| O Grande Hotel Budapeste | Crítica

5.0

TheGrandBudapestHotel
Gerações: o ápice da carreira de Ralph Fiennes, a bela descoberta Tony Revolori

Foi com Moonrise Kingdom, em 2012, que adentrei no universo único e bizarro comandado pelo lorde Wes Anderson. De lá pra cá, pude conhecer melhor a carreira do diretor que inclui ainda Pura AdrenalinaTrês é Demais, Os Excêntricos Tenenbaums, A Vida Marinha com Steve Zissou, Viagem a Darjeeling e O Fantástico Sr. Raposo. Ainda me restam duas obras para conferir, mas duvido que estas possuam o charme indescritível de O Grande Hotel Budapeste.

A trama é inspirada nos trabalhos do autor austro-húngaro Stefan Zweig, e se concentra no outrora luxuoso e prestigiado hotel europeu do título. A história tem início quando um escritor (Jude Law) entrevista o atual dono do hotel (F. Murray Abraham), cujo discurso regressa à década de 30 para narrar uma história de roubo de arte decisiva para o destino do local.

Em primeiro lugar, você já deve ter parado pra olhar o pôster desse filme. Eu me pergunto: quantas vezes já vimos um elenco tão incrível, estrelado e talentoso como esse? Poucas, de fato. Falar sobre cada um dos intérpretes que dividem a tela levaria tempo, então limito-me a dizer que estão todos impecáveis, e Anderson é perfeitamente capaz de distribuir suas respectivas participações. Claro que o divertidíssimo concierge de Ralph Fiennes (naquela que é certamente a melhor performance de sua carreira) e o mensageiro vivido pelo estreante Tony Revolori dominam maior parte da narrativa, mas o estelar elenco “coadjuvante” é perfeitamente capaz de brilhar em seus pequenos momentos; o que inclui a turma habitual de Anderson, trinca formada por Bill Murray, Jason Schwartzman e Owen Wilson.

Se você comprou ingresso para um filme de Wes Anderson mas nunca ouviu falar no sujeito, saiba que o cara é um dos profissionais mais autorais da Sétima Arte. Sua obsessão milimétrica pela simetria visual surge fortíssima em O Grande Hotel Budapeste, mas dessa vez beneficiando-se do genial design de produção de Adam Stockhausen, que acerta na arquitetura quase monárquica do hotel, ao mesmo tempo em que preserva características cartunescas típicas da carreira de Anderson. Aliás, vale mencionar como o diretor e o fotógrafo Robert D. Yeoman se divertem ao brincar com as diferentes razões de aspecto da tela: desde o formato 4:3 (imagem menor, num formato quadrado) para as cenas na década de 30, até o glorioso cinemascope nas cenas mais contemporâneas. É quase uma aula sobre a evolução da câmera cinematográfica.

E mesmo com todo o perfeccionismo plástico, o roteiro de Anderson jamais deixa de fascinar com sua bizarra trama. Essencialmente uma comédia com tons de heist, investigação e até mesmo de fuga de prisão, e sempre nos surpreende por seus rumos inesperados e as diferentes e multifacetadas figuras que movem suas ações. Há de parabenizar o excepcional trabalho de montagem de Barney Pilling, que não só é eficiente ao exibir cortes e transições dinâmicas, mas também pela decisão de iniciar a projeção de forma descontínua, encontrando a justificativa nos segundos finais.

O Grande Hotel Budapeste é desde já um dos melhores trabalhos de 2014, e comprova que o invencionismo visual de Wes Anderson não atrapalha na condução de uma história que abraça o nonsense. Pelo contrário, ajuda e diverte.

Caramba, talvez seja um dos filmes mais divertidos que eu já vi na vida.

Anúncios

3 Respostas to “| O Grande Hotel Budapeste | Crítica”

  1. […] Oscar. Rodado em preto e branco e com a razão de aspecto de 1.33 : 1 (menor e quadrada, tal como O Grande Hotel Budapeste), a dupla ajuda Pawlikowski a alcançar sua visão, especialmente pelos enquadramentos que diminuem […]

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: