| Invencível | Crítica

3.0

Unbroken
Jack O’Connell

Não sou um membro da indústria cinematográfica, nem convivo com pessoas do meio, então é difícil saber o que se passa entre os bastidores de certas produções e se as comédias de humor negro sobre Hollywood acertam em seu retrato. Eu realmente não sei se alguns diretores resolvem fazer tal filme visando apenas as premiações, dinheiro…. Ah, espera. Alguns só pensam nisso, sim. O problema é que Angelina Jolie não é nada sutil com suas intenções em Invencível.

A trama aborda a surpreendente história real de Louis Zamparine (Jack O’Connell), um jovem rebelde que acaba descobrindo habilidade de corrida, o que um transforma num atleta olímpico. Com o avanço da Segunda Guerra Mundial, Zamparine é alistado e vai de mal a pior quando seu bombardeio cai em alto-mar, deixando-o à deriva até ser “resgatado” por tropas japonesas, que o confinam num campo de prisioneiros.

Ou seja, temos três gêneros aqui: o filme esportivo, o filme de guerra e o filme de náufrago. É de se espantar que Louie Zamaparine tenha de fato sobrevivido a tudo isso na vida real, admirável. É um grande material que Jolie tinha em mãos, e ela reuniu um time de vencedores em praticamente todo departamento: os irmãos Joel e Ethan Coen para adaptar o roteiro, Roger Deakins para cuidar da fotografia, William Goldenberg e Tim Squyres (que, ironicamente, montou As Aventuras de Pi) na montagem e Alexandre Desplat na trilha sonora. Mas curiosamente, o texto não se parece nada com algo que os Coen faria, a música de Desplat é um de seus trabalhos mais esquecíveis e a fotografia de Deakins é competente, mas nada que desponte em suas melhores contribuições – e olha que estamos falando de um dos maiores diretores de fotografia da atualidade.

Isso revela que o departamento que atua em cima disso tudo, A.K.A., a direção, não estava muito bem. Jolie consegue pintar umas boas paisagens e constrói tensão apropriadamente aqui e ali (as cenas com tubarões são ótimas), mas tem a mão pesada e trata tudo como algo melodramático e superexagerado, como se gritasse atrás das câmeras que “isso é importante” ou “isso é triste”, ou ainda “Oscar!”. Sua câmera quase sempre está na contra luz, desacelera para provocar catarses o tempo todo, o que provoca uma significativa diminuição no impacto que estas teriam.

Mas disso, temos a revelação de Jack O’Connell. Em seu primeiro grande papel cinematográfico, o jovem demonstra carisma e também a força que Zamperini precisa: ele corre, grita, se suja e também traz paciência e sabedoria nos momentos-chave. Só queria saber quem é Louie Zamperini, porque o filme não me ensinou nada sobre ele. É um sujeito bom, retratado de forma idealista como um ícone, mas eu realmnte não sei o que o move, o que o motiva… Como protagonista de uma narrativa, claro.

Invencível é uma história surpreendente e que poderia ter rendido melhor nas mãos de outros autores, mas que se sustenta aqui graças ao talento de seu protagonista. Angelina Jolie lentamente vai moldando sua visão autoral, mas não é com um melodrama gritante – ainda que bem intencionado – que ela vai se juntar aos grandes.

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2 Respostas to “| Invencível | Crítica”

  1. […] algo de muito familiar entre a investida de Angelina Jolie como diretora em Invencível e a estreia do australiano Russell Crowe na mesma área, com o novo Promessas de Guerra. Não só […]

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