| O Homem que Mudou o Jogo | Mais do que um filme sobre beisebol, um filme sobre escolhas


Momento forever alone: Brad Pitt em uma de suas melhores performances

O tema que um filme aborda não interfere em seu resultado. Não entendo nada sobre beisebol (e não sou tão interessado em muitos outros esportes), mas isso não significa que eu não ache O Homem que Mudou o Jogo desinteressante, muito pelo contrário; Bennett Miller comanda aqui um dos melhores filmes sobre o gênero a sair no cinema recente, beneficiando-se por seu impecável elenco.

A trama é voltada no time de beisebol Oakland’s Athletics, e em seu GM Billy Beane (Brad Pitt), que tenta resolver os problemas financeiros que têm impedido que seu grupo saia vencedor nos jogos de campeonato (“Existem times ricos e times pobres, aí mais embaixo tem um monte de porcaria. Aí depois estamos nós”). A situação toma uma reviravolta quando Beane se une com o analista Peter Brandt (Johan Hill), e juntos eles procuram mudar todo o esquema do esporte com um programa de computador, o Moneyball.

Assim como em Tudo pelo Poder (onde, no caso, eu não era tão interessado em política), O Homem que Mudou o Jogo tem a habilidade de satisfazer qualquer um, independente se o tema central é de empenho ou não de sua plateia. É aí que vemos o poder do cinema, a capacidade deste de nos fazer sentir afeto por diferentes longas, basta termos apenas uma boa história e aqui, temos uma dupla poderosa por tras do excelente roteiro: Aaron Sorkin (vencedor do Oscar ano passado, por A Rede Social) e Steven Zaillian (também oscarizado, por A Lista de Schindler), que enchem o longa de diálogos e momentos antológicos que conseguem driblar os clichês típicos do gênero – claro que alguns estão aqui, aliás não da pra mudar totalmente o jogo – e tornam o beisebol um pouco mais acessível para seus não-adeptos.

O não muito conhecido Bennett Miller (que não emplacava em nada desde sua indicação ao Oscar por Capote, em 2005) dirige o longa de forma contida, sem ousar nos planos ou nos maneirismos de câmera, deixando-o à total deriva de seu roteiro e elenco. Um acerto: Inspiradíssimo, Brad Pitt entrega aquela que é uma das melhores performances de sua carreira (ficando lado a lado com seu hilário Chad de Queime depois de Ler e o melancólico Benjamin Button), tratando o personagem como um sujeito muito otimista – como percebemos em suas inúmeras reuniões com gerentes e técnicos, onde ele nunca demonstra sinais de pânico – mas também supersticioso, nunca indo aos jogos de seu time (o plano deste sozinho em um estádio é maravilhosamente capturado pela fotografia Wally Pfister). Jonah Hill também se sai muito bem em seu primeiro papel dramático, conseguindo ir além do estereótipo do “nerd da computação”.

O Homem que Mudou o Jogo nos ensina muitas lições. Não apenas sobre beisebol (aqui, por exemplo, é fascinante acompanhar a desvalorização de jogadores por motivos banais), mas sobre todo o resto, já que este bate constantemente na tecla sobre as escolhas que surgem ao longo da vida e a consequência das mesmas (“Eu fiz apenas uma decisão na minha vida baseada em dinheiro. E eu juro que nunca mais a faria de novo”). Divertido e bem executado, não é um home run, mas ainda assim uma ótima jogada que certamente merece suas 6 indicações ao Oscar.

Obs: Esta crítica foi publicada em 28 de Janeiro, após eu assistir ao filme em Blu-ray, que adquiri em minha viagem para Nova York.

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4 Respostas to “| O Homem que Mudou o Jogo | Mais do que um filme sobre beisebol, um filme sobre escolhas”

  1. Não é um home run, mas eu adorei. Aliás, a cena do home run me arrepiou até a alma.

    Abs!

  2. […] “O Homem que Mudou o Jogo nos ensina muitas lições. Não apenas sobre beisebol (aqui, por exemplo, é fascinante acompanhar a desvalorização de jogadores por motivos banais), mas sobre todo o resto, já que este bate constantemente na tecla sobre as escolhas que surgem ao longo da vida e a consequência das mesmas. Comovente e bem executado, não é um home run, mas ainda assim uma ótima jogada que certamente merece suas 6 indicações ao Oscar.” Crítica […]

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