| Drive | Um anti-herói para se nunca esquecer


O Motorista ou o Piloto? Ou simplesmente, Driver?

Não sabemos muito sobre o personagem de Ryan Gosling em Drive. Ele é silencioso, habilidoso com carros, simpático com seus vizinhos e também incrivelmente violento. Ele não participa de roubos ou assaltos, ele dirige. Sua função é tão fundamental, que nem o nome do Motorista nós descobrimos, mas o diretor Nicolas Winding Refn consegue manter o filme interessante todo o tempo, graças à sua inspirada direção.

A trama é sobre o Motorista misterioso comentado acima. Ele trabalha como dublê de filmes de ação em Hollywood, enquanto à noite ele age como piloto de fuga para roubos criminosos e atividades do gênero. Tudo muda quando ele se envolve com sua vizinha Irene (Carey Mulligan), e o marido da mesma, que o coloca dentro de um golpe envolvendo dois perigosíssimos criminosos.

Não há nada de novo ou revolucionário quanto ao roteiro de Drive, assinado por Hossein Amini (que adapta o livro de mesmo nome, de James Sallis), que segue uma estrutura básica e formulaica. Temos bons personagens e diálogos eficientes, mas o que realmente se destaca é a brilhante execução fornecida pelo diretor dinamarquês – merecidamente premiado em Cannes por seu trabalho, e injustamente esnobado pelo Oscar deste ano. Refn adota o Motorista como alma e centro do filme, e mesmo quando embarcamos em uma cena de perseguição, a câmera predomina no interior do veículo do protagonista – cujos olhos sempre são perceptíveis pelo retrovisor, numa esperta homenagem à Taxi Driver.

O estilo de Refn prepondera durante grande parte da projeção – o cineasta acerta ao não exagerar nos maneirismos, como fez Zack Snyder em seu Sucker Punch – Mundo Surreal – e rende momentos que já podem se considerar marcantes. A primeira cena já é um exemplo de inteligência e agilidade, onde conhecemos o protagonista, entendemos seu trabalho e a técnica com que realiza suas escapadas noturnas; e mal ouvimos uma palavra, já que a boa trilha de Cliff Martinez estabelece bem o clima, a passo que a trilha sonora instrumental oitentista (a indústria anda nostálgica, não?) fortalece e entretém determinadas cenas (como o uso da canção “Oh my love”, de Riz Ortolani, em uma situação-chave). E o que dizer daquela cena monstra do elevador? Linda, tensa, romântica e assustadoramente violenta. Ah sim, Drive não perdoa em seus frenesis de sangue e disparos de shotguns, e o fato de estas se darem de forma inesperada transforma a experiência em algo mais urgente e tenso (parabéns aos responsáveis pela edição de som).

Quanto ao elenco, Ryan Gosling abraça toda a persona calma do Motorista, contribuindo para a imagem subjetiva do personagem. É interessante ver como ele contracena com a inocente Irene (Carey Mulligan, fofa) ou com o companheiro Shannon (Bryan Cranston) e também que por mais que o Motorista seja agressivo, não há figura mais maldosa do que o Bernie Rose de Albert Brooks, ou o Nino de Ron Perlman, ambos surgindo como antagonistas memoráveis.

Muito estilo, boas músicas e momentos de tirar o fôlego e ainda sabemos muito pouco sobre o Motorista. Ele usa veste uma jaqueta bacana, mastiga um palito de dente, usa uma máscara inesquecível para completar um serviço e, principalmebnte, ele dirige/conduz toda a trama.

O Motorista de Drive acaba de entrar para a História.

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Uma resposta to “| Drive | Um anti-herói para se nunca esquecer”

  1. […] Oscar Isaac (Inside Llewyn Davis, Drive) […]

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