| Poder sem Limites | Uma abordagem original (e sombria) ao gênero de super-heróis


Dane Deeham abraça o “lado sombrio” de suas habilidades

O que você faria se tivesse uma habilidade extraordinária? Bordaria uma fantasia e sairia para combater o crime e a injustiça? Ou usaria para bens puramente pessoais? Os adolescentes que protagonizam Poder sem Limites passam longe dessas alternativas, e o resultado é uma das mais inventivas entradas no gênero de super-heróis, assim como na ferramenta do found footage.

Ambientada nos dias atuais, a crônica do longa foca-se nos amigos Andrew, Steve e Matt que recebem poderes impressionantes após a estranha contaminação com uma substância desconhecida. Sob posse de tais dons, eles resolvem usá-las para diversão e zoeiras, até que a situação vai fugindo do controle quando um deles sucumbe a uma natureza sombria.

Comandado pelo estreante Josh Trank, Poder sem Limites é uma bela surpresa dentro de um gênero que cada vez mais tem sido prejudicado por repetições. Por recorrer a uma solução mais realista, o diretor ganha créditos ao retratar o que jovens do colégio de fato fariam se fossem dotados de habilidades de telecinese, força e voo – o que rende alguns esquetes divertidos com as brincadeiras do trio. E a presença desses momentos de humor, funciona a favor do roteiro de Max Landis e do próprio Trank, já que dessa forma os personagens são humanizados, e o espectador acredita que são pessoas normais e até mesmo a perturbadora transformação de Andrew (Dane Deehan) é justificável, já que conhecemos e entendemos a difícil situação que este enfrenta; e a performance do ator é bem-sucedida durante essa manifestação.

O que chama atenção também, é a engenhosa execução do filme, que usa com inteligência o método do found-footage (aquele mais documental, com a câmera dentro da história) a passo que apresenta imagens de filmagem comum até trechos de câmeras de segurança e celulares – e nesse quesito, a montagem de Elliot Greenberg merece créditos por costurar com habilidade o universo dos personagens, ganhando destaque no dramático (e repleto de de ação) clímax. Se há um quesito falho na produção são os efeitos visuais, que soam irregulares e poucos convincentes em diversos momentos (especialmente nas fraquíssimas cenas de voo), ainda que funcionem nas manifestações mais sutis das habilidades do trio.

Com performances eficientes de seu jovem e desconhecido elenco, Poder sem Limites expande o leque de possibilidades em um filme de super-heróis, beneficiando-se de sua abordagem realista e da narrativa habilidosa. Um belo começo para Josh Trank, e não é preciso um super-poder pra saber que esse é um nome para seguir de perto.

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4 Respostas to “| Poder sem Limites | Uma abordagem original (e sombria) ao gênero de super-heróis”

  1. […] arrastado primeiro ato, onde se salva a performance do ótimo Michael B. Jordan (você já o viu em Poder sem Limites e provavelmente o verá muito mais…), que absorve todas as complicações, intrigas e […]

  2. […] dedo por J.J. Abrams. E fora da cronologia, teremos também Gareth Edwards (Godzilla) e Josh Trank (Poder sem Limites) para comandar derivados ainda não […]

  3. […] aí, parece que Projeto Almanaque será uma grande obra, seguindo a mesma linha do ótimo Poder sem Limites. Porém, a decisão de Deutschman e Pagan de se ater a temas adolescentes revela-se entediante […]

  4. […] de Josh Trank ter dirigido o ótimo Poder Sem Limites e um elenco realmente fantástico ter sido escolhido, é difícil de acreditar que este […]

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