Análise Blu-ray | MILLENNIUM: OS HOMENS QUE NÃO AMAVAM AS MULHERES

ATENÇÃO: Considerando que alguns extras analisem momentos específicos da trama, o post a seguir contém SPOILERS para aqueles que não assistiram ao filme.

O Filme

A versão hollywoodiana da garota do dragão tatuado é um dos melhores filmes lançados em 2012 no Brasil até agora, e traz David Fincher em sua melhor forma. Contando com um elenco talentoso que traz a inspirada Rooney Mara em um papel desafiador, Millennium: Os Homens que Não Amavam as Mulheres é um thriller estilizado, sombrio e que remete a alguns dos melhores momentos da carreira do diretor. Excelente filme, mas não para os fracos do coração. Crítica

DISCO 1

Comentário em Áudio com David Fincher

Como é de costume nos lançamentos de seus filmes, o diretor David Fincher fornece uma dinâmica e esclarecedora faixa de comentário em áudio. Aqui, ele revela alguns de detalhes de cenas específicas (como os créditos de abertura, a polêmica composição do estupro, o gato “Scotty” entre muitas outras) e ótimas curiosidades (sabe aquele momento em que Daniel Craig agilmente apanha uma garrafa de água caindo? Um genial improviso). Perfeito, o áudio só ajuda a evidenciar (ainda mais) perfeccionismo do cineasta.

DISCO 2

Men who Hate Women

Em menos de 10 minut0s, o elenco principal e membros da equipe discutem o sucesso internacional da trilogia Millennium, escrita pelo sueco Stieg Larsson. Craig, Mara, Fincher, Steven Zaillian (roteirista) apontam os movitos que tornam a obra tão marcante e como uma profunda análise nas camadas inferiores da sociedade – movida pela violência contra a mulher – gerou uma das mais icônicas personagens dos últimos anos. Bom, mas poderia desenvolver-se um pouco mais (são apenas 6 minutos).

CHARACTERS

LISBETH SALANDER

Casting Salander

Aqui, acompanhamos de perto o processo de seleção de Rooney Mara (bem descontraída) para Lisbeth Salander. A atriz detalha os longos testes (que duraram mais de 2 meses) que enfrentou e a responsabilidade que viria ao encarnar a personagem. Acho impressionante como Fincher a contratou em agosto de 2010, apenas alguns meses após a conclusão de seu A Rede Social. O diretor não pára.

Different in Every Way

Rooney Mara, David Fincher, Steven Zaillian e outros discutem as características que tornam Lisbeth Salander “diferente em todos os aspectos”, circulando seu passado violento e até uma certa disfunção psicológica. A equipe acerta ao rebater o argumento de que Salander seria uma heroína, e garante uma boa análise sobre a personagem.

The Look of Salander

Dominado por depoimentos de Rooney Mara e da carismática figurinista Trish Summerville, este featurette disseca as camadas que compõe o visual de Lisbeth Salander. As duas falam sobre a escolha do figurino, os diferentes penteados, os piercings (que, sim, foram de verdade) e o desenho apropriado para as tatuagens que preenchem seu corpo.

Mara/Fincher

Featurette totalmente voltado na relação entre o diretor David Fincher e a atriz Rooney Mara, tendo em foco uma pequena cena onde Salander espiona o apartamento de Wennerstrom. Mara comenta alguns requisitos da performance (ir morar sozinha na Suécia, distanciar-se de amigos e família) e como seu diretor a orientou para capturar perfeitamente a alma da personagem.

Irene Nesser

Aqui, o foco principal é a transformação física de Rooney Mara para o disfarce de Irene Nesser, logo no fim do filme. Perucas, maquiagens e algumas piadas divertidas (Fincher apostando se a atriz seria capaz de caber em um armário), é irônico que Mara tenha detestado vestir-se como Nesser, já que já havia se acostumado com o visual dark de Salander.

