| Branca de Neve e o Caçador | Deveriam é ter seguido os Grimm à risca


Charlize Theron como a Rainha Ravenna: caracterização da personagem é o ponto alto

Talvez seja pelo excesso de fantasia adulta em Game of Thrones, mas Branca de Neve e o Caçador simplesmente não empolga. Tirar versões sombrias e até idealizar uma ambientação moderna de contos de fada tem sido uma mania constante em Hollywood, mas que não rendeu bons frutos até agora – e o filme do novato Rupert Sanders não é uma excessão.

Eu sinceramente não me lembro do conto dos Irmãos Grimm para a Branca de Neve, mas a trama do filme certamente faz mudanças drásticas. Aqui, a personagem-título (Kristen Stewart) é aprisionada pela Rainha Ravenna (Charlize Theron) quando esta domina o reino de seu pai. Quando a jovem escapa, é perseguida por um caçador (Chris Hemsworth), que acaba por simpatizar com sua causa e, posteriormente, ajudá-la a derrubar a perversa rainha do poder.

Pra começar, a ideia de um filme sobre a Branca de Neve não é algo que me atrairia (ao menos que os grandes estúdios tivessem a audácia de reproduzir a história original, dos Grimm) e eu até mesmo fiquei surpreso pelo fato de ter visto o filme (fugindo da chuva, pareceu uma boa opção…). Tendo um diretor sem experiência cinematográfica no comando, os problemas de coesão do roteiro assinado por John Lee Hancock, Evan Daughterty e Houssein Amini só se agravam; Sanders tem mão fraca nas pedantes cenas de ação, ainda que apresente inventividade visual – principalmente quando Charlize Theron está em cena (o banho de rejuvenescimento a lá O Procurado é um dos pontos altos).

Aliás, é nesse quesito que a produção realmente se destaca: a Rainha Ravenna. O figurino costurado pela especialista Coleen Atwood (vencedora de três Oscars, o último deles por Alice no País das Maravilhas) merece aplausos por tornar as vestimentas da história palpáveis e realistas (o Caçador carrega inúmeras machadinhas em sua cintura) , sem faltar um toque de fantasia (tome como exemplo o vestido de corvos de Ravenna). Infelizmente, Theron grita um pouco alto demais e sua performance é prejudicada pelo exagero, quase desperdiçando o belo trabalho da equipe técnica.

Não dá pra dizer que Kristen Stewart se sai melhor como protagonista. Heroína de ação? De jeito nenhum (aliás, qual dos três roteiristas teve a ideia besta de transformar Branca em uma guerreira?). Brados contra criaturas da floresta? Pior ainda. Chris Hesmworth troca o martelo pelo machado e consegue arrancar o estereótipo que o Caçador traz, comprovando que seu carisma em Thor não foi sorte de principiante. Uma agradável surpresa é a presença dos Sete Anões, que ganham rostos conhecidos (como Nick Frost, Ian McShane e Ray Winstone) em uma impressionante técnica de efeitos visuais.

Branca de Neve e o Caçador é muito bonito visualmente, mas peca em conteúdo. Sua história não prende, se confunde e desperdiça algumas ótimas ideias (como a aldeia que provoca auto-mutilações a fim de ser “menos bonitas” do que Ravenna) em uma narrativa longa além do necessário.

No entanto, alcança um dos objetivos de todos os contos de fada: causa sono.

Obs: Os créditos finais são muito bonitos. Vale a pena ficar na sala após o fim do filme.

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4 Respostas to “| Branca de Neve e o Caçador | Deveriam é ter seguido os Grimm à risca”

  1. […] Branca de Neve e o Caçador | Colleen Atwood […]

  2. […] de Dylan Cole é criativo e feliz ao apostar no cartunesco (o que o diferencia de, por exemplo, Branca de Neve e o Caçador), mas alguns efeitos digitais praticamente transformam o filme em uma animação artificial […]

  3. A idéia de “transformar Branca de Neve em guerreira” veio da lenda original CELTA na qual os Grimm se inspiraram para escrever o Conto. Os Grimm é que tiraram da princesa esse atributo, que ela tinha na lenda original.
    Historiadores dizem que a rainha (aqui chamada Ravenna) foi citada em registros de vários povos, por muitas gerações, com nomes diferentes, como Semíramis, Ishtar, Ranavalona, Rhianna, Ravenna, etc… Ela sempre surgia do mesmo modo: como prisioneira de um exército que era derrotado, como estratégia de se infiltrar nos reinos, tornar-se rainha e em seguida matar os reis, e abrir as postas para a entrada de seu exército.
    Em todas as histórias desta personagem, seu aparecimento é obscuro, ou sua identidade é duvidosa, não se sabe bem qual a sua origem, mas acredite, ela existiu de fato…
    A lenda Celta de Branca de Neve conta como esta mulher foi morta, após muitas e muitas gerações de QUASE imortalidade.

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