| O Artista | O filme mudo que tem dado o que falar

4.5


Os ótimos Jean Dujardin e Bérénice Bejo

É impressionante quando um filme consegue te fazer voltar no tempo, ainda mais quando é nostálgico como O Artista. Filme francês mudo e em preto-e-branco dirigido por Michel Hazanavicius, é disparado o favorito ao Oscar e certamente merece suas 10 indicações ao prêmio, sendo uma linda homenagem ao cinema dos anos 30.

A trama acompanha um dos momentos mais revolucionários da História do cinema: a chegada do som em um ambiente dominado por produções mudas, e como a inovação resultou no colapso de inúmeras estrelas. Nesse cenário, temos George Valentin (o ótimo Jean Dujardin) como um artista mudo que entra em decandência, a passo que a novata Peppy Miller (a apaixonante Bérénice Bejo) vai ascendendo como atriz do cinema falado.

É preciso muita ousadia fazer um filme mudo em pleno século XXI. Em tempos em que a indústria cinematográfica é sustentada, em sua maioria, por computação gráfica e conversões em 3D, eis que surge um pequeno grande filme que é bem sucedido justamente por retroceder às origens do cinema. O Artista parece e sente como um longa dos anos 20; desde sua apresentação (com os créditos antes do filme) até a montagem habilidosa e repleta de transições típicas da época. Eu não sou especialista no cinema mudo, mas percebe-se que o espírito de tais produções era o que é visto aqui: a grande expressividade dos atores que dá lugar às palavras (Dujardin e Bejo, assim como todo o elenco, são espetaculares) e o uso constante da trilha musical, no caso as ótimas composições de Ludovic Bource.

Hazanavicius entende o espírito da coisa e entusiastadamente usa-se de diversas referências. Há um pouco de Crepúsculo dos Deuses (não só pelo tema de transição, mas uma situação que remete bastante à de Norma Desmond no filme de Billy Wilder), Cantando na Chuva (que, curiosamente, é mais um exemplar do tema) e uma espetacular cena de sapateado digna de Fred Astaire. E mesmo assim, ele faz do filme algo seu e mostra-se criativo em suas composições visuais, como a ascenção de Peppy, que é brilhantemente retratada na cena de sua “subida” nos créditos de elenco e pela rima temática que traz Valentin saindo de um cinema lotado  durante a estreia de seu filme, conhecendo Peppy, apenas para posteriormente os papéis se inverterem e o astro mudo se tornar mais um na plateia, enquanto o nome de sua colega agora surge imponentemente no mesmo cinema. Genial.

O Artista é um deleite para amantes da Sétima Arte. Não posso ser o maior especialista em cinema, mas sei que Michel Hazanavicius fez aqui uma homenagem muito especial aos primórdios da indústria cinematográfica, e nem mesmo um Oscar é grande o suficiente para o filme. Uma verdadeira obra-prima.

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3 Respostas to “| O Artista | O filme mudo que tem dado o que falar”

  1. É mesmo uma obra-prima!

  2. […] “O Artista é um deleite para amantes da Sétima Arte. Não posso ser o maior especialista em cinema, mas sei que Michel Hazanavicius fez aqui uma ode muito especial aos primórdios da indústria cinematográfica, e nem mesmo um Oscar é grande o suficiente para o filme. Uma verdadeira obra-prima.” Crítica […]

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