| Compramos um Zoológico | Cameron Crowe retorna com um filme inspirador e divertido


Eye of the tiger: Matt Damon em um momento de reflexão com o tigre Spar

O título de um filme é muito importante. A partir do mesmo, o espectador pode ser fisgado pela ideia central do longa e saber exatamente sobre o que se trata. Compramos um Zoológico é um exemplo desse caso; ostentando um título chamativo e interessante (até mesmo os personagens do longa adoram pronunciá-lo), é impossível não ser atraído pela maravilhosa premissa do novo trabalho de Cameron Crowe.

Inspirada em fatos reais, a trama acompanha a tentativa de Benjamin Mee (Matt Damon) em mudar de vida com seus filhos após a morte de sua esposa. Surpreendendo a todos – inclusive a si mesmo – ele resolve comprar um zoológico falido e transformá-lo na maior atração do verão.

Depois de praticamente sumir do cinema, Cameron Crowe retorna à direção depois de seis anos (seu último trabalho foi Tudo Acontece em Elizabethtown, em 2005) com um filme divertidíssimo e original. Partindo de seu ótimo conceito, o diretor também co-assina o roteiro  com Aline Brosh McKenna, adaptado do livro de Benjamin Mee, e proporciona diálogos memoráveis e naturais, especialmente na relação pai-filho entre o protagonista e sua filha Rosie (a excelente Maggie Elizabeth Jones). Toda a personalidade de Mee é maravilhosamente bem construída ao longo do primeiro ato (como clipes mostrando sua vida de aventureiro, restaurantes que este passa a evitar após a morte da esposa) e explorada com sucesso ao longo da projeção.

Matt Damon contribui muito para o sucesso do longa, já que sua performance é carismática e tridimensional, conseguindo equilibrar o bom humor do personagem ao embarcar em um negócio diferente com seu lado mais sério, principalmente na falta de comunicação com seu filho mais velho (Colin Ford, bem expressivo). O elenco coadjuvante também faz bem, com Scarlett Johansson confortável na pele de Kelly, Thomas Haden Church (que partilha de uma interessante relação quase paternal com Damon) como um divertido alívio cômico e Elle Fanning – em um papel mais curto – adorável como sempre.

O que nos leva à natural direção de Cameron Crowe. Optando por planos mais “tradicionais”, o cineasta retrata bem a natureza preservada do Zoológico Rosemoor (em diversos momentos suas câmeras capturam o comportamento de certos animais, em um convincente ode à preservação ambiental) e consegue fazer o espectador se importar com a situação. Gosto também de certo momento em que o protagonista observa fotos em que encontra-se com sua esposa e a cena ganha vida diante de seus olhos, comprovando o talento de Crowe em criar uma cena emocional sem recorrer ao melodrama.

Acertando também na escolha da trilha sonora incidental, Compramos um Zoológico é um dos filmes mais divertidos do ano. O tema abordado é ligeiramente incomum, mas ganha um tratamento realista (não é fácil comprar e administrar um zoológico!) e bem-humorado e ainda consegue abordar temas familiares com a mesma qualidade. Para toda a família.

Crítica publicada em 18/12, pré-estreia do filme em SP.

2 Respostas to “| Compramos um Zoológico | Cameron Crowe retorna com um filme inspirador e divertido”

  1. […] novo filme de Cameron Crowe enfim começa a se revelar. Depois de Compramos um Zoológico, Aloha trará Bradley Cooper e Emma Stone numa comédia romântica sobre um militar que retorna à […]

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