| As Aventuras de Pi | O milagre da computação gráfica

4.0

There’s a f***ing tiger in the boat!

Após três tentativas frustradas desde sua estreia, enfim consegui assistir As Aventuras de Pi, o elogiadíssimo novo filme de Ang Lee. E devo dizer que o momento em que finalmente me sentei naquela sala escura parecia o mais apropriado: não estando no melhor estado de espírito e levemente deprimido em circunstância de problemas pessoais, apostei no poder “milagroso” que a crítica internacional conferiu ao filme. Ao fim, pode-se dizer que Pi é uma experiência muito agradável, mas nada fora do comum.

Filho de um proprietário de zoológico na Índia, o jovem Pi (vivido pelo estreante Suraj Sharma) viaja com sua família em um cargueiro, visando vender os animais do negócio no Canadá. Uma tempestade repentina afunda com o navio e deixa Pi isolado, e com um tigre como companhia, em um bote em alto-mar.

Partindo de uma premissa típica dos filmes de náufrago (e também do livro de Yann Martel), As Aventuras de Pi expande seu significado ao realçar a importância da fé e o papel de Deus/religião na vida de um homem. Em sua longa apresentação (que é até ressaltada pelo personagem de Rafe Spall), o roteiro de David Magee introduz o espectador a diferentes religiões enquanto o jovem Pi vai descobrindo seus princípios e convertendo-se a eles. É um primeiro ato muito teórico e pouco movimentado, mas a situação melhora quando o longa encontra seu ponto de virada.

Após uma monstruosa tempestade (que Ang Lee coordena com maestria e faz belo uso dos efeitos visuais), o longa enfim transforma-se no filme de náufrago que a campanha de marketing tanto divulgou. É nesse ponto também que Pi atinge seu ápice: a complicada relação entre o protagonista e o tigre Richard Parker. Sharma mostra-se bem carismático para um estreante (e Lee confia em sua capacidade ao dar-lhe um longo monólogo sem cortes) mas o grande destaque é mesmo o trabalho de computação gráfica da Ryhthm & Hues, que cria um dos personagens digitais mais convincentes já feitos – seu olhar, andar, e até mesmo a interação com o toque humano são perfeitos – e traz paisagens em green screen espetaculares. Pi é um deleite visual, e agradecemos ao diretor de fotografia Claudio Miranda pelas lindas imagens.

Competente em seu ritmo de narração e interação entre a história contada e aqueles que contam a mesma (no caso, o ótimo Irrfan Khan), As Aventuras de Pi é uma linda realização visual e também uma bela mensagem sobre o desapego da vida. Não o achei poderoso em suas manifestações divinas, mas entre o caminho racional e o fantástico proposto pelo protagonista e pelo pai deste, fico com “a do tigre”.

Obs: Vale a pena ver em 3D.

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2 Respostas to “| As Aventuras de Pi | O milagre da computação gráfica”

  1. […] “Competente em seu ritmo de narração e interação entre a história contada e aqueles que contam a mesma (no caso, o ótimo Irrfan Khan), As Aventuras de Pi é uma linda realização visual e também uma bela mensagem sobre o desapego da vida. Não o achei poderoso em suas manifestações divinas, mas entre o caminho racional e o fantástico proposto pelo protagonista e pelo pai deste, fico com “a do tigre”.” Crítica Completa […]

  2. […] para acompanhar os sobreviventes lutando para permanecerem vivos em alto mar, remetendo à As Aventuras de Pi e até Náufrago quando os personagens encontram uma ilha remota. Tudo isso é retratado com um […]

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