| As Aventuras de Tintim | Spielberg reacende seu espírito aventureiro


Só falta o chapéu: Tintim e o Capitão Haddock descobrem uma pista

O primeiro contato do diretor Steven Spielberg com “Tintim” aconteceu quando este ainda divulgava um de seus melhores trabalhos, Os Caçadores da Arca Perdida. Lendo críticas em um jornal francês, ele não parava de ouvir o quanto seu filme apresentava o estilo aventureiro do personagem criado por Hergé, e o diretor logo correu atrás do material original e seu autor mas, infelizmente, tal encontro nunca se deu – já que o belga faleceu semanas depois. Anos depois, Spielberg lança o deliciosamente frenético As Aventuras de Tintim, que certamente deixaria seu criador orgulhoso.

Adaptando duas histórias diferentes do personagem em uma só, a trama mostra o jornalista Tintim (Jamie Bell) investigando o mistério em torno de uma réplica de um navio chamado Licorne. A busca leva ele e seu cão Milu a conhecerem o Capitão Haddock (Andy Serkis), e juntos precisam encontrar o segredo que a miniatura guarda antes do maléfico Rackham (Daniel Craig).

Há tempos que eu não via um Spielberg tão inspirado. Seus últimos longas certamente apresentam qualidade (Cavalo de Guerra, inclusive), mas não o mesmo tom enlouquecidamente agitado de Tintim; o filme não pára em segundo algum, sua trama vai se desenrolando com grande velocidade e espetaculares cenas de ação vão brotando de todos os cantos. Claro, fica difícil desenvolver os personagens em meio a tanta adrenalina e esse talvez seja o único defeito do longa – a parceria entre Tintim e Hadock, por exemplo, se dá de forma brusca e sem muito tempo para o que os dois conheçam um ao outro a ponto de arriscarem suas vidas.

Em compensação, somos contagiados por um visual belíssimo (que honra a obra de Hergé, principalmente na adaptação dos personagens), que apresenta locações exóticas que logo servem de palco para inúmeras perseguições de carro – o já famoso plano-sequência da moto em Marrocos é tudo o que dizem mesmo – e sequências divertidas, como a que traz o divertidíssimo cãozinho Milu como protagonista. Ainda fica melhor com a excelente trilha sonora de John Williams (seu melhor trabalho desde Prenda-me se for Capaz), que traz ecos de suas composições em Indiana Jones, ao mesmo tempo, cria acordes empolgantes que conseguem capturar vigorosamente a aura da trama.

A captura de performance que traz o longa à vida também é impressionante. Talvez o melhor uso da tecnologia até hoje (até mais interessante do que a de Avatar ou Planeta dos Macacos), aqui foi possível criar um personagem completamente digital sem esquecer da performance de seu intérprete, e todo o elenco merece aplausos por seu desempenho. Jamie Bell traça Tintim cheio de inocência e sede de aventura, a passo que Daniel Craig cria um vilão memorável com seu Rackham (sempre com muita malícia em sua voz e andar) e Andy Serkis mostra mais uma vez sua imensa expressividade no retrato do bêbado Haddock.

As Aventuras de Tintim não é para os fracos. Ritmo intenso e sem descanso, o longa mistura ação e humor na medida certa e traz um Spielberg confortável e seguro na direção. Não é Caçadores da Arca Perdida (afinal, o que é?), mas certamente traz boas lembranças. Que venha a continuação!

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