| O Voo | Denzel Washington é a alma do retorno de Robert Zemeckis ao Live-Action

3.5

Flight
Teste do bafômetro? Denzel Washington é Whip Whitaker

Após 12 anos trabalhando apenas com animações em captura de performance, Robert Zemeckis (que já nos presenteou com pérolas como Forrest Gump – O Contador de Histórias e a trilogia De Volta para o Futuro) retorna aos longas live-action com O Voo. No entanto, ainda que seja um longa eficiente, seu sucesso deve-se mais ao talento de seu protagonista do que à história em si.

Esta traz em seu núcleo o piloto William “Whip” Whitaker (Denzel Washington), que ganha uma repentina imagem de herói após aterrissar (com uma manobra invertida impressionante) uma aeronave que se despedaçava em pleno ar e salvar a esmagadora maioria de seus tripulantes. Mas a bravura de Whip vai logo se desvanecendo quando a perícia levanta a suspeita de que Whip estava sob a influência de álcool e drogas durante o incidente, acusação que pode lhe render um encarceramente perpétuo.

A premissa apresentada pelo roteiro de John Gatins é muito, muito instingante, mas me perguntei como seria possível mantê-la e desenvolvê-la por suas mais de 2 horas de duração. E, de fato, Gatins não é bem sucedido ao estender sua ideia, introduzindo a personagem completamente descartável da bela Kelly Reilly (a esposa de Watson no Sherlock Holmes de Guy Ritchie), uma viciada em drogas que se envolve com o protagonista e que traz uma jornada de superação similar a de Whip; cujo alcoolismo é outra escapatória de Gatins, uma que este contorna com clichês típicos do tema, mas que funcionam graças à ótima performance de Denzel Washington.

Sempre versátil, e exibindo uma aura simpática que nos permite identificar-mos com seu personagem – apesar de seus hábitos detestáveis – o ator é a alma de O Voo. Quando aparece em cena embriagado, o resultado não é cômico (ainda que a trilha incidental tente suavizar o tema ao trazer diversas canções do Rolling Stones), mas sim triste pelo fato de ser uma derrota para Whip, já que entendemos e simpatizamos com seu esforço em livrar-se do vício – e ver seu fracasso (ainda mais  com os olhares tristes de Washington) é realmente frustrante.

E Robert Zemeckis exacerba essa sensação de forma genial em determinado momento, quando Whip encara uma geladeira repleta de bebidas alcoólicas. Lutando contra seus impulsos, ele segura uma pequena garrafa de vodca e hesita sobre suas ações, largando-a em cima do eletrodoméstico e saindo do plano capturado pela câmera (que mantém a bebida em foco). Toda essa preparação e formulaica cena de superação apenas para que Whip desista e assistimos sua mão apanhar a garrafa bruscamente. Aí, sim, Zemeckis foi brilhante e também destaco sua tensa execução durante o desastre aéreo que marca a narrativa: uma cena que só não é melhor porque os efeitos visuais envolvidos nesta são terrivelmente artificiais (para alguém que trabalhou por anos com tecnologias digitais, era de se esperar algo melhor).

Ainda que funcione como um bom estudo de personagem, O Voo deve mais a Denzel Washington do que a qualquer outro envolvido. Robert Zemeckis conduz bem a trama, mas esta carece de um roteiro melhor e que falha em lhe fornecer algo tão fascinante quanto sua premissa.

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Uma resposta to “| O Voo | Denzel Washington é a alma do retorno de Robert Zemeckis ao Live-Action”

  1. […] sobre o próximo trabalho do diretor Robert Zemeckis (que retornou ao live action com o eficiente O Voo, em 2012). Zemeckis cuida no momento de To Reach the Clouds, uma adaptação em 3D sobre a vida do […]

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