| Truque de Mestre | Divirta-se, mas não olhe tão de perto

3.0

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Are you watching closely: Dave Franco, Jesse Eisenberg, Isla Fisher e Woody Harelson

Eu consigo imaginar o entusiasmo dos produtores da Summit Entertainment ao darem sinal verde para a realização de Truque de Mestre. Confiantes, ou não, no sucesso comercial do projeto, a premissa de se usar truques de mágica e ilusionismo para cometer atividades criminosas – aliada a um elenco estelar que inclui a velha e a nova guarda – soa no mínimo como bom entretenimento. O que é, de fato, mas um longa que se arrisca a explorar truques de mágica precisa de justificativas muito melhores do que as oferecidas aqui.

A trama acompanha o detetive do FBI Dylan Rhodes (Mark Ruffalo) que, com o auxílio de uma bela agente da Interpol (Melánie Laurent), investiga uma série de assaltos que teriam sido, supostamente, orquestrados por uma trupe de ilusionistas conhecida como Quatro Cavaleiros (Jesse Eisenberg, Isla Fisher, Woody Harelson e Dave Franco).

Provavelmente o maior acerto do longa, a decisão dos roteiristas Ed Solomon, Boaz Yakin e Richard Ricourt em manter as autoridades como núcleo da trama é inteligente ao intesificar o mistério acerca dos ilusionistas e fornecer liberdade para que estes realizem facetas absurdas sem se dar ao trabalho de revelar o “truque” ao espectador. É também muito instingante ver sujeitos dotados de habilidades “mágicas” algemados em uma sala de interrogatório e usando tal vantagem contra os policiais; uma imagem incomum (como, este ano, a do Superman encarcerado em O Homem de Aço) que só me lembro de ter visto em O Grande Truque, que também trazia a ideia da troca de algemas.

O problema surge no momento em que o filme começa a nos apresentar suas absurdas resoluções, que abandonam os conceitos de ilusionismo para assumir um cárater quase…er, mutante (não por acaso, o personagem de Dave Franco protagoniza uma luta com cartas de baralho, no melhor estilo Gambit). São coincidências, ações meticulosamente planejadas com antecedência e revelações que são simplesmente implausíveis dentro da postura do longa, que comete o erro de se levar a sério demais e procurar soluções complexas que – no fundo – não fazem sentido. É até espantoso como Louis Letterier, com sua direção alucinada, consegue enfiar tantas cenas de ação na história: mágicos, pelo visto, também são especialistas em Parkour, e também não passam de meras figuras unidimensionais – características reforçadas pelas performances que abraçam forte o estereótipo (acredite se quiser, tem até narração à la History Channel do Morgan Freeman!).

Ao fim, fica claro que Truque de Mestre esté mais preocupado em surpreender o espectador do que elaborar uma história que faça sentido. O filme entretém (e surpreende, sem dúvida alguma), mas – tomando a reformulação de uma frase recorrente do longa –  quanto mais perto você o olhar, mas evidentes serão suas falhas.

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Uma resposta to “| Truque de Mestre | Divirta-se, mas não olhe tão de perto”

  1. […] E talvez a introdução de elementos místicos funcionasse melhor (ah não, espera, lembrei daquele Truque de Mestre…) do que as explicações que a dupla oferece para a execução de tais golpes, que vão […]

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