| Fruitvale Station: A Última Parada | Um intenso registro de fatalidade

3.5

FruitvaleStation
Michael B. Jordan é Oscar Grant a instantes da fatalidade

É uma tarefa muito complicada adaptar tragédias reais às telas. Especialmente uma que seja ambientada em único dia, e com uma fatalidade inesperada como a sofrida por Oscar Grant nos primórdios de 2009. Diferente de eventos como o  naufrágio do Titanic ou o 11 de Setembro (que também renderam obras cinematográficas), a morte de Oscar não foi um evento de escala monumental, mas – como nos bem mostra o filme do estreante Ryan Coogler – não menos importante e com a mesma dose de impacto.

Assinada também por Coogler, a trama dramatiza as últimas 24 horas da vida de Oscar Grant (Michael B. Jordan), um jovem desempregado e pai de uma filha com sua namorada (Melanie Diaz). Na celebração da virada do Ano Novo de 2009, ele foi morto a sangue frio por um policial que deteve Oscar e seus amigos após uma briga na estação de metrô do título.

Felizmente, Coogler não se desvia de seus objetivos. Em seus 80 minutos de projeção, Fruitvale Station mantém-se apenas aos eventos finais de Oscar, invalidando uma análise geral sobre toda sua vida ou digressões temporais (há apenas um flashback em toda a projeção, mas é só no terceiro ato nos damos conta da importância fundamental deste). É inegável que o espectador esteja desde o início esperando pelo clímax dramático, e Coogler sabe disso, conscientemente apostando em sequências onde Oscar faz planos para o futuro ou quando sua mãe (Octavia Spencer, excelente) lhe aconselha a tomar o metrô ao invés de dirigir. Mesmo sendo um jogo interessante de subversões de expectativas, atrasa um pouco o ritmo do arrastado primeiro ato, onde se salva a performance do ótimo Michael B. Jordan (você já o viu em Poder sem Limites e provavelmente o verá muito mais…), que absorve todas as complicações, intrigas e problemas de Oscar – sem nunca deixar seu bom humor morrer.

Quando o momento esperado finalmente chega, ele não decepciona. Coogler se mostra um cineasta seguro ao apostar em um intenso uso de câmera na mão e uma reconstituição quase que documental do assassinato em Fruitvale: seja pelo figurino dos personagens, os celulares da época ou até mesmo o cenário (que não era um set, e sim a própria estação em Oakland). O resultado é realmente devastador, capaz de deixar o espectador chocado até os créditos começarem a subir. E Coogler novamente brinca com as expectativas (dessa vez, de maneira até sádica) ao trazer a mãe, namorada e amigos de Oscar rezando por sua melhora no hospital em uma poderosa cena, que certamente seria um formulaico deus ex machina caso a história trouxesse uma conclusão feliz. Mas, infelizmente, todos sabemos o inevitável desfecho.

No fim, Fruitvale Station: A Última Parada serve tanto como um documento quanto uma manifestação do choque e fatalidades injustas, sendo seus motivos ligados à brutalidade ou, simplesmente, incompetência. Traz ótimo elenco e uma direção afiada, lançando também o promissor nome de Ryan Coogler ao mundo. Ficaremos de olho.

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Uma resposta to “| Fruitvale Station: A Última Parada | Um intenso registro de fatalidade”

  1. […] promete injetar vida nova na saga do boxeador Rocky Balboa com Creed. Aqui, o diretor Ryan Cooglan (Fruitvale Station) nos apresenta ao filho do oponente Apollo Creed, trazendo Sylvester Stalone como mentor do […]

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