| Jersey Boys: Em Busca da Música | Crítica

3.5

JerseyBoys
Dos palcos da Broadway para os palcos de um estúdio

Eu fico impressionado com o quão eclético é o Clint Eastwood diretor. Dos densos Além da Vida, J. Edgar e o ainda inédito Sniper Americano, o cowboy aposentado vai lá e faz esse Jersey Boys: Em Busca da Música, adaptação de um musical hit da broadway.

A trama é inspirada em acontecimentos reais, contando a ascenção e (claro) decadência do grupo The 4 Seasons, que contava com Frankie Valli (John Lloyd Young), Tommy DeVito (Vincent Piazza), Bob Gaudio (Eric Bergen) e Nick Massi (Michael Lomenda), quatro jovens da Nova Jersey dos anos 1960.

Se não achou nenhum dos nomes citados acima familiares, não se preocupe. É porque Eastwood optou por contratar os atores do musical da Broadway, em uma decisão ousada e arriscada. Garante números musicais eficientes ao filme, mas devo confessar que nenhum dos quatro demonstrou carisma o suficiente para comandar uma cena – mesmo que o recurso de quebra de 4ª parede auxilie-os na interação com o espectador. Vincent Piazza se sai melhor, mas porque seu personagem tem tons de cinza mais evidentes, e é sempre bom ver um sujeito cínico e auto-destrutivo em ação. Porém, temos lá Christopher Walken entregando seu sempre agradável type casting no papel secundário de um mafioso.

O que realmente me agradou foi a história, e os recursos visuais adotados por Eastwood. A começar pela fotografia, novamente assinada por Tom Stern, que abraça o cinza e as sombras, em nada assemelhando-se com um típico musical; geralmente colorido, ou mais estilizado (como Sweeney Todd, por exemplo). Tal decisão ajuda a estabelecer o tom (e também confere uma certa elegância, maturidade) da história, que naturalmente transita entre o drama, o humor e a tragédia enquanto cobre um espaço temporal de quase 30 anos – eventos bem selecionados e distribuídos pelos roteiristas Marshall Brickman e Rick Elice, autores também do musical. Tudo bem que a história abraça todos os clichês possíveis do gênero, mas envolve.

Ao mesmo tempo, a quantidade de eventos pode ser um problema. Ou melhor, a maneira com que Eastwood retrata como estes vão atravessando décadas. Por exemplo, em certo momento me assustei ao perceber que o protagonista já tinha uma filha crescida, mesmo mantendo exatamente a mesma aparência jovial do início da projeção. Sutileza é sagrado, mas assim já é demais. E quando a trama avança a ponto de termos os personagens já envelhecidos, Eastwood e seu departamento de maquiagem provam que não aprenderam nada com as pavorosas criaturas concebidas em J. Edgar.

No fim, Jersey Boys: Em Busca da Música revela-se um dos projetos mais divertidos e inesperados de Clint Eastwood, comprovando sua versatilidade e capacidade de reconstruir épocas e capturar o espírito de gêneros variados.

Obs: Eastwood faz uma cameo, anos mais jovem, em certo momento. Bem divertido.

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2 Respostas to “| Jersey Boys: Em Busca da Música | Crítica”

  1. […] idealista e nacionalista de seu protagonista. Quem diria que, num ano em que Eastwood lança um musical de coro e um filme sobre um atirador, o longa cantado seria […]

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