Salander Screen Test Footage

Armado com uma mini-câmera escondida, David Fincher saiu com uma Rooney Mara totalmente caracterizada como Salander pelas ruas e o metrô, a fim de ajudá-la a entrar na personagem e compreender o isolamento requerido. Ótimo, mas a qualidade do vídeo deixa a desejar – mas tudo bem, é uma câmera oculta.

MIKAEL BLOMKVIST

Casting Blomkvist

Similar ao Casting Salander, mas com a diferença de que o jornalista Mikael Blomkvist não se apresente um personagem tão difícil de se interpretar (isso se compararmos o extenso processo de seleção enfrentado por Rooney Mara), e sim uma questão de encontrar alguém que trouxesse a aura apropriada. Daniel Craig comenta a escalação, o trabalho com David Fincher e sua admiração pelo diretor; assim como a importância de um bom roteiro.

Daniel Craig on Film Acting

Muito breve, mas com grande eficiência, Daniel Craig compartilha suas primeiras experiências como ator e como sua tática foi testada durante as filmagens de Millennium. Após ver essas entrevistas, fica a impressão de que Craig é um tremendo profissional (muitos gestos do personagem, tiques e manias vieram de sua cabeça) e um cara simpático.

Dressing Blomkvist

A figurinista Trish Summerville fala novamente sobre sua contribuição com os figurinos do filme, dessa vez centrando-se no personagem de Mikael Blomkvist. Ela não detalha muito suas escolhas ou define algum padrão específico – já que o extra não passa dos 3 minutos -, mas tiro o chapéu pela qualidade do guarda-roupa. Blomkvist se veste bem pra cacete.

The Investigation (Stills)

Aqui temos quatro galerias com fotografias antigas retratadas ao longo do filme, assim como imagens de alguns cenários (como o chalé de Blomkvist). O grande atrativo é observar a atenção aos detalhes em certos elementos, como a parede repleta de fotos e anotações sobre a família Vanger (é possível visualizar cada ligação, observação feita pelo jornalista) e também o cuidado ao fornecer uma resolução estragada, antiga. Perfeito complemento.

MARTIN VANGER

Stellan Skarsgard on Film Acting

Certamente o ator sueco mais conhecido do filme, Stellan Skarsgard fala sobre sua técnica de atuação, oferecendo uma interessante comparação entre o método de David Fincher e o de Lars Von Trier (com quem filmou Melancolia, lançado ano passado), acentuando a distinta diferença entre os dois. Tem uma duração curta como o featurette voltado a Daniel Craig, mas é igualmente eficiente.

Pscychopathy

Stellan Skarsgard comenta seu estudo sobre psicopatas, e os benefícios (e malefícios) de se interpretar um, como vemos em sua ótima performance de Martin Vanger. O ator ainda fala sobre como trabalhou para tornar o personagem agradável e inofensivo durante a primeira metade do filme, e que a revelação de suas reais intenções fosse pertinente à trama.

Bonding

Primeira fase de testes sobre a cena da tortura. David Fincher analisa o tipo de mecanismo que usará para prender Mikael Blomkvist, a “coleira” certa e outros detalhes técnicos pertinentes. Fica tenso quando uma pequena discussão surge, quando o responsável pelo equipamento irrita-se com a obsessão de Fincher em achar a armadilha ideal e fica incapaz de atender a seu pedido.

Torture

Mais uma vez sobre a cena da tortura, vemos aqui o mecanismo desenvolvido para que o dublê de Daniel Craig fosse arrastado pelo chão e, logo depois, pendurado pelo pescoço em um gancho. Vemos também o ator interagindo com o saco plástico.

Wrapped in Plastic

Fechando os extras sobre a cena da tortura, aqui vemos como a equipe criou um falso sufocamento para Craig, tendo um saco plástico como arma. Bem simples e direto, é interessante analisar esses mini-documentários como um só.

