| Divergente | Franquia literária falha ao tentar repetir sucesso de Jogos Vorazes

2.0

DIVERGENT
Shailene Woodley é Tris: Talentosa

Como foi rápido. A bem sucedida franquia Jogos Vorazes ainda está no segundo capítulo e Hollywood já assumiu que governos autoritários são a nova moda, apostando agora na trilogia young adult Divergente, de Veronica Roth. O problema é que, ao contrário da série protagonizada por Jennifer Lawrence, o filme de Neil Burger não chega nem perto no quesito de oferecer boas discussões sociais e também falha como espetáculo, limitando-se a se concentrar no aspecto teen de sua história.

A trama, adaptada por Evan Daugherty e Vanessa Taylor, apresenta uma sociedade distópica futurista dividida em cinco facções: Abnegação, Audácia, Amizade, Erudição e Franqueza, cada uma com suas características e funções sociais diferentes. Nesse cenário, a jovem Tris (Shailene Woodley) acaba por descobrir ser uma Divergente, espécie que não se encaixa em nenhuma das divisões e representa uma ameaça para o governo autoritário de Jeanine (Kate Winslet).

Apesar de uma premissa remotamente interessante (remotamente, eu disse), Divergente desperdiça seus conceitos de ficção científica ao apostar na óbvia trama amorosa entre seus protagonistas. No primeiro momento em que Tris e Quatro (o estreante Theo James) compartilham um primeiro beijo apenas para que a trilha incidental traga uma musiquinha adolescente com gemidos angelicais, me ficou bem evidente o tipo de filme que Neil Burger estava fazendo – e para quem o estava. Ainda que o roteiro acerte ao criar uma protagonista forte e convincente na figura de Tris (e a ótima performance de Shailene Woodley é o que nos faz ter o mínimo de interesse nela), falha miseravelmente ao apresentar uma trama inteligente, transformando os personagens em figuras maniqueístas (afinal, que diabos a personagem de Kate Winslet quer?) e presas à arquétipos batidos: a sidekick Christina (Zoë Kravitz), o instrutor malvado (Jai Courtney) e o colega imbecil provocador (Miles Teller, que desperdício).

Burger até consegue empolgar com a exploração do excelente design de produção futurista de Andy Nicholson e em algumas sequências de ação, especialmente durante o treinamento da facção Audácia, onde sobram referências a Clube da Luta (“a luta só acaba quando um de vocês não aguentar mais”), mas que cativam pela brutalidade e a pontualmente eficiente trilha eletrônica de Junkie XL; outro bom discípulo do mestre Hans Zimmer. Mas ainda que traga uma boa sequência de alucinação aqui e ali (não se esqueçam de que Burger é responsável por Sem Limites), o filme se perde em um terceiro ato bagunçado e que de alguma forma consegue reunir a família INTEIRA da protagonista e um personagem (Marcus, vivido por Ray Stevenson) que o roteiro cisma em oferecer em importância no início, mas é rebaixado a um simples coadjuvante dispensável ao longo da narrativa.

Com certeza fãs do livro argumentariam que tais elementos são importantes dentro do livro ou de suas continuações, mas novamente insisto que cinema e literatura são mídias completamente opostas. E se o filme de Neil Burger não consegue sobreviver sozinho, já é uma evidência de sua irregularidade.

Excessivamente longo e sem graça, Divergente é uma aposta falha para o público maior, sendo limitada apenas aos admiradores do material original. Desperdiça um bom elenco e não chega nem aos pés da franquia que quer ser, carecendo de uma trama alegórica inteligente ou de um espetáculo verdadeiramente convincente.

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