| Bling Ring: A Gangue de Hollywood | Sofia Coppola tenta analisar a obsessão em torno das celebridades

3.0

BlingRing
Emma Watson saindo da sombra de Hermione Granger

Às vezes chega a ser verdadeiramente assustador a quantidade de veículos midiáticos que dedicam seu tempo a “investigar” as vidas pessoais de celebridades. Pior ainda é se deparar com os índices de audiência, que não são baixos. Com Bling Ring: A Gangue de Hollywood, Sofia Coppola parte não para analisar o “jornalismo” do ramo, mas sim adolescentes obcecadas pelo luxo de artistas de Hollywood, mas fica só nas boas intenções.

A trama é baseada na história real de um grupo de amigos que invadia residências de pessoas como Paris Hilton, Lindsay Lohan e Orlando Bloom para roubar suas roupas, jóias, dinheiro e outros materiais de valor.

É daquelas ideias que funcionam melhor na premissa do que em um longa de 90 minutos (nem é tão longo, veja só). Durante boa parte de sua projeção, Bling Ring é fadado a repetição de uma estrutura formulaica e que perde a graça rápido: escolher a celebridade, jogar endereço no Google, invadir a casa, fazer observações engraçadinhas sobre os pertences e dar o fora. Ao menos umas três vezes esse tipo de jogo se manifesta e, mesmo que seja bem organizado pela montadora Sarah Flack, contribui para a previsibilidade da trama; que só fica interessante quando somos surpreendidos por flashfowards curtos ambientados após a prisão do grupo – elementos que contribuem com eficiência para o tom de bomba-relógio e também para arrancar boas performances do ótimo elenco (especialmente Emma Watson, bem-sucedida ao equilibrar a malícia de sua personagem com uma falsa inocência que sutilmente beira o sarcasmo).

Não que os diversos furtos e violações de propriedade pudessem ser justificados pela obsessão das personagens em suas vítimas. A interpretação jamais é entregue diretamente ao espectador (com exceção do momento em que Marc menciona “a obsessão doentia da América com o lance de Bonnie & Clyde”), mas Coppola acerta ao trazer pequenos momentos que a comprovem – vide aquele em que uma das jovens, em um interrogatório da polícia, pergunta ansiosa sobre a opinião de Lindsay Lohan a respeito dos roubos. Mas são raros essas cenas que trazem algo a mais. Em sua maioria, o filme trata os atos como algo cool, decisão que acaba com o moralismo proposto, mas que ironicamente rende alguns dos melhores momentos da narrativa (ainda mais pela acertada trilha incidental).

Mesmo que tenha um ritmo ocasionalmente divertido e boas performances, Bling Ring: A Gangue de Hollywood não tem material o suficiente para prender o interesse do espectador. Ou melhor: tem, mas sua realizadora infelizmente foi incapaz de aproveitá-lo ao máximo.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: