| O Maravilhoso Agora| John Hughes ficaria muito orgulhoso

4.0

spectacular
Miles Teller e Shailene Woodley: Química espetacular

“Crescer não é fácil”. Os melhores filmes adolescentes já feitos são aqueles que abraçam de forma honesta o tema citado, vide as geniais comédias de John Hughes (como Clube dos Cinco, Curtindo a Vida Adoidado e Ela vai ter um Bebê) ou até mesmo o recente As Vantagens de ser Invisível, de Stephen Chbosky. Com O Maravilhoso Agora, o diretor pouco conhecido James Ponsoldt se beneficia de um dos protagonistas mais carismáticos já encontrados no gênero, e pode muito bem incluir sua obra no seleto grupo discutido acima.

A trama é adaptada do livro homônimo de Tim Tharp (excelente, por sinal) por Scott Neustadter e Michael H. Weber, mesma dupla responsável por (500) Dias com Ela e pela vindoura adaptação do romance A Culpa é das Estrelas. O espectador acompanha a vida de Sutter Keely (Miles Teller), jovem no último ano do ensino médio que parece ser incapaz de criar planos ou metas para sua vida, optando por viver naquilo que chama de “spectacular now”, o agora espetacular. Depois de levar um fora da namorada (Brie Larson), ele começa a se envolver com a reclusa Aimee (Shailene Woodley), que pode – ou não – lhe servir como uma influência positiva.

O Maravilhoso Agora é um filme muito difícil de se vender, até mesmo para colegas. Isso porque a premissa não oferece praticamente nada de novo e também carece de eventos marcantes, ou uma situação pré-estabelecida que desenvolva a trama toda. Curiosamente, o filme funciona como seu protagonista: aposta no agora, no cotidiano e no rotineiro de Sutter; nas simples situações que se tornam memoráveis graças à força de seu roteiro, que acertadamente evita o uso de flashbacks para explicitar suas subtramas dramáticas, apostando em seus ótimos diálogos e ao espetacular carisma de seu elenco.

A começar por Miles Teller, ator que rapidamente vai crescendo no cinema (sua estreia aconteceu em 2010, em Reencontrando a Felicidade), e pode se revelar um dos grandes artistas de sua geração. Sua construção como um jovem despreocupado, brincalhão e otimista é das mais convincentes, e é de se espantar com a competência do ator ao subverter completamente essa imagem à medida em que a trama vai encontrando áreas mais dramáticas. Fico feliz também em perceber como James Ponsoldt não se preocupa em esconder as marcas e acnes no rosto do ator, garantindo-lhe uma verdadeira autenticidade como adolescente, ao contrário de diversas produções que exageradamente embelezam seu elenco, resultando na artificialidade. O mesmo se aplica à Brie Larson (outra jovem para se ficar em olho) e a já conhecida Shailene Woodley, cuja excelente e tímida performance é reforçada graças a ausência de maquiagem em seu rosto – exigência da personagem que funciona maravilhosamente bem em cena.

O Maravilhoso Agora é um envolvente estudo de personagem que jamais perde seu foco e oferece um eficaz estudo de personagem que fica ainda melhor graças ao talentoso elenco. Seu tom aproxima-se mais do drama do que da comédia mas, ainda assim, deixaria John Hughes orgulhoso.

Obs: Crítica feita após assistir ao blu-ray do filme, ainda indisponível no Brasil – assim como uma tradução do título.

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Uma resposta to “| O Maravilhoso Agora| John Hughes ficaria muito orgulhoso”

  1. […] adaptada por Scott Neustadter e Michael H. Weber (responsáveis pelos ótimos (500) Dias com Ela e The Spectacular Now), e se concentra na jovem Hazel Grace (Shailene Woodley), diagnosticada aos 13 anos com um tumor […]

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