| Vizinhos | Crítica

3.5

Neighbors
Zac Efron e Seth Rogen na pista de dança

Acho muito satisfatório quando uma comédia consegue ser bem atual, adotando as inovações culturais/tecnológicas da sociedade em suas dezenas de piadas. Judd Apatow (O Virgem de 40 AnosLigeiramente Grávidos, entre outros) é um especialista nesse quesito, e mesmo que seu dedo não esteja presente em Vizinhos, não é difícil encontrar influências do diretor/roteirista. Ainda que escrachada, vulgar e essencialmente um longa com propósito para fazer rir, é possível encontrar um inesperado subtexto sobre justamente isso: inovação.

A trama começa quando uma república de estudantes, liderada por Teddy (Zac Efron), se muda para a casa vizinha à do casal Radner (Seth Rogen e Rose Byrne), que vai lidando com os desafios iniciais de serem pais. Com as constantes e barulhentas festas promovidas pelo grupo, o casal logo inicia uma guerra contra os universitários.

Ao pensar nessa premissa, só imagino os roteiristas estreantes Andrew J. Cohen e Brandon O’Brien pelos corredores da Universal vendendo a ideia de um filme sobre “um casal vizinho de uma fraternidade universitária”, e como a amizade com Seth Rogen deve ter ajudado. É uma boa ideia no papel, mas difícil de se fazer um longa que se sustente em aproximadamente 90 minutos, que é justamente onde Vizinhos patina: estrutura. O roteiro da dupla é problemático ao fornecer uma narrativa fluente, dado que em certo momento da trama o casal “vence” a fraternidade, mas resolve voltar a atacá-los simplesmente pelo ócio. Não faz sentido também a briga que o casal tem durante outro ponto da história, que não leva a absolutamente lugar algum e é resolvida sem grande dificuldade.

Mas tudo bem, já que Vizinhos tem muito mais qualidades que o redimem. Falar sobre comédia sempre é uma tarefa engrata, já que é o gênero mais relativo de todos: uns vão rir horrores com frases do tipo “ele parece uma estátua esculpida por cientistas gays”, já outros vão ficar completamente enojados com a rápida imagem de um pênis enorme enrolado no pescoço de uma mulher ou uma bizarra cena de ordenha. Saiba o tipo de filme em que está entrando, é uma comédia suja. Vizinhos me arrancou muitas risadas, especialmente pela facilidade do roteiro em capturar em cheio o período atual, sobrando referências para séries como Breaking Bad (“Sorria, bebê Heisenberg”) e Game of Thrones, a maciça inclusão digital como artifício narrativo e momentos de puro nonsense, como a luta entre Rogen e Zac Efron.

Aliás, como antigo hater do ator marcado por High School Musical, reconheço sua ótima performance como o presidente da fraternidade Delta Psi. Não só é um completo maluco e marginal quando a trama o requer assim, mas também carrega uma faceta dramática escondida – que traz à tona o embate novo/velho e o futuro incerto em um interessante diálogo – que ajuda a tornar seu personagem crível, ao invés de simplesmente um antagonista unidimensional. Ao seu lado temos o cada vez mais carismático Dave Franco como um de seus amigos, o sempre hilário Seth Rogen e a revelação cômica na forma de Rose Byrne, que simplesmente rouba todas as cenas com um brilhante sotaque australiano. E o diretor Nicholas Stoller (Ressaca de Amor e O Pior Trabalho do Mundo) é inteligente ao fornecer bastante espaço para improvisos, além de comandar bem as sequências envolvendo baladas e suas luzes coloridas, e até brincar com diferentes formatos de vídeo em alguns rápidos flashbacks sobre a origem da fraternidade: anos 30, filme mudo; anos 70, razão de super 8; anos 80, VHS.

No fim, Vizinhos é uma experiência divertida e que certamente vai arrancar risadas se você curtir esse tipo de humor, e também surpreende com seu esperto e inesperado subtexto. Considerando que este é um filme onde a ereção é usada como golpe de luta, é no mínimo surpreendente.

Obs: Alguém dê um biscoito para quem teve a ideia de uma festa temática Robert De Niro.

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Uma resposta to “| Vizinhos | Crítica”

  1. […] mesma forma como escrevi na minha crítica de Vizinhos, Seth Rogen é o cara com as ideias mais absurdas que entra no escritório do produtor e consegue […]

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