| A Pele que Habito | O perturbador novo filme de Almodóvar


A Noiva de Frankenstein: Antônio Banderas e sua criação, com os traços de Elena Anaya

A busca pela perfeição estética ganha um psicótico novo olhar com o novo longa do diretor Pedro Almodóvar. Com Antonio Banderas à frente de um elenco equilibrado e um roteiro surpreendente, A Pele que Habito é um filme poderoso e uma das experiências mais marcantes do ano.

A trama gira em torno do cirurgião plástico Robert Ledgard que, após a morte de sua mulher, trabalha obsessivamente na confecção de uma “pele perfeita”, ignorando qualquer escrúpulo moral.

Tomando o livro Tarantula de Thierry Jonquet como fonte de adaptação, Almodóvar escreve e dirige o longa, cumprindo ambas as tarefas com seu habitual talento, principalmente no controle dos personagens (cada um deles ganha o foco necessário aqui) e na mistura de gêneros – um diretor menos experienciado transformaria o filme em uma bagunça – gerando inúmeras discussões sobre moral e a ética científica. Todos os planos escolhidos pelo cineasta são fantásticos e ganham força com o design de produção de Antxón Gómez, que preenche diversos cenários com elementos vestuários (vestidos, manequins e a loja onde um dos personagens trabalha) e reforça ideias subjetivas (como a decoração da casa de Ledgard, repleta de quadros que realçam a beleza do corpo humano); quase que criando uma cena perfeita.

Contribuindo na criação da perfeição estética/visual, há também a fotografia de José Luis Alcaine (que acerta na posição dos objetos e nas tomadas onde Ledgard observa sua criação através de uma grande televisão) e a inquietante trilha sonora de Alberto Iglesias, que faz ótimo uso de violinos e batidas, fornecendo um tom sinistro ao longa.

Em uma das melhores performances de sua carreira, Antonio Banderas compõe o dr. Ledgard com um misto de sentimentalismo e loucura – basta observar sua vingança digna de serial killer num dos pontos-chave do filme, realmente assustador – carregando muito carisma. Belíssima em cena com um apertadíssimo collant, Elena Anaya (que trabalhou com Almodóvar em Fale com Ela) faz um ótimo trabalho com Vera, o “experimento” do protagonista, exibindo um olhar curioso e penetrante em suas cenas. Destaque também para Marisa Paredes como Marilia, que cria uma interessante relação mãe-e-filho com Banderas.

Se eu tenho algo a reclamar sobre a execução quase perfeita de A Pele que Habito é a mistura de narrativas. Em determinado ponto, somos apresentados a flashbacks de diferentes personagens – e a história que estes contam é essencial para entendimento da trama principal – mas alguns destes mostram-se desnecessários (como a trama secundária de Zeca, irmão de Ledgard) e desviam levemente a atenção do longa. Nada catastrófico.

A Pele que Habito é um dos filmes mais surpreendentes (e bizarros) que você verá este ano. Almodóvar segura bem o suspense, comete alguns erros mas o resultado é mais que satisfatório, contando uma conclusão que certamente assombrará o espectador ao fim da sessão.

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