| Tudo pelo Poder | Thriller político de tirar o fôlego

Eu não sou o maior admirador da política. Aliás, pode-se dizer que raramente (muito mesmo) acompanho eventos do assunto, a não ser por eleições presidenciais. É este o tema de Tudo pelo Poder, filme que traz George Clooney na cadeira de diretor pela quarta vez, um thriller político envolvente e magistralmente executado.

Baseando-se na peça de Beau Willimon, o longa apresenta o período de eleições presidenciais entre dois candidatos: o democrata Mike Morris (Clooney) e o republicano Pullman (Michael Mantell), colocando em foco o dedicado Stephen Meyers (Ryan Gosling), acessor da campanha de Morris que terá sua lealdade testada ao descobrir segredos obscuros sobre seu candidato.

Voltando à parte onde eu disse que não me interessava por política, eu fico surpreso que um filme cujo tema é completamente voltado à mesma, tenha conseguido funcionar tão bem para mim. Isso se deve à ótima direção de Clooney, que mantém o ritmo e tom eficiente durante toda a projeção, despertando o interesse do espectador por seus personagens – nesse sentido, o roteiro assinado por Grant Heslov, Clooney e Willimon também merece atenção, já que apresenta ótimos diálogos e contextualiza com objetividade o complexo mundo onde o longa se passa.

E é muito interessante acompanhar como os eventos vão se desenrolando nesse cenário político. Tomando o filme para si próprio, Ryan Golsing faz um excelente trabalho como Stephen, estabelecendo uma persona de “bom-moço” no primeiro ato e impressionando com sua mudança de caráter ao longo da ocorrêcia de eventos surpreendentes. Clooney aparece menos, mas consegue fazer de Mike Morris um personagem admirável em sua campanha (claramente inspirada na de Barack Obama, note por exemplo na imagem que traz o ator em um pôster eleitoral com design semelhante ao do atual presidente dos EUA), mas com “esqueletos no armário”. Aplausos também para Phillip Seymour Hoffman e Paul Giamatti, sempre ótimos coadjuvantes.

Tratando-se de um cenário aparentemente simples (sem locações exóticas, ou saltos temporais), não era de se esperar um cuidado tão atencioso e bonito com o visual. O diretor de fotografia Phedon Papamichael compõe cada ambiente do filme com imenso talento e criatividade, criando um dos planos mais bonitos do ano, onde Stephen tem uma revelação sobre Molly (estagiária de Morris, interpretada pela carismárica Evan Rachel Wood) enquanto senta no carro durante uma pesada chuva; e a câmera foca o rosto de Gosling enquanto o limpador do retrovisor vai removendo a água, ao mesmo tempo em que pequenas lágrimas vão descendo pela face do ator. Sensacional.

Tudo pelo Poder é um ótimo filme para fãs e não-fãs de política, mas principalmente aos admiradores de uma boa história, madura e inteligente. Esse é o poder do cinema: transformar um assunto que não interessa a alguns (no caso, eu) em um dos melhores filmes do ano.

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2 Respostas to “| Tudo pelo Poder | Thriller político de tirar o fôlego”

  1. […] como em Tudo pelo Poder (onde, no caso, eu não era tão interessado em política), O Homem que Mudou o Jogo tem a […]

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