| Sem Escalas | Crítica

3.0

Non-Stop

Acho interessante que Liam Neeson esteja dedicado a se tornar um grande astro de ação. O ator irlandês tem invejável carga dramática e já mostrou em produções medianas como Busca ImplacávelDesconhecido, ou o ótimo A Perseguição, que é muito capaz de chutar bundas. Neeson já chegou a um nível em que o acompanharemos, não importa o tipo de produção (e a qualidade desta) em que se arrisque. Com Sem Escalas, temos um suspense que hora beira ao brilhantismo de Alfred Hitchcock hora nos lembra as comédias dos irmãos Wayans.

A trama gira em torno do agente federal William Marks (Neeson), encarregado de se misturar entre os passageiros de aviões e monitorar a situação, neutralizando possíveis ameaças. Em certo voo, ele recebe uma ameaça anônima via celular, requisitando 150 milhões de dólares ou a cada 20 minutos, um passageiro do avião será assassinado. Enquanto as suspeitas começam a se virar para Marks – um alcoólatra depressivo – ele corre para encontrar o responsável.

Outro fator que pessoalmente me interessou em relação a Sem Escalas é o “gênero avião”. A ambientação claustrofóbica e os diversos tipos de passageiros sempre me divertiram em obras como Plano de Voo, Voo Noturno e até mesmo o intenso Voo United 93, e o diretor espanhol Jaume Collet-Serra (com quem Neeson já havia trabalhado em 2011, com Desconhecido) é muito sábio ao explorar as diferentes convenções. Sua câmera passeia pelos estreitos corredores com imensa liberdade, sendo até capaz de simular longos e engenhosos planos-sequência. Todas as decisões de Serra auxiliam na construção de um pesado tom de suspense, que como todo bom filme do gênero, vai intrigar o espectador a respeito da identidade do antagonista.

O problema mesmo é quando o filme passa a marca de 1 hora. Os primeiros dois atos oferecem conceitos e promessas fascinantes, mas o roteiro dos novatos John W. Richardson, Christopher Roach e Ryan Engle é incapaz de oferecer uma resolução que faça sentido – dentro ou fora do contexto pré-estabelecido. É cheio de furos em relação à forma impossível com que as mortes vão acontecendo e simplesmente risível quando descobrimos o antagonista e seus motivos absurdos, que até tentam oferecer uma crítica aos padrões de segurança estadunidenses do pós-11 de Setembro, mas falham em decorrência dos absurdos e dos estereótipos forçados (CLARO que temos um árabe a bordo, CLARO que ele sofre com preconceitos…). E nem falo nada sobre os pavorosos efeitos digitais que invadem a trama nos últimos 20 minutos.

Vale por Liam Neeson, carismático como sempre. E durante sua primeira metade, Sem Escalas é assustadoramente eficiente em sua suculenta premissa, comandada com maestria pelo diretor. Infelizmente, o longa abandona tudo isso em uma conclusão absurda e implausível, ainda que seja divertido ver Neeson apanhando uma arma em gravidade zero.

Como diz o co-piloto do avião em certo momento: “Ah, que se foda!”

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2 Respostas to “| Sem Escalas | Crítica”

  1. […] ato e é isso. Sem os elementos estapafúrdios que arruinaram outros bons filmes de Neeson, como Sem Escalas e Desconhecido. Mas admito que a conclusão se estendeu um pouco além do necessário, podendo ter […]

  2. […] esgotaram, mas o ator tem feito experimentos muito interessantes com obras como A Perseguição, Sem Escalas e, particularmente, o eficiente suspense Caçada Mortal. Sua nova investida vem com Noite Sem Fim, […]

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