| Oldboy – Dias de Vingança | Crítica

2.5

Oldboy
Made in America: Josh Brolin até que honra o martelo

Se arriscar a refilmar qualquer filme é brincar com fogo. Se arriscar a refilmar o neo-clássico sul coreano Oldboy é brincar com um furioso dragão cuspidor de fogo com apenas uma pistolinha de água como arma contra seus sopros incinerantes. O filme comandado pelo excepcional Chan Wook Park em 2003 impressiona por seu estilo apurado, trama surpreendente e violência sem pudor, algo que seria difícil de ser encontrado no remake Oldboy – Dias de Vingança. Nenhuma surpresa que essa nova versão não chegue nem perto do impacto do original, mas até que Spike Lee tenta.

A trama preserva os mesmos elementos do filme de 2002 (ambos baseados no mangá de Garon Tsuchiya e Nobuaki Minegishi), trazendo o desleixado Joe Doucett (Josh Brolin, intenso como requer o papel) sendo misteriosamente sequestrado e mantido em cativeiro em um quarto de hotel por duas décadas. Sem explicação ou contato humano, Doucett é libertado e descobre ter sido incriminado pelo assassinato de sua mulher, precisando encontrar o responsável por sua captura e encontrar sua filha perdida.

Eu geralmente não tenho muitos problemas com remakes, desde que tragam uma lógica consistente em sua adaptação para um novo público – seja de geração ou país diferente. Já com este Oldboy, é outro cenário: falha ao oferecer algo diferente que Chan Wook Park já não tivesse realizado com maestria há 12 anos e Lee não consegue atingir o mesmo impacto dramático (e absolutamente perturbador) de uma das reviravoltas mais sombrias de todos os tempos. O filme nunca nos envolve, nunca nos faz emergir na história como o original – que trazia até mesmo longas tomadas em POV para alcançar tal feito.

Uma pena, já que Spike Lee claramente tenta entregar um serviço decente. Sua direção é estilosa e energética ao retratar a passagem de anos nas cenas do hotel, agradando também por sua abordagem visual interessante nas sequências de flashback (que trazem os personagens “assistindo” os eventos em meio ao desenrolar destes) e por um plano-sequência particularmente inspirado. O mesmo não pode ser dito sobre sequências imortalizadas no original: a famosa luta do martelo? Bacana, Lee até tenta elevar o nível ao… trazer mais níveis para o cenário, mas não deixa de soar excessivamente coreografado. Condenável também a decisão do diretor em abusar de efeitos digitais visivelmente artificiais (sangue digital, até quando?), mas completamente apoiada a decisão de Sharlto Copley em construir um antagonista que se baseia completamente em quesitos do tipo – seja em visual, ou o bem-vindo exagero de sua performance.

Oldboy – Dias de Vingança não é nem um tentáculo do maravilhoso crustáceo que é o filme original sul coreano. Spike Lee se esforça, mas é incapaz de oferecer algo relevante para a história (talvez no final, que apresenta elementos completamente novos). Interessante como uma rápida cena deste remake o resume perfeitamente: Joe entra em um restaurante chinês e indaga uma lula viva no aquário. Fãs do original certamente perceberão a referência, mas será que o protagonista aqui teria mesmo a audácia de devorar o invertebrado vivo, como fez o ator Min-sik Choi?

Claro que não.

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