| Guardiões da Galáxia | Crítica [ATUALIZADO]

Leiam até o final….

4.0

GuardiansoftheGalaxy
Os guardiões: Peter Quill, Rocket, Gamora, Drax e Groot

Eu tenho meus problemas com a Marvel Studios. No geral, aprecio bastante os filmes lançados pela produtora de Kevin Feige, mas repreendo a necessidade de padronizar seus lançamentos como meros produtos, jamais tomando rumos verdadeiramente ousados ou que se arrisquem a transformar o gênero, além da já comentada limitação de integridade artística – vide o caso de Edgar Wright e o Homem-Formiga. No entanto, fiquei genuinamente empolgado com o anúncio de Guardiões da Galáxia, um filme sobre um grupo que era desconhecido por muitos (eu inclusive) e que prometia levar o universo do estúdio para o delicioso terreno da ficção científica. Bem, infelizmente o resultado foi bem inferior em relação ao que eu imaginava.

A trama tem início quando o jovem Peter Quill é abduzido ainda quando criança. Crescido e com as feições de Chris Pratt, ele se transforma num ladrão espacial (vulgo, Senhor das Estrelas) que acaba encontrando uma relíquia misteriosa que é de interesse de uma autoridade muito maior. Em sua cola, aparecem a assassina Gamora (Zoe Saldana), o maníaco Drax (Dave Bautista) e os caçadores de recompensas Rocket e Groot (vozes de Bradley Cooper e Vin Diesel, respectivamente). Apesar do choque de interesses, o grupo resolve se unir para proteger a relíquia do perigoso terrorista Ronan, O Acusador (Lee Pace).

Durante a produção do filme, Kevin Feige chegou a dizer que “este poderia ser o nosso próprio Star Wars“. E realmente, seja no caráter anti-herói dos protagonistas (todos eles têm um quê de Han Solo ou até mesmo Indiana Jones) ou algumas relações entre os antagonistas, James Gunn toma diversas decisões que o colocam lado a lado com a icônica hexalogia de George Lucas. Agora, as comparações param por aí.

Fico triste em ver um leque tão criativo de personagens ser desperdiçado (Benicio Del Toro merecia muito mais, Glenn Close faz não sei o que aí no filme) por uma trama fraca e previsível. O roteiro assinado por Nicole Perman e pelo próprio Gunn não demonstra a mesma coragem do executivo que sugeriu um filme com um guaxinim falante, sendo movido por clichês, exposições gritantes e um vilão completamente mal trabalhado. Vejam bem, na primeira cena em que vemos Ronan, uma narração em voice over do próprio explica quem é e os motivos que o movem, só para na cena seguinte algum personagem explicar novamente quem é Ronan, dessa vez para Quill. Não seria mais interessante e enigmático conhecê-lo depois da introdução? Sem saber exatamente quem é? Talvez adicionasse algum peso ao vilão de Lee Pace, cujo visual tenebroso é muito mais interessante do que suas motivações vazias e genéricas.

Falando em visual, é um setor que o filme domina. Desde o design de produção que cria mundos alienígenas criativos e fascinantes à sua própria forma até o excepcional trabalho de maquiagem, a produção é um deleite para os olhos. Mas… Nem isso Gunn é capaz de aproveitar, já que é tão burocrático no comando das cenas de ação, especialmente nas perseguições com naves espaciais – sério, só foram boas para me fazer lembrar como estas eram boas na trilogia original de Star Wars – ou as lutas que não empolgam tanto quanto a interação entre o grupo.

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Guardiões seria outro filme sem a maravilhosa trilha sonora

Chris Pratt é muito carismático e divertido na pele do Senhor das Estrelas (sua reação ao finalmente ser reconhecido pelo codinome é ótima). Dave Bautista surpreende pelo discurso correto e forma que Drax esbanja, o que contrasta com sua aparência monstruosa. Zoe Saldana é de longe a personagem feminina mais interessante do universo Marvel nos cinemas até agora, graças a sua personalidade forte. Groot é surpreendentemente bem aproveitado, oferecendo soluções visuais pertinentes e belas (como a bioluminêscencia de suas flores). O que não é surpresa alguma é ver o impagável Rocket roubar absolutamente cada segundo de cena, sendo bem criado pelos efeitos visuais e a ótima dublagem de Bradley Cooper.

