| Ninfomaníaca: Volume 1 | Uma satisfatória aliança técnica-narrativa

4.0

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Stacy Martin tem maior tempo em tela na pele da jovem Joe

Fiquei muito impressionado com o interesse popular que se criou ao redor do novo filme do dinamarquês Lars Von Trier. Não só pela inteligente campanha de marketing da produção, mas pelo tema que atrai universalmente todo tipo de pessoa: sexo. Com Ninfomaníaca (o primeiro volume), Trier parte para mais uma de suas peculiares análises psicológicas – que certamente afastarão muitos – mas acaba se saindo melhor quando oferece uma série de metáforas para suas questões.

A trama começa quando o solitário Seligman (Stellan Skarsgard) encontra Joe (Charlotte Gainsbourgh) ferida e largada em uma rua próxima à sua casa. Acolhendo-a, ela começa a contar a longa história de sua autodiagnosticada ninfomania. O volume 1 traz os cinco primeiros capítulos da história.

Logo em seus segundos iniciais, Lars Von Trier quebra a cara daqueles que esperam simplesmente por pornografia, ao trazer uma longa introdução que primeiro aposta num fundo preto para depois lentamente apresentar detalhes do cenário onde a ação se desenrolará. Passado o “choque” inicial, a narrativa começa de forma eficiente ao trazer “Führe Mich”, da banda de metal alemã Rammstein, como tema principal da produção e apresentação de sua complexa protagonista. Ao longo dos primeiros cinco capítulos que este primeiro volume abrange, Lars Von Trier oferece diferentes metáforas e associações (as quais não entrarei muito em detalhe) a respeito do sexo. Seja na pescaria, geometria (é) ou na composição musical de Bach, as escolhas do diretor são acertadas e bem acompanhadas por uma série de digressões do inconsciente (como clipes de peixes mordendo iscas ou um “placar” que traz a pontuação de uma curiosa competição) que sempre complementam a ideia oferecida pela reflexão de Trier.

Pode soar mais como um exercício de estilo do que uma reflexão propriamente dita, mas impossível não se entreter pela excepcional montagem de Molly Marlene Stensgaard, que não só oferece as digressões em seus momentos corretos, mas também oferece muito mais dinanismo visual à Ninfomaníaca. Stensgaard, aliada pela metáfora de Trier e por uma composição de Bach, faz um dos usos mais belos e geniais de tela dividida que já vi; onde acompanhamos a mais elaborada metáfora da narrativa, um feito técnico maravilhoso – além de servir também como bem colocado artifício de humor negro. Ainda sobre o bem sucedido uso da técnica como narrativa, Trier diminui a razão de aspecto da tela (transformando-a em um pequeno quadrado) ao trazer o segmento centrado na personagem de Uma Thurman, uma decisão que mostra-se acertada levando em consideração o teor intimista e sufocante deste.

Mas ainda que seja possível conferir Ninfomaníaca meramente por sua competência técnica, a pergunta que não quer calar é: e as cenas de sexo? Foi divulgado publicamente que o diretor usaria dublês de corpos para as cenas mais pesadas, substituindo os rostos pelo de seus atores digitalmente. A verdade é que tais cenas não são polêmicas como a divulgação prometeu (a menos a claro, que a verdadeira sujeira esteja guardada para o Volume 2) e servem seu propósito narrativo eficientemente, raramente soando como um excesso ou quebra de ritmo (ao contrário da polêmica cena envolvendo Azul é a Cor Mais Quente, para efeito de comparação tola). Vemos lá os corpos de Shia LaBeouf, Stacy Martin (um achado) e uma colagem de fotos de pênis que deixaria Tyler Durden com inveja e, sim, é explícito para o espectador habitual, mas longe de ser um pornô à la XVideos como muitos imaginavam.

Ninfomaníaca – Volume 1 é uma experiência satisfatória. Impressionante pela competência narrativa e os elementos audiovisuais que seu diretor contou para apresentar suas ideias (ainda que estas não impactem com a mesma proporção da forma com que foram exibidas). Deixa a polêmica de lado e enxergue o filme como um competente exercício. Agora, resta esperar por seu desfecho.

Obs: Durante os créditos finais, são exibidos alguns clipes do Volume 2, que estreia em Março.

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2 Respostas to “| Ninfomaníaca: Volume 1 | Uma satisfatória aliança técnica-narrativa”

  1. […] horas de material obtidos pelo cineasta Lars Von Trier. Já fica claro a continuidade direta com o Volume 1 desde o início, que começa imediatamente após o final deste. Nesta segunda metade, o […]

  2. […] Uma Thurman | Ninfomaníaca – Volume 1 […]

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