| Livre | Crítica

3.5

Wild
Reese Witherspoon é Cheryl Strayed

O walkabout, ou a jornada movida a fim de uma epifania espiritual, é tema de diversas obras notáveis, tanto no cinema quanto na televisão, literatura, quadrinhos… You name it. Nos últimos anos, Na Natureza Selvagem certamente é um dos mais poderosos nesse quesito, e Livre segue de perto a fórmula do filme de Sean Penn.

A trama nos apresenta a Cheryl Strayed (Reese Witherspoon) em meio a uma longa trilha pela Pacific Crest Trail, dos EUA. Em meio a diversos lapsos e flashbacks, vamos aprendendo sobre seu passado sombrio, a relação com a mãe (Laura Dern) e as tragédias pessoais que a colocaram nessa súbita jornada para redescobrir a si mesma.

A estrutura quebrada (outra possível influência de Na Natureza Selvagem) é ao mesmo tempo a melhor e a pior coisa de Livre. É bom pois o roteiro poético de Nick Hornby é elegante ao nos revelar com cuidado o passado de Cheryl (deixando pistas aqui e ali, provocando mistério, antecipação) e também para fugir de uma narrativa mais convencional. Dessa forma, a montagem de Martin Pensa e John Mac McMuprhy (pseudônimo do diretor Jean-Marc Vallée) é ágil e eficiente ao transformar o longa em uma colagem de memórias, rápidos cortes que traduzem os pensamentos da protagonista e até repetições de cenas para pesar seu significado. Bem dinâmico, mas também torna a experiência um tanto inconsistente; eu achei, pelo menos, que as sessões do filme em que ele se fixava em um único espaço temporal eram superiores aos lapsos mais inconscientes de Cheryl. Pessoalmente, achei cansativo.

Felizmente, Valleé tem bom olho para capturar lindas paisagens e também no comando da história. Reese Witherspoon segura o filme e entrega uma excelente performance na pele de Strayed, sabendo dosar sua força com suas fraquezas: não é nenhuma princesinha mimada (ela repudia ser chamada de “Rainha” por um colega), mas também não é a Sarah Connor das trilhas, trazendo à tona seus traumas e as dificuldades físicas em sua jornada – sua luta inicial contra a gigantesca mochila é um bom exemplo. Já Laura Dern está adorável e simpatizante como a mãe ingênua e sonhadora, mas sua indicação ao Oscar é algo que sou incapaz de compreender.

Mais desafiador do que se poderia esperar da premissa, Livre é uma experiência interessante que traz boas atuações e uma narrativa ousada. Pode perder alguns espectadores no caminho (eu incluso), mas não deixa de ser um feito notável.

Obs: Durante os créditos, fotos da Cheryl Strayed real são exibidas. Além disso, ela tem uma pequena participação no filme.

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