Agora, o humor é bem colocado. Se formos comparar, por exemplo, com produções como Thor – O Mundo Sombrio e Capitão América 2 – O Soldado Invernal, Guardiões se sai infinitamente melhor por apostar na comédia desde o início, evitando as interrupções abruptas que prejudicavam o andamento de tais filmes (como a trama de espionagem e paranoia de O Soldado Invernal sendo interrompida para uma piadinha com um atendente da Apple). Nesse quesito, o roteiro se sai bem ao apostar nas inúmeras referências pop à década de 70 e 80, refletidas tanto nos diálogos quanto na ótima trilha sonora incidental.

Sério, eu queria ter amado Guardiões da Galáxia. Tem personagens e conceitos únicos, mas não se mostra disposto a oferecer algo diferente e inovador em sua fórmula narrativa, ficando na linha do ordinário. E ordinário não é uma denonimação que eu esperaria de um filme protagonizado por um guaxinim falante.

Eu molho as calças ao imaginar o que alguém talentoso como Guillermo del Toro seria capaz de fazer com o material.

Obs: Como de praxe em filmes da Marvel Studios, há duas cenas adicionais durante a após os créditos. A última vai deixar muita gente confusa, hehe.

Obs II: O 3D convertido funciona bem.

Obs III: Kevin Bacon.

PÓS CRÍTICA: UMA RETRATAÇÃO | 1º de Agosto de 2014

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Bem, este é um raríssimo acontecimento.

Revi Guardiões da Galáxia hoje e confesso ter apreciado muito mais domque minha primeira sessão – onde fui prejudicado pela expectativa massiva e uma dor de cabeça excruciante. Valeu a pena rever, prestei melhor atenção em certos pontos e me diverti mais. Mas não desconsidere a crítica toda: diversos dos problemas discutidos (especialmente a exposição do roteiro e o trabalho com Ronan) continuam lá, mas a experiência funcionou bem melhor agora. Ah, e talvez tenha pegado pesado na direção de Gunn…

Enfim, queria apenas deixar registrada minha nova opinião e uma nota superior para o filme.

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9 Respostas to “| Guardiões da Galáxia | Crítica [ATUALIZADO]”

  1. Matheus Cal Says:

    Cara, o que você tem que levar em consideração é que o filme na verdade é meramente uma forma de trazer conhecimento sobre os outros planetas/universos que começaram a ser explorados em Avengers e que vão ser aprofundados em Avengers II (além de, claro, avançar o plot da Infinity Gauntlet.) Ainda não assisti o filme mas não tenho grandes expectativas justamente por entender que se trata de um projeto secundário da trama!

  2. […] melhor – a apelação. Muitas piadas nos filmes da Marvel Studios funcionam, e o recente Guardiões da Galáxia é o exemplo que melhor ilustra esse cenário; justamenteporque a aventura espacial já assumia o […]

  3. […] que terá também Léa Seydoux (Azul é a Cor Mais Quente) como uma femme fatale e Dave Bautista (Guardiões da Galáxia) como um adversário aos moldes de […]

  4. […] Guardiões da Galáxia já virou um filme polêmico aqui no blog, por se tratar da minha primeira retratação. Não gostei do filme em minha primeira visita, mas este cresceu muito em mim após novas sessões. É um longa com personagens carismáticos que diverte pela dinâmica proporcionada em suas relações – bem balanceada entre o humor escrachado e um apropriado drama humano. Tem seus problemas (estrutura formulaica, clichês Marvelescos, etc), mas não deixa de ser um dos melhores filmes que a Marvel Studios já lançou. Crítica […]

  5. […] Guardiões da Galáxia | Alexandra Byrne […]

  6. […] 5 filmes com Robert Downey Jr, 4 com Chris Evans e Chris Hemsworth… Foi um alívio quando Guardiões da Galáxia trouxe novos e refrescantes elementos no ano passado, e a sensação é similar quando termina a […]

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