Set Design (Stills)

Parecido com The Investigation (Stills), aqui é possível acessar galerias que mostram o desenho de produção (desde a arte inicial até modelos 3D e até mesmo a planta geográfica) de alguns cenários do filme. Há a residência Vanger, o sótão com as flores emolduradas, casa de Martin, chalé de Blomkvist, entre muitos outros.

ON LOCATION

SWEDEN

Stockholm’s Syndrome

Iniciando a sessão sobre a Suécia, vemos aqui alguns comentários da produção sobre como foi a experiência de filmar em um país escandinavo. David Fincher salienta a importância de manter a história original em Estocolmo (mencionando a arquitetura da cidade, as pessoas e o frio congelante) e alguns membros do elenco afirmam que a viagem os ajudou a entender melhor seus personagens. É interessante também o choque entre o método americano e o sueco de filmagem.

Stockholm’s Tunnelbana

Bastidores da cena em que Lisbeth é assaltada no metrô de Estocolmo, onde vemos novamente a meticulosidade de David Fincher e, paradoxalmente, momentos em que este age com instinto e improviso. Exemplo: Lisbeth desce correndo a escada-rolante após recuperar sua bolsa e esbarra no café de uma mulher. “Devemos contar a ela?”, pergunta Rooney Mara; “Não”, replica o diretor.

Fuck these People

As gravações de uma cena que, eventualmente, acabou modificada e reencenada (o resultado final é o momento em que Salander revela a Blomkvist que possui informações a respeito de Wennerstrom). O ponto alto aqui é a hilária felicidade de David Fincher ao testemunhar um “arco-íris duplo” no céu. “Double rainbow! What the fuck does that mean?”. Divertidíssimo.

The End

Os bastidores da cena final do longa, onde Lisbeth tem seu coração partido. Há discussões com o elenco, diretor e roteirista sobre o significado temático (que Salander enfim atinge a maturidade e a capacidade de confiar em mais alguém) e uma exploração da parte técnica, tal como a posição apropriada de Rooney, o lançamento ideal do presente na lata de lixo e a manobra de motoclicleta que encerra o longa. Ótimo.

Picture Wrap

É registrado aqui o último dia das filmagens na Suécia, com a cena em que Lisbeth passeia pelos corredores do depósito da empresa Vanger e pega café em uma máquina. Não achei tão interessante, já que o foco do featurette gira em torno de uma máquina de café problemática e o conserto da mesma. Vale para ver as repetidas tomadas de Rooney Mara atuando.

HOLLYWOOD

Casting Armansky

Como o próprio nome já diz, acompanhamos uma breve exploração sobre a escalação do ator Goran Visnjic para o personagem de Dragan Armansky, chefe de Lisbeth Salander. É bom ver que Armansky ganhou devida atenção, considerando a importância que este tem nos dois últimos livros da trilogia. Na mesma sessão, é possível ver o teste do ator para o papel.

Thinking Evil Shit

Um extra dedicado totalmente a um movimento de câmera. Isso mesmo, UM movimento de câmera. Mas também, trata-se da engenhosa virada de ponta-cabeça, que se dá em um dos momentos cruciais da trama. Aqui, Fincher analisa o significado de tal mise em scène e como as câmeras usadas foram ajustadas, visando o resultado perfeito.

Rape/Revenge

Com muito profissionalismo e, tendo o cinema e a arte como base, David Fincher analisa as cenas de estupro e a importância das mesmas (em sua opinião, o ataque deve ser retratado graficamente, para que a vingança que surge posteriormente tenha uma justificativa) do filme e como foi difícil para Rooney Mara e Yorick van Wageningen (que revelou ter chorado após as gravações) atuar nessas situações. Há depoimentos de ambos os atores, do roteirista Steven Zaillian e do diretor de fotografia Jeff Cronenweth.

