| Os Descendentes | Honrando a camisa florida

4.0


George Clooney e Shailene Woodley em um momento crucial da trama

Todo mundo tem uma certa impressão sobre o Havaí. A maioria das pessoas tende a vê-lo como um paraíso tropical, um lugar para relaxar e isentar-se dos problemas rotineiros; imagem estabelecida por inúmeros filmes e seriados de TV. Os Descendentes mostra que sim, o Havaí é lindo e maravilhoso, mas nem por isso são todos os seus habitantes.

A trama gira em torno de Matt King (George Clooney), poderoso homem de negócios que se encontra em um grande problema quando sua mulher entra em coma, deixando-o responsável pelas duas filhas. Além disso, tem que tomar uma decisão importante em uma venda de terras que será definitiva para o estado e com um segredo deixado pela esposa.

Adaptado da obra de Kaui Hart Hemmings, Os Descendentes superou minhas expectativas. Alexander Payne não dirigia um longa desde Sidways – Entre Umas e Outras, e compensa a ausência de 8 anos com a divertida, e ao mesmo tempo dramática, história de Matt King. Com uma perceptível alma indie, Payne comanda o filme com leveza e humor, destacando as paisagens havaianas e criando planos originais (como a cena da piscina, onde as lágrimas de um dos personagens se escondem debaixo da água), assim como respeita algumas tradições típicas do Havaí; como retirar os sapatos antes de entrar em casa e a presença de camisas floridas até em reuniões de negócios. Payne também co-assina o roteiro, com Nat Faxon e Jim Rash e cria passagens memoráveis – o uso da narração em off nos minutos iniciais é bem aplicado e auxilia na introdução à trama e seus personagens – além de trabalhar muitíssimo bem seus personagens.

Merecem aplausos também o talentoso elenco reunido aqui. A começar por George Clooney, que só tem recebido elogios por sua performance aqui, e  ele certamente  os merece; o ator mostra-se muito carismático e consegue fazer de King um personagem realista e natural (com leves toques de bizarrice, como na hilária cena da corrida), ao mesmo tempo em que retrata seu lado frágil. É admirável também a química de Clooney com as intérpretes de suas filhas Scottie e Alexandra, Amara Miller e Shailene Woodley (ambas excelentes, mas Woodley chama mais atenção pela força/vulnerabilidade emocional de sua personagem) e como fica evidente a dificuldade do pai em lidar com as duas. De coadjuvantes, Matthew Lillard faz uma participação memorável como um corretor de imóveis – sem querer estragar uma surpresa da trama.

Os Descendentes é um filme maravilhoso, com um ritmo divertido e emocionante. É difícil para mim colocar em palavras o quanto gostei do filme, então digo apenas que é um longa que merece ser visto e que faz jus às suas indicações ao Oscar. Aloha!

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