| Sem Limites | Competente, mas não alcança seu potencial


Inteligência artificial: Bradley Cooper vai ganhando espaço em Hollywood e ganha conselhos do mestre Robert DeNiro

A conhecida fórmula do sujeito comum e perdido que subitamente recebe poderes fora do comum ou algum outro tipo de oportunidade milagrosa já foi usada inúmeras vezes. A ideia de Sem Limites é interessante, por apostar no alto potencial do cérebro e na inteligência de seu protagonista, e o resultado – mesmo que imperfeito – agrada.

A trama gira em volta de Eddie Morra, um escritor decadente que passa por um grava bloqueio criativo e, pra piorar (porque sempre piora) sua namorada termina o relacionamento. Tudo muda quando um amigo lhe apresenta uma droga revolucionária, conhecida como NZT, que amplia o potencial do cérebro, transformando Eddie em um gênio.

Na tradição dos filmes de “poder ganho milagrosamente”, o primeiro ato da transformação de Eddie é a inevitável mudança em sua própria vida: ele surpreende seus vizinhos, termina seu livro em apenas 4 dias, muda de visual e começa a entrar no mercado de ações, onde vai tornando-se um milionário. O problema é que Eddie precisa de uma dose da droga a cada dia, ou o efeito é limitado.

Nesse ponto, começam alguns problemas e o tom divertido do filme vai se aproximando de um suspense psicodélico, com algumas características de filmes sobre vício em drogas (algo como uma versão light de Réquiem para um Sonho) e até mesmo uma exagerada reviravolta envolvendo traficantes. E quem encara tudo isso é Bradley Cooper, que mostra-se um ator carismático e que certamente aguenta uma produção que não seja sobre ressacas cômicas, a passo que Robert DeNiro tem espaço como um coadjuvante de luxo.

O diretor Neil Berger assume uma lógica visual estimulante ao usar diversas rotações e movimentos de câmera que exploram profundamente o ambiente  (como naquele ótimo momento em que um zoom constante acompanha a cidade de Nova York enquanto Eddie tem uma perturbadora “noitada”) e os delírios do personagem principal.

Interessante como a fotografia do filme bruscamente se transforma no ponto em que o protagonista começa a usar o NZT. De um tom mais frio e monótono, o visual evolui para um contraste forte e colorido (que chega a lembrar o trabalho de filmes como Adrenalina e Gamer) que, mesmo sendo uma característica óbvia e pouco sutil, é um trabalho eficiente.

Imperfeito e exagerado em alguns momentos, Sem Limites é um filme inofensivo e pontualmente divertido que explora bem algumas ideias interessantes mas que falha por não alcançar todo o potencial prometido. No entanto, o longa transforma Bradley Cooper em um astro, merecidamente devo dizer.

3 Respostas to “| Sem Limites | Competente, mas não alcança seu potencial”

  1. Amei o filme, achei maravilhoso!!!

  2. […] uma boa sequência de alucinação aqui e ali (não se esqueçam de que Burger é responsável por Sem Limites), o filme se perde em um terceiro ato bagunçado e que de alguma forma consegue reunir a família […]

  3. […] refutado, googlem aí), é uma premissa que sempre soa interessante. Funcionou moderadamente bem em Sem Limites (parando pra pensar, ambas as premissas são bem parecidas, hein) e encontra melhor espaço aqui, […]

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