| O Homem de Aço | O lado humano do maior super-humano dos quadrinhos

4.0

ManofSteel
Uma coisa é certa: nunca antes o Superman teve um uniforme tão bonito quanto este

Sem dúvida o mais icônico super-herói de todos os tempos, Superman é uma figura complicada de ser trabalhada nos cinemas. Sua invulnerabilidade é um fator decisivo para o afastamento emocional do personagem com o público (vide o Batman, cuja persona é mais identificável pelo fato de Bruce Wayne ser apenas um humano), e foi justamente esse ponto que Zack Snyder buscou corrigir com O Homem de Aço: o lado “humano” do herói.

A trama é roteirizada por David Goyer, a partir de um argumento elaborado por este e o diretor Christopher Nolan, retomando a origem do Superman (Henry Cavill) desde a partida de seu planeta condenado Krypton até a chegada na Terra. Enquanto aprende a controlar seus poderes e descobrir mais sobre seu passado, é perseguido pela determinada jornalista Lois Lane (Amy Adams) e pelo implacável general Zod (Michael Shannon), um remanescente de sua espécie que traz a promessa de destruição ao planeta.

É irônico que este novo filme concentre-se no lado mais emocional do Superman – e proponha uma abordagem mais realista quanto à sua posição na sociedade – ao mesmo tempo em que abrace pesadas doses de ficção científica. Goyer explora a fundo a mitologia de Krypton (e o design de produção de Alex McDowell impressiona pelo visual dark e com claras influências de H.R. Giger) e oferece um intrigante clima alienígena ao herói, Zod e seus comparsas: a cena em que o militar promove uma transmissão mundial afirmando que os humanos “não estão sozinhos” funciona espantosamente bem por remeter a grandes longas que tratam sobre invasões extraterrestres. Nesse sentido, a fotografia do iraniano Amir Mokri aposta em uma coloração predominantemente fria e repleta de elegantes luzes em flare (essa foi pra você, JJ Abrams), enquanto o diretor Zack Snyder deixa de lado o slow motion e adota a técnica de câmera-na-mão durante toda a projeção – uma decisão que afeta de maneira positiva as espetaculares cenas de ação do filme.

Snyder e Goyer acertam também na estrutura escolhida para contar a origem do herói. Ainda que o constante uso de flashbacks quebre a linearidade esperada de um filme de apresentações, serve como uma eficiente forma de narrar o desenvolvimento de Clark sem se limitar a refazer o original de 1978 (como foi o grande problema de O Espetacular Homem-Aranha, prejudicado pelas gritantes semelhanças com a trilogia de Sam Raimi) e ao posicionar cada volta no tempo em pontos-chave da narrativa. Merece aplausos o trabalho do montador David Brenner, que proporciona ritmo ao filme e elabora transições de cena criativas que até servem para criar humor: o momento em que os militares avistam as naves alienígenas com seus satélites é logo seguido por um painel que traz um ameaçador alerta de “Emergência”, apenas para revelar-se uma inofensiva impressora pedindo por cartuchos de tinta.

O que nos leva ao protagonista Henry Cavill. Mais conhecido por sua participação na série de TV The Tudors, o ator inglês faz um ótimo trabalho ao criar um Superman “em fase de gestação”, cheio de dúvidas e ainda longe de tornar-se a figura bondosa e politicamente incorreta pelo qual é conhecido (aqui, Clark até usa suas habilidades para vingar-se de um estranho) e por carecer de um senso de responsabilidade por suas ações; já que praticamente destrói toda a cidade em suas batalhas épicas. Vale apontar também a competência de Russell Crowe e Kevin Costner no papel das figuras paternas de Clark e como Amy Adams e Diane Lane criam mulheres fortes (ainda que a performance de Adams já fosse o bastante, tornando desnecessário que a jornalista pegasse em armas) e protetoras. Para fechar, Michael Shannon faz um vilão memorável ao acrescentar motivos reais para as ações de seu Zod; mesmo que seu plano seja uma cópia descarada do de Sentinel Prime em – sim, que vergonha – Transformers: O Lado Oculto da Lua.

O Homem de Aço oferece uma interessante reinvenção para o Superman. Não chega à altura do trabalho realizado por Christopher Nolan em sua trilogia do Cavaleiro das Trevas, mas representa um grande passo da DC Comics nos cinemas e reacende a franquia de um personagem que simplesmente não pode cair no esquecimento. Que venha mais!

Obs: Fãs hardcore da DC, atenção: há diversos easter eggs ao longo da projeção, seja de um certo vilão careca ou de uma tal de empresas Wayne.

Obs II: O 3D convertido do filme não cheira nem fede.

Obs III: Esta crítica foi publicada após a pré-estreia do filme, em 28 de Junho.

Leia esta crítica em inglês.

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7 Respostas to “| O Homem de Aço | O lado humano do maior super-humano dos quadrinhos”

  1. Nossa! Nada de errado para apontar num filme cheio de furos de roteiro? Impressionante. Só não cancelo a assinatura porque ainda dá algumas dicas de estreias caprichosas. Mas as avaliações estão muito boas apenas para promover filme. Como fez com esse fez também com os Zumbis. “Bom nos preparamos para quando isso acontecer. ” Bela ironia…

  2. Engraçado que como hoje todo blogueiro e comentarista de blog é crítico de cinema…Nunca mais ouvi falar de nenhum filme que não tenha “furos de roteiro”.São ruins esses roteiristas, estão procurando no lugar errado, os bons estão postando e comentando em blogs hahahahahah! Às vezes o que está fora do filme, as entrelinhas podem explicar o que tu chama de “furo de roteiro”, basta não esperar tudo mastigadinho.

  3. FILME MUITO RUIIM

  4. Amei o filme e adorei os atores. Realmente excelente a forma que retrataram Krypton e esse lado mais humano do Clark com cenas de tirar o fôlego. Pra mim foi o melhor filme de 2013 e que venha a Liga da Justiça!!!

  5. […] no Ingresso.com para conferir horários e ingressos, e leia a crítica de O Homem de Aço aqui. Boa […]

  6. Para mim também, o melhor filme de todos os tempos, se não gostar desse filme nunca mais vá ao cinema, porque mais nenhum vai agradar você!

  7. […] das Trevas de Christopher Nolan e abraçar um tom mais dramático e realista, como o próprio Homem de Aço já apresentou no ano passado. Acho uma decisão bem admirável, e que certamente vai servir para […]

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