| Ida | Crítica

2.5

Ida
Agata Trzebuchowska é Ida

Obviamente, nem todo filme é pra todo mundo. Talvez o Sr. White adore o sentimentalismo e reflexão que Ela, de Spike Jonze oferece-se a explorar, enquanto o Sr. Brown não suporte tanto lirismo romântico e prefira se entreter com um humor negro pesado na linha de O Lobo de Wall Street, algo que o Sr. White não assistiria nem que lhe pagasse. E Talvez o Sr. Pink goste dois. Pois bem, o cenário descrito aí ajuda a introduzir Ida, um filme que definitivamente não é pra todos.

Roteirizada por Pawel Pawlikowski (que também dirige) e Rebecca Lenkiewicz, a trama é centrada na freira polonesa Ida (Agata Trzebuchowska), que resolve encontrar seus pais, judeus mortos durante a Segunda Guerra Mundial, antes de concluir seus votos definitivos no convento. Ela conta com sua tia desiquilibrada (Agata Kulesza) na busca.

Ida é um filme lento. Pouca coisa acontece, muitos diálogos são subjetivos e Pawlikowski usa principalmente imagens para manter a narrativa andando. Aprecio um ritmo lento quando este serve para construir a algo, tal como acontece em Amor ou no recente Foxcatcher, mas no caso de Ida, nada de realmente significativo acontece. É monótono e seu fiapo de trama não envolve, além de os temas com qual o longa flerta (questionamento da fé, culpa, deixando apenas a curiosidade como fator, e também a presença hipnótica de Trzebuchowska, cujo silêncio – e o que ela poderia estar pensando – é um dos poucos fatores que deixou-me intrigado.

Outro fator é o maravilhoso trabalho de fotografia exercido por dupla Ryszard Lenczewski e Lukasz Zal, merecidamente indicados ao Oscar. Rodado em preto e branco e com a razão de aspecto de 1.33 : 1 (menor e quadrada, tal como O Grande Hotel Budapeste), a dupla ajuda Pawlikowski a alcançar sua visão, especialmente pelos enquadramentos que diminuem a protagonista (especialmente nas cenas do convento) e os planos abertos que transformam as demais personagens em miniaturas. O contraste entre o branco e preto também é lindo, sem querer entrar em muitos detalhes técnicos… Estupenda fotografia.

Ida não é pra todo mundo, e certamente não foi pra mim. Achei-o monótono, sem vida e pouco envolvente, promovendo apenas um vibrante espetáculo visual em seu trabalho de fotografia.

Anúncios

3 Respostas to “| Ida | Crítica”

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: