| Moonrise Kingdom | Wes Anderson e a ingênua perda da inocência


Um Sonho de Liberdade: Na esperta referência, Edward Norton e seus escoteiros descobrem o sumiço de Sam

Nunca havia assistido a um filme de Wes Anderson antes deste Moonrise Kingdom. E só pela experiência deste longa sem título nacional, é possível notar no estilo único que o cineasta apresenta, como uma abordagem que beira o cartunesco em alguns momentos e  chama a atenção por sua bizarrice. Choque pela estética do diretor à parte, seu belo novo filme conseguiu surpreender a este que vos escreve.

A trama é ambientada em uma ilha da Nova Inglaterra em 1965, onde um jovem casal resolve fugir de suas famílias e abandonar as vidas infelizes que suportam. Em uma jornada por bosques e ilhas, eles descobrirão o amor verdadeiro.

Moonrise Kingdom não é um filme fácil de se vender. Levando em consideração a breve sinopse no parágrafo acima, não é de esperar grande (ou nova) coisa de tal premissa – afinal, já acompanhamos esse tipo de história incontáveis vezes. O diferencial é realmente o trabalho de Wes Anderson atrás das câmeras. Dotado de uma meticulosa estética visual, o diretor estabelece uma série de características que ajudam a tornar a trama interessante: longos travellings que apresentam os personagens, planos-detalhes que servem como sutil fonte de humor (reparem naquele que traz Bill Murray sentado à uma árvore) e outras gags com função dinamista – como a divertidíssima leitura de cartas.

É também de se observar as cores fortes que a fotografia de Robert D. Yeoman traz em grande parte da projeção. Dominada por tons ensolarados e suaves, a paleta confere verossimilhança ao universo criado a partir do roteiro de Roman Coppola e do próprio Anderson – repleto de casinhas com formas e cores bem definidas- e é justamente por estabelecer uma aura semi-infantil ao projeto que uma chocante concessão surge quando nos deparamos com um cão morto à flechadas, a chegada de uma assistente social (onde o tom quente é substituído por um mais azul mais frio) ou uma sequência consideravelmente forte envolvendo o casal protagonista.

O que nos leva ao principal tema abordado pelo longa: a perda da inocência. Sam e Suzy (os ótimos Jared Gilman e Kara Hayward, respectivamente) são duas crianças problemáticas nos quesitos de família e amizades e, envoltos em uma paixão inusitada, resolvem fugir, se esconder em uma floresta e se casar. Tudo isso, e ambos têm pouco mais de uma década de vida. Não é difícil encontrar as insinuações de descobrimento sexual aqui (Sam fura a orelha de Suzy com um anzol, e esta pede que faça o mesmo com a outra), mas essas são novamente bem camufladas pela direção de Anderson. Outro belo exemplo é o retrato do adultério, simbolizado aqui na forma de um cigarro.

Trazendo um impecável elenco cheio de rostos conhecidos (dentre os quais, Edward Norton e Bruce Willis se destacam), Moonrise Kingdom oferece uma bela reflexão e uma experiência única e difícil de se rotular. Humor e drama se misturam em uma narrativa dinâmica e fora do comum, características que devem se aplicar a todos os trabalhos de Wes Anderson.

Bem, ele acaba de ganhar mais um admirador de seu trabalho.

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8 Respostas to “| Moonrise Kingdom | Wes Anderson e a ingênua perda da inocência”

  1. […] Moonrise Kingdom – Wes Anderson e Roman Coppola […]

  2. […] com Moonrise Kingdom, em 2012, que adentrei no universo único e bizarro comandado pelo lorde Wes Anderson. De lá pra […]

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