| Planeta dos Macacos: A Origem | Clássico da ficção científica ganha vida nova

4.0


Só faltou o Kong: Liderados por Cesar, os símios atacam a ponte Golden Gate

Eu estou muito orgulhoso e satisfeito com a Fox. Por muitos anos, a empresa foi responsável por alguns dos blockbusters mais imbecis da atualidade, cujo foco não passava além de arrecadação nas bilheterias (pra citar um exemplo, X-Men Origens: Wolverine). Vida nova no estúdio, que acerta grande pela segunda vez este ano (quem esqueceu do X-Men – Primeira Classe?) com um excelente retorno ao Planeta dos Macacos.

Inspirando-se no quarto filme da franquia (A Conquista do Planeta dos Macacos, de 1972), a trama mostra os eventos que levaram os símios a dominarem o planeta, girando em torno do macaco Cesar e as alterações genéticas que o tornaram superinteligente.

Planeta dos Macacos: A Origem é uma grande surpresa. Na minha opinião tinha tudo para dar errado, mas felizmente o resultado é mais do que satisfatório. A começar pelo roteiro de Ricka Jaffa e Amanda Silver, que traça perfeitamente a saga dos personagens e cria diálogos e situações eficientes que sucedem em contar bem a história – mesmo que não escape de algumas incoerências (como uma explicação mais elaborada no vírus ALZ 112). De quebra, ainda há muito respeito pelo original (atenção a uma importante notícia de jornal) e diversas referências empolgantes (fiquem até o fim dos créditos!

Com um roteiro consistente em mãos, o diretor Rupert Wyatt respeita o material e elabora diversas táticas visuais para adaptá-lo às telas, mostrando-se um talentoso contador de histórias que sabe bem quando equilibrar o drama (é tocante a cena em que Cesar olha assustado a seu redor após proteger seu mentor) e a ação – aqui, um espetacular ataque na ponte Golden Gate. Wyartt também mostrou habilidade em trabalhar com efeitos visuais impressionantes.

Encarregados pela Weta – a empresa de Peter Jackson que trabalhou em O Senhor dos Anéis, King Kong, Avatar, entre outros – os efeitos digitais que criam os diversos sídios do filme garantem a eles um realismo assombroso. Chimpanzés, gorilas e orangotangos enchem as telas e têm todas as suas feições e movimentos espelhados pelo CG, que conta com a tecnologia de captura de performance (a mesma de Avatar), que  ajuda a fortalecer a sensacional performance de Andy Serkis.


A tecnologia de captura de performance transforma Andy Serkis no macaco Cesar

Serkis, especialista em personagens computadorizados, mostra mais uma vez que tais performances merecem reconhecimento de premiações. Perfeito como o macaco Cesar, ele utiliza como grande trunfo os olhos (humanos ao extremo), que servem para o personagem expressar-se de forma bem subjetiva, e a captura de performance mantém o impecável trabalho do ator, que merece uma indicação ao Oscar pelo trabalho.

Mesmo com Cesar na linha narrativa principal, os humanos também conseguem brilhar. James Franco continua apresentando imenso talento ao preencher o dr. Will Rodman de determinação, enquanto John Lithgow acerta ao explorar corretamente a doença do pai de Will. Do outro lado, Freida Pinto serve apenas como enfeite e Tom Felton repete o estilo malvado do Draco Malfoy de Harry Potter, ganhando destaque por trazer de volta os icônicos bordões de Charlton Heston.

Entre os valores técnicos, a direção de arte é criativa no design dos laboratórios e nas terríveis jaulas onde os macacos ficam aprisionados. A montagem é ágil e bem coordenada – principalmente nas cenas de ação – e a trilha sonora de Patrick Doyle é excelente, empolgando nos momentos mais radicais a passo em que funciona também nos mais dramáticos.

Alcançando o efeito de reboots como Star Trek e Batman BeginsPlaneta dos Macacos: A Origem é um ótimo retorno à franquia original – não incluo aí o fraco remake de Tim Burton – e um dos melhores blockbusters do ano, repleto de agradáveis referências e uma trama bem equilibrada e cheia de conteúdo para refletir. Parabéns Fox, continue assim.

Ficha Técnica

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8 Respostas to “| Planeta dos Macacos: A Origem | Clássico da ficção científica ganha vida nova”

  1. Também gostei bastante do filme, a ponto de considerá-lo um dos melhores lançamentos de 2011 até agora. Serkis está formidável, e a direção é bastante coerente nas abordagens da história e no respeito ao histórico da franquia, além dos sutis ganchos (“Perdidos no espaço”, no jornal) e referências. [8/10]

  2. […] mais: | Planeta dos Macacos: A Origem | Clássico da ficção … – Lucas Filmes Esta entrada foi publicada em Sem categoria e marcada com a tag clássico, ficÇÃo, filmes, […]

  3. Thaissa Morebo Says:

    Concordo plenamente com Mateus, realmente esse filme é surpreendente. O personagem Cesar é espetacular. Sem palavras, pois estão todos de parabéns!!

  4. Johao Paulo (Com h mesmo) Says:

    Só tem uma frase para expressar o brilhantismo do filme: Puta que pariu! “Assistam.”

  5. […] de um reboot. Eu pessoalmente nem consigo acreditar que a Fox tenha acertado em cheio com Planeta dos Macacos: A Origem em 2011, sendo uma das grandes surpresas daquele ano e uma das mais eficientes retomadas de […]

  6. […] o roteiro assinado por Rick Jaffa, Amanda Silver (dupla responsável pelo ótimo reboot de Planeta dos Macacos), Derek Connolly e o diretor Colin Trevorrow – repararam em quantas pessoas diferentes aqui? […]

  7. […] o roteiro assinado por Rick Jaffa, Amanda Silver (dupla responsável pelo ótimo reboot de Planeta dos Macacos), Derek Connolly e o diretor Colin Trevorrow – repararam em quantas pessoas diferentes aqui? […]

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