Int. Blomkvist’s Cottage/Salander’s Apartment/Martin’s House

Aqui temos três pequenos making ofs de algumas cenas do filme, onde a atenção fica para a iluminação e o posicionamento de personagens/objetos. Vemos a preparação do momento que precede a cena de sexo entre os protagonistas, Lisbeth preparando sua vingança e – o melhor deles – quando Mikael é sedado com uma imensa bomba de gás no porão de Martin Vanger (é divertido ver as inúmeras quedas do ator).

POST PRODUCTION

In the Cutting Room

Em cerca de 15 minutos, acompanhamos o glorioso processo de montagem, tendo os oscarizados Kirk Baxter e Angus Wall como principal orientação. A dupla explica como Millennium foi bem mais complexo do que A Rede Social, tendo em mente que o novo filme apresenta duas tramas paralelas distintas e diversas sequências de flashback (estas têm uma análise mais detalhada com David Fincher, diretamente da sala de montagem). Excepcional, principalmente se você curte o processo.

ADR

Uma breve olhada no estúdio de gravação do ADR (que é a adição e correção de novos sons ao filme, que vão de suspiros até diálogos inteiros), dando ênfase à cena da vingaça e a chegada à casa de Martin. Talvez seja o mais engraçado dos extras, já que David Fincher e Rooney Mara não economizam nas piadas (chulas, mas divertidas). No entanto, queria ver depoimentos de Ren Klyce, o sonoplasta encarregado de tal função no filme.

Main Titles

Trazendo o recurso de spli-screen (tela dividida), acompanhamos três estágios dos arrebatadores créditos de abertura do filme: animação inicial, intermediária e o resultado final.  Uma faixa de comentário com o diretor da sequência de animação, Tim Miller do Blur Studio, está disponível. Só acho que deveriamos ter depoimentos de Karen O e Trent Reznor sobre o cover de “Immigrant Song”.

Visual Effects Montage

Sem nenhum comentário, acompanhamos a construção de alguns efeitos visuais em diferentes cenas do filme. É interessante observar como até a mais simples das tomadas (como o gato arranhando a janela do chalé de Blomkvist) tiveram o uso de efeitos digitais, que surgem aqui como uma ferramente complementativa (neve digital, reflexo de carros, sangue). No entanto, me surpreendi com o uso do recurso na perseguição de carros que surge próxima ao clímax.

PROMOTION

Trailers & TV Spots

Como parte do material de divulgação, temos aqui 5 trailers (incluindo a versão Rated R do famoso teaser trailer) e 10 comerciais de TV. Já disse várias vezes e repito: a presença desse tipo de extra só ganha pontos. Só não leva nota máxima por não trazer o trailer de 8 minutos exibido no Festival de Toronto do ano passado.

Hard Copy

Aqui é disponibilizado um documentário falso (um tanto sensacionalista) que investiga o desaparecimento de Harriet Vanger. O que chama a atenção é o visual do vídeo, que é apresentado em baixíssima qualidade de imagem – na tentativa de reproduzir a de um video-cassete – e de som. Mais um bom suplemento.

Metal Sheet Production

Vemos aqui a produção de um pôster de metal do filme. Já publiquei anteriormente no blog, mas é um bom material extra.

Nota Geral:

Sem dúvida um dos melhores blu-rays que já adicionei à minha coleção. Além de trazer o filme em uma qualidade de imagem e som perfeitas, uma quantidade enorme de material extra e menus caprichados, apresenta uma embalagem invejável (bem, ao menos a versão americana). O filme ainda não foi lançado no mercado brasileiro mas quando for, deverá ser uma prioridade.

Preço: A definir.

Observação: Consegui o filme em blu-ray graças a uma colega que viajara aos EUA na semana passada. Muito obrigado, dona Marlene!

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3 Respostas to “Análise Blu-ray | MILLENNIUM: OS HOMENS QUE NÃO AMAVAM AS MULHERES”

  1. Olá, estou na dúvida para poder comprar, sabe informar se a edição brasileira é dupla ou simples? Grato!

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