| Sherlock Holmes: O Jogo de Sombras | Um jogo estilizado, mas brutalmente exaustivo

 


Holmes e Watson brindam antes de embarcar em uma nova aventura

O primeiro Sherlock Holmes foi uma grande surpresa. Guy Ritchie e Robert Downey Jr. acertaram ao apresentar uma releitura dinâmica para o detetive mais famoso do planeta, rendendo um filme divertido e arrojado na medida certa. Como todo sucesso de bilheteria, uma continuação é praticamente obrigatória, e infelizmente Sherlock Holmes: O Jogo de Sombras falha ao entregar o mesmo entretenimento de seu antecessor; forçando além do suportável os elementos que tornaram o primeiro tão agradável.

A trama traz Sherlock Holmes (novamente o encontramos no meio de um caso, só  que dessa vez não temos uma explicação coerente para a execução do mesmo), encontrando a mente criminosa mais letal do planeta: o professor James Moriarty (Jared Harris), que conspira iniciar uma guerra mundial. Para isso, Holmes recorre a seu parceiro Watson (Jude Law) e à cigana Simza (Noomi Rapace).

O grande problema de O Jogo de Sombras é seu roteiro incompreensível. Kieran e Michele Mulroney certamente são fãs das obras de Sir Arthur Conan Dyle (o clímax com a inclusão de um dos momentos mais icônicos da história do personagem comprova isso), mas não são capazes de tecer uma trama inteligente e plausível – seus rumos e escolhas fazem pouquíssimo sentido, e a dupla usa o exagero na tentativa de soar inteligente – ou de aproveitar o material do longa anterior. Por exemplo, se no primeiro filme Holmes usava sua dedução para situações mais “simples”, como a observação a partir das vestimentas de Mary, aqui ela se aplica a momentos incalculáveis (como o assassino no escritório de Simza), beirando o sobrenatural.

Da mesma forma, Robert Downey Jr. exagera na performance de Holmes que ele dominou tão bem no longa de 2009. Se antes ele mostrava o detetive como uma criatura inteligente com um leve toque de excentricidade, o ator o transforma em um sujeito quase que insano, mesmo que faça isso de forma divertida. Sua química com o eficiente Jude Law continua convincente, enquanto Jared Harris faz de Moriarty um adversário interessante e assustador (mesmo que seu potencial não seja explorado ao máximo) e Stephen Fry mostra-se a melhor coisa do filme na pele de Mycroft, irmão do protagonista.

Mesmo que com uma trama exaustiva e confusa, O Jogo de Sombras consegue impressionar o espectador com suas excelentes cenas de ação. Com mais estilo na veia, Guy Ritchie usa melhor seus maneirismos visuais aqui, especialmente na memorável perseguição na floresta (que comporta uso de slow motion lentíssimo e expressões quase caricatas de seus intérpretes, digno dos trabalhos anteriores de Ritchie) que surge para salvar o terceiro ato. A direção de arte, mesmo que digital em sua grande maioria, continua excelente e Hans Zimmer continua com o violino afiado na trilha sonora (mesmo que não apresente muitas novidades, além dos acordes para Simza).

Sherlock Holmes: O Jogo de Sombras não agrada como seu anterior, e vai deixar o espectador cansado de tantas reviravoltas, descobertas e deduções que surgem descontroladamente e sacrificam os bons personagens. É bonito e empolgante em determinados momentos, mas não é um jogo que eu repetiria.

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2 Respostas to “| Sherlock Holmes: O Jogo de Sombras | Um jogo estilizado, mas brutalmente exaustivo”

  1. muuuuuuiiiitoooo bommmm!!!!!!!!!

  2. […] sinistra a seu personagem (não esqueça, ele é o cara que entregou aquele Moriarty genial em Sherlock Holmes: O Jogo de Sombras), mas nem Sam Claflin (de Jogos Vorazes: Em Chamas) nem nehum outro dos estúpidos arquétipos […]

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