilizar. De fato, é o melhor uso da tecnologia desde o Avatar de James Cameron; as cenas na Lua apresentam grande profundidade, mas é impossível acompanhar a selvageria das cenas de ação. Com exceção de um belo voo de wing-suits em uma Chicago sendo atacada e a destruição de um edifício, todas as sequências de pancadarias de robôs gigantes (cujas fisiologias são quse impossíveis de diferenciar) são irritantes e cansativas, com todas as habituais marcas de Bay: câmera lenta, patriotrismo e bordões imbecis.

Não que eu va assistir a um filme de máquinas gigantes se arrebentando e espere encontrar algum tipo de obra-prima, mas no mínimo eu espero algo divertido e que me entrentenha. Se um filme em que homens levantam submarinos e mulheres têm pele azul e transformam-se em outros indivíduos consegue apresentar conteúdo histórico e diversão na medida perfeita, porque não uma invasão alienígena de seres transformistas?

Transformers – O Lado Oculto da Lua é o pior filme do ano e um aviso perturbador sobre o que Hollywood pode fazer; juntando explosões, cenas de ação, efeitos visuais e 3D, na tentativa mais agressiva de conseguir o seu dinheiro.

Com uma porcaria dessas, é um assalto.

Obs: A nova lei sobre a conservação de óculos 3D já está sendo posta em prática. No Imax do Shopping Bourbon Pompeia, os óculos foram entregues higienizados e em uma embalagem plástica.

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8 Respostas to “| Transformers – O Lado Oculto da Lua | Michael Bay consegue se superar”

  1. Achei decepcionante, mas melhor que o segundo. Aqui há as piadas insuportáveis, a montagem desiquilibrada, o narrativa que se perde em tanta ação (você chega a se esquecer, em vários momentos, de o que eles estão fazendo ou têm de fazer). No segundo, isso era bem pior. Eu, que adoro o primeiro e esperava (utopia, claro) que o filme não ganhasse continuações, nem consigo sentir raiva desses dois filmes. Sinto é pena de não saberem cuidar de algo interessante e potencialmente muito divertido. Espero que alguém com muito talento e inteligência assuma daqui para a frente na direção, trazendo bons roteiristas, embora LaBeouf sempre tenha sido um protagonista carismático (ele também abandona a franquia). Esgotou, Bay. Também confiei em você, mas agora deu.

  2. Lucas Nascimento Says:

    Pois é Matheus, também gostei muito do primeiro e esperava boas continuações – e confiei no Michael Bay para acertar os trilhos aqui. Realmente, uma grande decepção…

    Abrax

  3. Muita ação, pouco roteiro

  4. Isso é filme pra quem é viciado em Play 3, Lucas.
    Tá louco…
    Overdose sensorial gratuita e injustificada disfarçada de “confronto épico”?
    Sai pra lá…
    Gostei do primeiro filme apenas porque assistia o desenho na Globo no final da década de 80 e foi legal ver os personagens na telona, mas a parte 2 esculachou de vez a franquia.
    Mas se a fórmula efeitos + brigas + mulher bonita dá certo entre a pirralhada que acha que Avatar é o “filme de suas vidas”, o que há de se fazer?
    Assistir filmes de verdade e ignorar esses delírios infantis em forma de filme.
    Valeu.

  5. …Números, números…cá entre nós, estamos falando de um filme que rendeu aos estúdios $ 1.119 Bilhões de dólares, a 4 maior bilheteria mundial.
    Sem falar do mar em sifras faturados com a marca e bem antes do primeiro filme era o brinquedo mais conhecido do mundo.
    Spielberg trouxe de volta outros tipos de super heróis. Não usam capas nem mascaras.

    Poderíamos ter algo melhor como enredo ou mesmo roteiro?talvez!
    .. Mas nunca esperei um roteiro de Frank MIller…isso sim seria seria infantil!

  6. […] de algumas criaturas (especialmente aquelas “serpentes” voadoras) me lembraram muito Transformers – O Lado Oculto da Lua, que apresentava um clímax de destruição e abertura de dimensões muito similar. Mas a […]

  7. […] O que nos leva ao protagonista Henry Cavill. Mais conhecido por sua participação na série de TV The Tudors, o ator inglês faz um ótimo trabalho ao criar um Superman “em fase de gestação”, cheio de dúvidas e ainda longe de tornar-se a figura bondosa e politicamente incorreta pelo qual é conhecido (aqui, Clark até usa suas habilidades para vingar-se de um estranho) e por carecer de um senso de responsabilidade por suas ações; já que praticamente destrói toda a cidade em suas batalhas épicas. Vale apontar também a competência de Russell Crowe e Kevin Costner no papel das figuras paternas de Clark e como Amy Adams e Diane Lane criam mulheres fortes (ainda que a performance de Adams já fosse o bastante, tornando desnecessário que a jornalista pegasse em armas) e protetoras. Para fechar, Michael Shannon faz um vilão memorável ao acrescentar motivos reais para as ações de seu Zod; mesmo que seu plano seja uma cópia descarada do de Sentinel Prime em – sim, que vergonha – Transformers: O Lado Oculto da Lua. […]

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