| Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge | A épica conclusão da franquia super-heróica definitiva

4.5


The name is Bane: o mascarado de Tom Hardy veio para quebrar o Morcego

O texto abaixo traz descrições de cenas específicas, mas nenhum SPOILER GRAVE.

Sete anos atrás, Batman Begins redefiniu o gênero blockbuster ao abordar um personagem fantasioso com estética e execução realista. Quatro anos atrás, Batman – O Cavaleiro das Trevas elevou o nível de adaptações de quadrinhos (e também de continuações) ao mergulhar ainda mais fundo no psicológico de seu protagonista. E aqui estamos nós com Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge, que alavanca ainda mais a dramaticidade do Homem-Morcego em uma conclusão de escala faraônica.

Ambientada oito anos após o desfecho do filme anterior, a trama traz uma Gotham City em tempos de paz e harmonia, onde o Comissário Gordon (Gary Oldman) colocou fim a praticamente todas as organizações criminosas e Bruce Wayne (Christian Bale) encontra-se tanto aposentado de sua vida Batman, como exilado da sociedade. Uma tempestade aproxima-se quando o mercenário Bane (Tom Hardy) chega à cidade trazendo consigo um plano misterioso de destruição, e a ameaça forçará Wayne a trazer de volta o Cavaleiro das Trevas.

Primeiramente, é admirável a coragem e determinação de Christopher Nolan em continuar a história após o impecável Cavaleiro das Trevas, até porque eu achava improvável que o herói retornasse em uma trama que justificasse sua existência. Ressurge me provou errado, e mesmo que não supere o antecessor, comprova mais uma vez o imenso talento do cineasta para desenvolver personagens e promover espetáculos. É justamente por passar quase uma hora de projeção apenas situando seus personagens que o clímax explosivo funciona tão bem – pois nele, cada um tem uma função específica que já ia se revelando ao longo do filme – mesmo que a experiência chegue perto de extensas três horas de duração.

Tendo a trilogia caracterizada por sua abordagem realista, Nolan segue essa linha com Ressurge (as cenas de ação continuam dominadas por efeitos práticos, com uso controlado de CG) ao mesmo tempo em que se mostra o capítulo mais necessitado de explicações “fantásticas” para funcionar. Dentre um problema de coluna resolvido com um tratamento um tanto exótico aqui e bombas nucleares pra lá, no entanto, tudo parece crível graças às justificativas do roteiro de Nolan e seu irmão Jonathan e da (mais uma vez) excelente performance de Christian Bale, que traz um Bruce Wayne muito mais problemático.

O drama aqui é muito mais pesado e adulto do que em qualquer outra adaptação de quadrinhos. Sente-se uma preocupação legítima com o herói – fora de forma e enfraquecido pelos anos afastado da armadura – quando seu mordomo Alfred (Michael Caine, mais emocional) o alerta para que não reassuma a máscara e que “já havia enterrado membros o suficiente da família Wayne”. E é ainda mais perturbador assistir ao herói sendo brutalmente humilhado pelo vilão Bane em uma luta corporal, já que pela primeira vez na franquia temos um oponente fisicamente superior (o mercenário explica suas intenções calmamente e termina com um“… E depois eu vou quebrar você”). Mesmo que Tom Hardy tenha o rosto escondido pela máscara respiratória durante (quase) todo o filme, seu personagem tem uma presença monstruosa e assustadora, e parte disso é fruto do bom trabalho que o ator desempenha com os olhos e a voz; ainda que o efeito sonoro que modifica sua fala estranhe inicialmente – afinal, nem todo mundo é James Earl Jones.


O miado do gato: Anne Hathaway é Selina Kyle

Assumindo um papel outrora iconizado por Michelle Pfeiffer em Batman – O Retorno (e ridicularizado por Halle Berry em Mulher-Gato), Anne Hathaway se sai muitíssimo bem ao abraçar o papel de Selina Kyle e fornecer sua própria intepretação. A ladra felina de Hathaway é muito mais interessante por ter sua humanidade explorada (com exceção de alguns trocadilhos do tipo “o gato comeu sua língua?”, não é usado em momento algum o termo “mulher-gato”) e também por enfatizar seu astuto instinto de sobrevivência; numa determinada cena, Kyle se mete em um tiroteio com criminosos dentro de um bar, mas não hesita em largar a arma e gritar como se fosse uma simples vítima quando a polícia aparece.

