| Tão Forte e Tão Perto | Tão dramático, mas tão apelativo


O ótimo Max von Sydow e o estreante Thomas Horn

O diretor Stephen Daldry realiza um feito notável com Tão Forte e Tão Perto. É seu quarto filme a ser indicado ao Oscar principal, sendo que seus três longas anteriores também marcaram presença na maior premiação do Cinema, o que mostra que Daldry sabe todos os elementos de um filme de Oscar. Sua adaptação para o livro de Jonathan Safran Foer não perdoa: é bonito e bem filmado, mas também apelativo e melodramático além da conta.

A trama se passa na Nova York pós-11 de Setembro, com o jovem Oskar (Thomas Horn) sofrendo com a morte de seu pai (Tom Hanks), presente em uma das torres do atentado terrorista que abalou os EUA. Sempre encorajado a seguir em expedições – consequência de sua síndrome de Asperger – o garoto parte em busca de uma fechadura para a chave que encontra no armário de seu pai, cruzando toda a cidade para desvendar seu segredo.

Certamente o” intruso” do Oscar deste ano, Tão Forte e Tão Perto não merece sua indicação. Mesmo trazendo uma direção habilidosa e muito inteligente (adoro os planos de Daldry, especialmente aqueles que retratam os maneirismos de Oskar, tais como as batidas na parede e o arranhar do carpete), o roteiro de Eric Roth é artificial e desgastante, apoiando-se em clichês e exageros em sua trama; sempre interrompida por desnecessários flashbacks. O roteirista de Forrest Gump e Benjamin Button é muito obcecado em arrancar lágrimas do público (reparem como quase todos os seus trabalhos terminam da mesma forma, com uma conclusão emocional envolvendo diversos personagens) e mesmo que seus diálogos sejam bem elaborados – o excesso de curiosidades aumenta o entretenimento -, o foco narrativo muitas vezes é perdido, tal como nos encontros de Oskar com os Blacks, que não apresentam nenhuma naturalidade e soam sempre artificiais e improdutivos; mas ao menos a montadora Claire Simpson os ritmiza de forma a não torná-los cansativos.

Um dos grandes acertos é como Daldry retrata a cidade de Nova York como um lugar imenso, com sua câmera sempre elevando seus planos e perspectivas (principalmente ao capturar os arranha-céus) e deixá-la completamente sob ponto de vista de seu protagonista. No entanto, o estreante Thomas Horn é falho ao mostrar Oskar como um personagem agradável, tendo surtos exageradíssimos (em uma caricatura de Asperger nada convicente) e narrações em off irritantes. Se há um elemento que realmente vale a pena é o ótimo Max von Sydow que, sem dizer uma única sílaba o filme todo, se destaca dentre todo o elenco a todo fotograma que aparece; conseguindo até tornar suas cenas com Horn mais apreciáveis.

Trazendo uma calorosa trilha sonora de Alexandre Desplat, Tão Forte e Tão Perto mostra o desespero para se receber indicações ao Oscar (Oskar, alguém?). Stephen Daldry acerta no visual e na ambientação de sua trama, mas não consegue evitar seus inúmeros clichês e situações desnecessárias, além de carecer por um protagonista mais talentoso. Um título melhor seria Tão Dramático e Tão Apelativo

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2 Respostas to “| Tão Forte e Tão Perto | Tão dramático, mas tão apelativo”

  1. […] Trazendo uma calorosa trilha sonora de Alexandre Desplat, Tão Forte e Tão Perto mostra o desespero para se receber indicações ao Oscar (Oskar, alguém?). Stephen Daldry acerta no visual e na ambientação de sua trama, mas não consegue evitar seus inúmeros clichês e situações desnecessárias, além de carecer por um protagonista mais talentoso. Um título melhor seria “Tão Dramático e Tão Apelativo”… Crítica […]

  2. […] Max Von Sydow (veterano de diversos filmes de Ingmar Berman, e indicado ao Oscar por Tão Forte e Tão Perto) […]

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