| Hitchcock | Os cartunescos bastidores do maior suspense do cinema

3.0

Hitchcock
Anthony Hitchcock, ou Alfred Hopkins

É inegável o impacto que Psicose de Alfred Hitchcock teve na indústria cinematográfica, e que mantém-se até hoje. Não só impecável como narrativa e técnica, o longa de 1960 ajudou a abrir portas em diversos quesitos de censura e na elaboração de campanhas de divulgação que prezavam o sigilo em torno da trama. Com tamanha importância do filme, é frustrante que Hitchcock prefira se concentrar em dramas e caricaturas de seu criador ao invés do legado de seu produto.

Adaptada do ótimo livro Alfred Hitchcock e os Bastidores de ‘Psicose’ de Stephen Rebello, a trama acompanha o cineasta (Anthony Hopkins) em sua busca pelo projeto que seguiria Intriga Internacional. Na tentativa de se inovar, ele opta pelo livro de Robert Bloch e, aliado a isso, os desafios de uma produção independente e controversa.

É difícil transformar os bastidores de Psicose em um longa-metragem consistente, já que a produção não foi realmente tão conturbada. Claro, houveram inúmeras desavências entre o diretor e a Paramount e as filmagens chegaram a atingir um atraso de 5 dias, mas nada sensacionalista como o diretor Sacha Gervasi sugere; a cena do chuveiro, por exemplo, é retratada aqui como um incidente estressante e movido pela raiva de Hitchcock, mesmo que todos os envolvidos naquela produção tenham afirmado que as gravações de tal momento foram rotineiras e “normais”.

Mas isso não chega a ser uma surpresa, já que o longa já se assume como ficção ao iniciar sua narrativa com uma típica abertura do outrora popular programa Alfred Hitchcock Presents. É uma técnica muito divertida, mas incapaz de sustenstar os curtos 98 minutos de duração. É aí que os roteiristas John J. McLaughlin e Stephen Rebello erram ao introduzir uma trama secundária absolutamente descartável que traz a esposa do diretor, Alma Reville (a ótima Helen Mirren), trabalhando com o roteirista Whitfield Cook (Danny Houston), provocando reações ciumentas por parte do protagonista. Elementos clichês e formulaicos que só são suportáveis graças à dinâmica entre Mirren e Hopkins, cuja maquiagem e atuação levemente caricata se unem para dar vida a “Alfred Hopkins”.

E no quesito de explorar os sentimentos e pensamentos de Hitchcock, o longa é criativo ao apostar em delírios decorrentes onde o diretor tem conversas com o assassino Ed Gain (que foi a principal fonte de inspiração para o romance de Robert Bloch), que mostram não apenas sua obsessão pelo projeto, mas também suas principais fraquezas: “às vezes só queria que alguém dissesse que sou bom”, desabafa Hitch em certo devaneio. Diante dessa constatação, é admirável ver sua alegria sádica ao acompanhar a reação da plateia diante da estreia do filme – e também ver sua esposa ter o devido reconhecimento por suas fundamentais contribuições.

Deixando de lado eventos que poderiam ser interessantes (como o envolvimento do artista Saul Bass) e abraçando a fantasia, Hitchcock é uma experiência divertida e que ajuda a entender um pouco mais sobre o Mestre do Suspense e a ajuda fornecida por sua esposa. Mas no assunto do impacto e legado de Psicose, um documentário seria muito mais envolvente.

Obs: Tendo em mente todas as referências que traz a “Os Pássaros”, o filme daria uma eficiente sessão dupla com o telefilme “A Garota” da HBO, que é ambientado logo após o período de “Psicose”.

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Uma resposta to “| Hitchcock | Os cartunescos bastidores do maior suspense do cinema”

  1. Felizmente fizeram um filme para pessoas normais e não um chato documentário apenas para “intelectuais”.

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