Vítima também é Goham City, que sofre como nunca nas mãos de Bane: o vilão bombado promove uma série de ataques à cidade (curiosamente, justificando-os como um movimento revolucionário) onde têm destaque uma fria invasão à bolsa de valores e a explosão de um campo de futebol americano. Esta última ganha ainda mais força com a brilhante escolha musical: uma cantoria suave e isolada do hino dos EUA, cujo efeito é assombroso e desperta à memória os ataques terroristas sofridos pelo país na década passada. Merece aplausos o design de produção de Nathan Crowley e Toby Whale, que garantem às ruas devastadas de Gotham um ar grandioso e real (o uso da neve na fotografia de Wally Pfister também ajuda a realçar o caos atmosférico); além da inteligente sacada com a sombria prisão dentro de um poço, que não deixa de ser um paralelo com a situação do próprio Bruce Wayne e o tema de ressurgimento.

Em termos de conclusão, O Cavaleiro das Trevas Ressurge é satisfatório e comprova a linearidade com a franquia ao resgatar elementos dos capítulos anteriores (especialmente os de Batman Begins) de forma coesa, funcionando perfeitamente como o terceiro ato de uma única história. E vale apontar que, ao contrário do que os executivos da Warner afirmaram, não é impossível dar continuidade ao fim dessa trilogia; o desfecho do filme termina o ciclo iniciado em 2005, mas deixa portas abertas para uma interessante possibilidade.


Pela última vez, Christian Bale veste a armadura de Batman

Christopher Nolan faz de Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge o final inebriante que a franquia merece. O ciclo do Morcego se fecha e agora parte para se tornar mais do que uma simples trilogia: uma lenda.

Obs: As cenas filmadas em IMAX ficam impressionantes se vistas em salas do formato. Recomendo!

Obs 2:  Esta crítica foi publicada após a cabine de imprensa do filme, em 19 de julho.

Leia esta crítica em inglês

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16 Respostas to “| Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge | A épica conclusão da franquia super-heróica definitiva”

  1. Opinião de fã sempre será assim.

  2. […] do Morcego com Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge. Já assisti ao filme na cabine de imprensa (leia a crítica aqui) e atualizei o post com novas informações. Acompanhe o especial e vejamos como será o […]

  3. PODIA AVISAR OS SPOILERS NÉ? FALTA DE RESPEITO ISSO AI!

  4. pedro-dantas@hotmail.com Says:

    Hei em alguns casos contém spoiler sim! Pô vc descreveu a cena da mulher gato, quase na integra. Mas, no mais, o filme é um filmaço! O melhor filme que já se fez de super-heróis. Aliás, todos os filmes do Batman colocam seus oponentes no chinelo. Batman é mais adulto, real e muuuuito mais impactante… Longe daquele mundo fantasioso e factóides dos heróis da Marvel, e até mesmo da própria DC no caso do super. Acho que tudo o que for feito (filmes de heróis e ação) após essa trilogia do Batman sob direção do Nolan: tem que ser revisto. Devido ao nível de excelência posto naela. Filme muuuuito bom. “Que me desculpem os outros, mas o Batman é foda!”

    • Lucas Nascimento Says:

      Ah sim, mas se for ver não é uma revelação muito fundamental à trama, apenas para descrever a personagem… Mas, enfim, que bom q curtiu o filme cara!

      Abrax!

      • pedro-dantas@hotmail.com Says:

        Valeu Cara… Ah, esqueci de falar: Mas seu blog/site é bem legal tbm! Parabéns pelo trabalho e desculpe a minha chatice. rs

        Abraço.

      • Lucas Nascimento Says:

        Que isso, comentários assim às vezes ajudam, hehehe.
        Abrax!

  5. sempre boas refilmagens

  6. A questão da espinha foi cruel! Percebe-se que nao foi intencional, mas na duvida coloque sempre um aviso, pra nao queimar seu blog. No mais… ótima analise!

  7. […] Após o sucesso absurdo do longa anterior, Christopher Nolan traz Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge para encerrar sua trilogia sobre o icônico super-herói da DC Comics. Mesmo que não alcance a perrfeição do segundo capítulo, o filme é uma conclusão satisfatória e épica ao extremo, levando seus personagens a rumos ousados (nunca antes um herói fantasiado levou uma surra tão brutal quanto a que vemos aqui) e continuando a abordagem sombria/realista que marcou os longas anteriores. Um excelente filme, e o melhor de 2012 até o momento. Crítica […]

  8. […] 1. Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge […]

  9. […] estrelou a ficção científica Looper: Assassinos do Futuro, ganhou um papel fundamental em Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge e ainda descolou um pequeno papel na oscarizada cinebiografia Lincoln. O trabalho de Levitt que […]

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