| Boyhood: Da Infância à Juventude | Crítica

4.5

Boyhood
Ellar Coltrane: 12 Anos de Atuação

Boyhood – Da Infância à Juventude é um filme difícil de se escrever sobre, já que mal posso considerá-lo como um filme. O indie épico de Richard Linklater está mais para uma representação da vida do que ficção, com seus atores se livrando de qualquer luxo ou estereótipo para adotar pessoas reais, em um filme cuja trama é, nada menos, do que a própria vida e os diferentes estágios desta.

Pra quem não sabe, aqui vai um breve resumo: em 2002, Richard Linklater começou a trabalhar em um projeto secreto que se estenderia até 2014, onde filmou a infância do ator Ellar Coltrane – em uma história ficcional, diga-se de passagem – por pouco mais de uma década. O que vemos em tela, é praticamente uma vida.

Richard Linklater é um cineasta único, com uma visão apaixonada dos objetos e personagens que opta retratar. Foi assim com Jovens, Loucos e Rebeldes, o filosófico Waking Life, sua carta de amor ao rock and roll com Escola de Rock, o falso documentário Bernie – Quase um Anjo e, mais notavelmente, na trilogia romântica iniciada com Antes do Amanhecer. Boyhood é um projeto muito mais ambicioso, remetendo diretamente às experiências de Michael Apted na série de documentários Up (onde entrevistava pessoas em diferentes estágios de suas vidas) ou à relação entre François Truffaut e o ator Jean-Pierre Aumont, que interpretou o mesmo personagem em diferentes filmes, em diferentes épocas. Aliás, Os Incompreendidos (estreia de Truffaut como diretor) é uma inspiração assumida de Linklater, não só para Boyhood, mas para toda sua carreira no geral.

Isso porque Linklater é habilidoso em retratar tudo da maneira mais espontânea e natural possível. Sua câmera está lá pra capturar momentos e uma trilha sonora instrumental não-diegética é inexistente aqui, dando espaço para uma variada mixtape de músicas pop/indie, o que diversas vezes nos faz questionar as barreiras entre ficção e realidade. É fascinante ver Ellar Coltrane crescendo e aprendendo a atuar, especialmente porque seu Mason é um adolescente com uma visão muito específica a respeito do mundo. Tanto Ethan Hawke quanto Patricia Arquette (a última, principalmente) estão excelentes como os pais de Mason, e é igualmente impressionante ver os distintos estágios que a mãe enfrenta durante a projeção; culminando um sincero e emocional desabafo, cujo apelo certamente é universal.

E o filme também é divertidíssimo. As referências de dez anos atrás – registradas dez anos atrás, olha só – quase transformam o filme em uma máquina do tempo, seja para desenterrar desenhos como Dragonball e o início do Funny or Die ou para prever o futuro, como quando Mason e seu pai se perguntam se algum dia haveria um novo filme de Star Wars. “O Retorno de Jedi é o fim. O que daria pra fazer depois disso? Transformar Han Solo num Lorde Sith?”

Em seus momentos mais profundos, Boyhood: Da Infância à Juventude é capaz de se transformar um espelho, fazendo com que o espectador olhe para si mesmo e identifique-se com os eventos do longa, em busca de uma catarse. Certamente trouxe um forte impacto em mim, não apenas como cinéfilo, mas como ser humano.

É um filme sem igual.

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4 Respostas to “| Boyhood: Da Infância à Juventude | Crítica”

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  3. […] confiável termômetro do Oscar, soltou seu escolhido durante a madrugada. E se muitos esperavam Boyhood, O PGA surpreendeu ao premiar Birdman, o que já o desponta como grande favorito ao prêmio do dia […]

  4. […] Patricia Arquette | Boyhood – Da Infância à Juventude […]

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