| Gravidade | O 2001 da nossa geração

5.0

Gravity
Sandra Bullock é a Dra. Ryan Stone: Personagem com força impressionante

São poucas as produções cinematográficas que conseguem retratar de forma impactante (e verossímil) a imensidão do espaço sideral. Filmes como Star Wars e a franquia Jornada nas Estrelas empolgam pela abordagem aventuresca, mas o único que me vem à mente nesse quesito é 2001: Uma Odisseia no Espaço, de Stanley Kubrick. Há diversos outros exemplos, claro (alguns até recentes, como o ótimo Lunar), mas o que Alfonso Cuarón alcançou com seu Gravidade representa um verdadeiro marco para o gênero.

A trama simplista é assinada por Cuarón e seu filho Jonas, enfocando-se em um acidente em meio a uma expedição da Explorer, que acaba por deixar os únicos astronautas sobreviventes, Ryan Stone (Sandra Bullock) e Matt Kowalsky (George Clooney), à deriva na escuridão do espaço. De alguma forma, a dupla precisará encontrar uma forma de voltar à Terra vivos.

Um dilema que ouvi muito de alguns colegas a respeito do filme é o de se ele seria capaz de se sustentar com a premissa básica ao longo de 1h30. Nesse quesito, Gravidade surpreende com a abundância de ideias que os roteiristas conseguiram tirar de uma situação tão limitada: além de todos os obstáculos encontrados pelos astronautas enquanto tentam sobreviver (não comentarei nenhum deles, apenas para que o espectador se surpreenda), há um envolvente estudo de personagem, especialmente com a Ryan Stone de Sandra Bullock – no fundo, no fundo, Gravidade traz como moral a necessidade de superação, seguir em frente. A atriz, aliás, consegue criar uma das figuras femininas mais fortes dos últimos anos graças à sua performance intensa e desesperadora, sendo capaz de segurar o filme todo sozinha (Clooney está ótimo, mas seu papel é bem menor do que o da atriz).

Funcionando muitíssimo bem com seus personagens e história, o filme de Cuarón é também um feito técnico excepcional. Tendo quase 90% de suas imagens capturadas em greenscreen, a equipe de computação gráfica (aliada com a fotografia do ótimo Emmanuel Lubezki) cria algumas das imagens mais espetaculares que você verá este ano, todas elas usadas com inteligência por seu diretor. Cuarón demonstra aqui confiança e domínios de câmera invejáveis, já que aposta em longas tomadas de planos-sequência que  viajam pelos personagens, no interior de naves e até dentro dos capacetes dos personagens – rendendo ótimas tomadas em primeira pessoa. Vale ressaltar também o incrível trabalho de som, que acertadamente elimina o barulho no vácuo e se limita a propagá-los sob o ponto de vista dos astronautas, tornando-o abafado e realista dentro da proposta; algo que contribue também para que o filme seja uma experiência tensa (ver os protagonistas sendo atingidos por destroços, com apenas suas vozes e a aterradora trilha sonora de  Steven Price de fundo é algo que não pode ser medido com palavras).

Uma das melhores experiências cinematográficas de 2013, Gravidade é uma trama muito intimista e simples narrada com alguns dos recursos mais grandiloquentes que o cinema já viu. Tenso e emocionante a ponto de dar nó na garganta, Gravidade pode ser visto como o 2001: Uma Odisseia no Espaço da nossa geração.

Algo muito especial foi criado aqui.

Obs: Assista na MAIOR tela possível, preferencialmente o IMAX do Espaço Unibanco Pompéia.

Leia esta crítica em inglês.

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4 Respostas to “| Gravidade | O 2001 da nossa geração”

  1. […] das melhores experiências cinematográficas de 2013, Gravidade é uma trama muito intimista e simples narrada com alguns dos recursos mais grandiloquentes que o […]

  2. […] poderia se manifestar de forma mais bela e desafiadora. Assim como declarei em meu texto sobre Gravidade, Stanley Kubrick foi aquele que melhor aproveitou a proposta com 2001: Uma Odisseia no Espaço, que […]

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